Internacional

Fracassa acordo no Espírito Santo


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Vitória  - Apesar do anúncio conjunto entre o governo do Espírito Santo e associações de policiais militares, feito na sexta, sobre fim do movimento que mantém há uma semana PMs e bombeiros fora das ruas, mulheres de PMs continuavam acampadas ontem em frente a batalhões.

O governo estadual não havia atendido ao pedido de reajuste salarial, mas prometeu apresentar uma proposta até o fim de abril deste ano. De acordo com o anúncio, o motim não deveria continuar após as 7h de sábado -prazo para que os PMs que voltassem às atividades ficassem sem punição.

O motim de policiais no Estado resultou em um forte clima de insegurança, com homicídios em alta e saques. O governo não divulgou o número de mortos desde o início da crise, mas afirma que o que vem sendo divulgado não está longe da realidade.

O Sindicato dos Policiais Civis fala em 137 mortes desde o início da paralisação.

No sábado de manhã, policiais militares à paisana e mulheres em torno do Quartel do Comando­Geral da PM, do Batalhão de Missões Especiais e do 1º Batalhão afirmavam que nenhuma viatura saiu durante a madrugada. O motim permanece.

No pátio do 1º Batalhão, as viaturas estavam estacionadas após o prazo dado pelo governo. Em frente ao quartel, por volta das 7h40, uma fila de carros particulares com policiais fardados se posicionou diante do portão.

Houve uma tentativa de fazer as mulheres liberarem a saída, mas elas se agarraram ao portão, fazendo orações e cantando o hino nacional.

POSTOS E PUNIÇÃO

Os policiais precisavam estar nos postos de trabalho às 8h. Diante de nova negativa, os policiais voltaram para dentro do quartel e retiraram os carros da área do portão. Os policiais que não retomaram as atividades estão sujeitos a indiciamento por crime militar, que leva a expulsão e prevê pena de 8 a 20 anos de prisão.

Também poderão ser alvos de processos administrativos internos, que igualmente podem levar à expulsão e são mais céleres que os processos criminais. Um total de 703 policiais já foram indiciados por revolta.

 VILA VELHA

No 4º Batalhão, no bairro do Ibes, em Vila Velha (Grande Vitória), cerca de 40 familiares e alguns policiais a paisana estavam do lado de fora e nenhum agente saiu para trabalhar. Pela manhã o Batalhão recebeu a presença do ministro da Defesa Raul Jungmann (leia mais abaixo).

Durante a madrugada, o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo, Renato Martins, afirmou que não se considera mais dirigente da entidade. "Eu não estou legitimado para negociar em nome da categoria, e a categoria não me reconhece como representante dela", afirmou.

Após ter assinado o acordo, Martins foi tentar convencer policiais da Rotam a voltar ao trabalho. "Não fomos compreendidos e, pelo contrário, a tropa nos viu como pessoas que traíram a categoria", disse.

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