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São todos Darth Vader?

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Toni Bestard nasceu na Espanha, tem 43 anos e seu inglês não é perfeito. Marcos Cabotá, 36, é espanhol com inglês fluente. Cineastas com um ponto marcante em comum: são fãs de "Guerra nas Estrelas". Tanto que decidiram contar a história do ator (inglês) David Prowse, 81.

Em 1976/1977, no auge da forma física com seus 2 metros de altura e 115 quilos, Prowse cedeu seu corpo ao lado negro da força e se tornou o homem por trás da máscara, do traje todo e do gestual de Darth Vader. O problema é que, em "O Retorno de Jedi", quando Vader tem finalmente o rosto revelado, o que aparece é outra face, de outro ator: Sebastian Shaw. Episódio obscuro que, para muitos, é tido como a maior injustiça do cinema.

Oficialmente, George Lucas e seus produtores responsáveis por "Star Wars" teriam entendido que o rosto de Prowse não era "adequado". Nos bastidores, o que se conta é que Prowse passava informações sigilosas sobre os filmes para a imprensa e isso teria irritado Lucas a ponto de tirar dele a consagração de ter sua cara na telona, com a roupa de Vader, em decisivo momento da saga até então.

Bestard e Cabotá narram isso tudo no documentário "I Am Your Father", de 2015, disponível no Netflix. O que tem a ver com a nossa política? Enquanto Prowse era o homem desconhecido por trás da máscara de vilão famoso, nossos políticos são mocinhos ao serem filmados em entrevistas e discursos, mas se entregam a tramas de maldade quando estão longe do grande público.

Se Prowse, na vida real, fazia campanhas de trânsito para alertar crianças sobre como atravessar a rua e levava uma rotina familiar pacata, nossos políticos têm histórico conturbado (para se dizer pouco) dentro e fora dos lares - e não se sabe muito sobre o real apreço deles pelos nossos pequenos cidadãos. É tanta vilania política que até podemos imaginar: se resolvessem tirar suas caras, o que apareceria no lugar seria a máscara de Darth Vader. Uma para cada um. É a eterna impressão que se tem: seriam todos vilões.

Ok, no fundo no fundo, sabemos que não são todos. Mas a má fama "colou" ao longo do tempo e só agora, em meio a tantos desmascaramentos, é que talvez tenhamos condições de separar os que merecem a luz dos que precisam amargar as trevas do isolamento. To be continued.

 

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