Desde os primórdios do mundo, o homo sapiens demonstrou ser um animal social. A sociedade se estabelecia através de agregados que faziam das cavernas espaço sagrado e respeitado. Os valores éticos, sociais e morais, desde os tempos das furnas sombrias, marcaram presença através de regras mantenedoras da ordem e do respeito.
Com a evolução surge a família, grupos que partilham o mesmo espaço, a casa, o lar, onde o homem se desenvolve através de usos e costumes, hierarquia familiar, respeito, ordem, adquirindo formas ideais de comportamento para conviver em grupo. Infelizmente, a educação que se diz moderna caminha na contramão da normalidade, o homem aos poucos vai se desconectando do ambiente familiar, enfim, se isola no deambular da vida e perde a herança cultural.
Após este preâmbulo, nos reportamos além do lar, rumo ao ambiente escolar do século vinte e um, onde a infância, desde a mais tenra idade, vive afastada dos genitores e familiares, ou seja, fora da caverna. Consequentemente, a educação de berço jaz sepultada. Imperativo que as instituições acolhedoras da infância, assumam corajosamente a responsabilidade de educar seres humanos e que de forma relevante não abdiquem da ética e dos bons costumes para a excelência na formação do verdadeiro cidadão.
Ao assumir a educação que seria advinda do berço, ou seja, aceitar recém-nascidos e a primeira infância, deveria ser exigido preparo especializado, pessoal capacitado e acima de tudo, real compromisso quanto à formação humana. Fato é que, o desenvolvimento durante os primeiros mil dias de vida deveria ser responsabilidade exclusiva da família, porém, devido a banalização da educação e ao ilusório paternalismo exacerbado, tal obrigação de fazer transferida foi às instituições escolares. Tudo isso em nome de uma ideologia ultrapassada, onde o governo tornou-se o pai de todos, o grande responsável pela formação da infância brasileira e consequentemente dos notórios fracassos advindos.
Urge questionar, cabe somente ao governo a obrigação, de alimentar, vestir, instruir, higienizar e educar nossas crianças? Cabe apenas ao governo a grande responsabilidade quanto ao desenvolvimento do cidadão? Será que cabe ao governo, pessoa jurídica, dar colo, carinho e coração á infância brasileira?
Cabe ao governo abraçar e cantar canções de ninar na hora de adormecer? Cabe ao governo secar as lágrimas de solidão pelo abandono precoce? Enfim, por onde anda a responsabilidade da família quanto a educação dos filhos?