Regional

Líder de ocupação de escola é aprovada em faculdade pública

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Durante a ocupação da Escola Padre Aquino, em Agudos, Meire Hellen foi a porta voz dos estudantes

Uma das líderes do grupo que, no fim de 2015, ocupou a Escola Estadual Padre João Batista de Aquino, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), para evitar que ela fosse fechada, conforme proposta de reorganização do ensino do governo do Estado, foi aprovada no vestibular de uma concorrida faculdade pública. Para a jovem, essa vitória só foi possível graças à dedicação de seus professores, o que mostra que a luta pela educação valeu a pena. Em Bariri, outro estudante de escola pública passou em primeiro lugar em vestibular da USP.

Meire Hellen Fernanda Prado de Souza, que na época tinha 16 anos e cursava o 2º ano do Ensino Médio na escola, foi a porta-voz dos estudantes durante os 13 dias de ocupação. Conforme divulgado pelo JC na época, os alunos resistiram à chamada “disponibilidade do prédio ao município”, defendendo a qualidade do ensino na unidade, e só deixaram o local depois que a Justiça concedeu liminar suspendendo um eventual fechamento.

Hoje com 17 anos, Meire Hellen comemora a aprovação em 28.º lugar no vestibular para o curso de Ciências Sociais da Unesp de Marília. Ela conta que estudou na Padre Aquino do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. “Na Padre Aquino, eu sempre tive os melhores professores, sempre me incentivando, me apoiando. Até a funcionária que fica na sala de leitura sempre me dava dicas sobre o que eu precisava ler”, afirma.

A futura universitária lembra que, mesmo durante a ocupação, não deixou de estudar. “Depois da ocupação, no terceiro colegial, peguei um pouco mais pesado nos estudos dentro e fora da sala de aula”, revela. Amante do teatro, a jovem revela que pensou em cursar artes cênicas, mas, como não foi aberta turma em Bauru neste ano, se rendeu à sua segunda paixão, as Ciências Sociais, e enfrentou concorrência de 4,6 candidatos por vaga.

Para ela, o ingresso em uma universidade pública representa a certeza de que sua luta pela educação valeu a pena. “Eu sempre gostei muito da Padre Aquino. Quando eu entrei naquela escola, eu vi que ali era o meu lugar para ficar. E eu acho que muitos jovens têm muito o que aprender ali ainda. Foi uma escola excelente para a minha formação, com os melhores profissionais que eu já conheci”, define. “Valeu muito a pena lutar pela escola. A educação tem raízes amargas, mas todos os seus frutos são doces”.

Primeiro lugar

Em Bariri (56 quilômetros de Bauru), Renan Felipe Bergamaschi de Morais, que estudou a vida inteira em escola pública, passou em primeiro lugar no concorrido vestibular para o curso de Engenharia Química da Universidade de São Paulo (USP). Em breve, ele irá se mudar para São Paulo para dar inicio aos estudos. O jovem, que é de origem humilde, sempre se destacou em ciências exatas e ganhou diversas medalhas em olimpíadas de Matemática disputadas no Brasil e no exterior.

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