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Morreu como? A De 'selfie'

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

O ser humano sempre gostou de ser fotografado e de fotografar, tanto que desde eras remotas retratos eram feitos a fim de materializar em desenhos alguns líderes, pessoas, emoções, natureza e momentos marcantes. E, por isso, por conta desta busca do ser humano em imortalizar alguns momentos, é que a invenção da fotografia sempre esteve na pauta dos homens nas mais diferentes épocas da humanidade.


Narra a história que um físico francês chamado Joseph Nicéphore Niépce, em 1826, após anos de pesquisa, conseguiu desenvolver a fotografia da forma como a conhecemos atualmente. Desde então foi só evolução para as fotos até atingirmos ao formato digital e a possibilidade de, enfim, modificarmos, sem cirurgias plásticas, mas via photoshop, alguns pontos que nos desagradam. Hoje, muito mais do que ontem, as fotografias ganharam um status enorme. Muito mais do que ser ou ter é preciso “parecer”.


Parecer feliz, parecer bem casado, parecer sem rugas, parecer uma pessoa bem resolvida. E para o “parecer” nada melhor do que as fotografias, porquanto “eternizam” uma coisa que parece, mas nem sempre é, ou seja, retrata o externo que, diga-se, pode ou não ser uma representação da realidade ou mera fantasia. E nesta sociedade de “parecer” é que nos últimos anos uma nova modalidade de “morte” foi inaugurada.  


Trata-se das mortes por selfie. No ano de 2014 até 2016 foram mais de 120 mortes por selfie. Na maioria dos casos a morte ocorreu porque o indivíduo despencou de locais muito altos em busca de um ângulo favorável para a selfie. O raciocínio é bem simples: quanto mais ousada a foto mais seguidores nas redes sociais se consegue, quanto mais seguidores, mais “likes” ou, como queiram, curtidas.


Vive-se, portanto, tempos em que a corrida pela fama, pelo reconhecimento e pelo “parecer” são tão ou mais importantes que a própria existência, haja vista que muita gente expõe-se e coloca sua vida em risco para ter seu nome conhecido nas redes sociais. Como explicar um fenômeno assim? Isto ocorre porque o secundário tomou o lugar do fundamental, ou seja, o “parecer” vem sendo mais procurado do que o ser?


Tudo a favor de selfies. Nada contra imortalizar momentos em fotografias com o objetivo de guardar e um dia “nostalgiar”. Porém, colocar a vida em risco por conta de conseguirmos seguidores e curtidas é atentar contra o que temos de fundamental nesta existência: a oportunidade de vivermos bem, de evoluirmos em direção a Deus.


Mais do que “parecer” é imperioso buscar o ser. E o ser vai além de fotografias, é a vida real, a vida de verdade e que deve ser bem vivida.


O autor é colaborador de Opinião

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