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Mais de 100 mortos no Estado do Espírito Santo

Carolina Linhares
| Tempo de leitura: 2 min

Paulo Whitaker/ Reuters
Membros do Instituto Forense carregam caixões para autópsia em Vitória: dezenas de corpos

Em assembleia realizada na tarde dessa quinta-feira (9), o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo decidiu dar um prazo de 14 dias para que o governo atenda as reivindicações antes de deflagrar uma greve.

A PM capixaba paralisou as atividades na última sexta-feira, pedindo melhores condições de serviço, como adicional de periculosidade e por trabalho noturno. A greve dos policiais militares provocou uma onda de violência no Espírito Santo, com roubos, saques e mortes - já são mais de 100 assassinatos, segundo estimativas não oficiais.

As principais reivindicações são reposição do salário, e exigência de nível superior nos concursos para agente da Polícia Civil.

 

MAIS DE CEM MORTOS

Mesmo com reforço de militares das Forças Armadas e da Força Nacional no Estado, o número de mortos desde o início da greve dos PMs passou de cem ontem.  O número de homicídios tem sido informado pelo Sindicato dos Policiais Civis e pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), mas de maneira informal. Como o governo do Estado se nega a divulgar um balanço, não se sabe o número exato de mortes.

O motim dos PMs resultou no envio de 1.200 homens do Exército e da Força Nacional ao Estado desde segunda (6). O governo Michel Temer disse que haverá reforço de mais de 550 das Forças Armadas e de 100 da Força Nacional. Nesta quita (9), o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, defendeu o uso dos agentes federais nos protestos pelo Brasil.

Na noite de quarta para quinta, três policiais foram baleados no Estado. Segundo Renato Martins, presidente da Associação de Cabos e Soldados, o sargento Marcos Antônio Garcia foi baleado em Santa Maria de Jetibá, no interior. Em Cariacica, na Grande Vitória, dois policiais foram atingidos.

 
JORNALISTAS

A onda de violência, atingiu também a imprensa. Na madrugada desta quinta-feira (9) a sede da Rede Gazeta, afiliada da Rede Globo, que fica na Ilha de Monte Belo, em Vitória, foi alvo de tiros. Os disparos atingiram o auditório da emissora e quebraram as vidraças do local, mas ninguém se feriu. Em nota, a Rede Gazeta informou que “foi atingida por cinco disparos em direção ao auditório da sede da empresa. Felizmente não houve vítimas e todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas.”

Jornalistas também têm sido alvo de ameaças por telefone, redes sociais e inclusive no exercício da profissão, como foi o caso da repórter Raylline Haussmann, da TV Capixaba, afiliada da Rede Bandeirantes no Espírito Santo. Ela disse que foi agredida verbal e fisicamente por manifestantes que estavam na frente do BME (Batalhão de Missões Especiais), em Vitória.

Em nota divulgada à imprensa a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) declararam repudiaram os ataques.

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