Tribuna do Leitor

Fui 'Clandestino'

Edilson Rodrigo Nogueira Marciano (advogado)
| Tempo de leitura: 1 min

Durante a faculdade, tive o prazer de ir e realizar muitas festas universitárias, das quais sinto muita saudade. Nestas festas, conheci pessoas que hoje são defensores públicos, advogados e muitos que serão juízes e promotores, todos ‘clandestinos’... Mas foi em razão dessas festas que estabeleci networks, que se manterão pelo resto de minha vida.


Vejo com muita tristeza a demonização das festas universitárias, porque recaíram sobre elas escolhas pessoais de seus frequentadores. Em meu tempo de clandestinidade, também havia competições de bebidas. Agora a pergunta: eu participei? Não, porque no auge dos meus 18 anos sabia que não precisava provar nada a ninguém. Cada pessoa é responsável pelas suas escolhas. Hoje vivemos em sociedade terceirizada, porque todo mundo quer responsabilizar alguém pelos seus atos, mas ninguém assume sua responsabilidade.


O projeto de lei que tramita na Câmara Municipal de Bauru é mais uma triste prova da mediocridade legislativa. Mal começou o ano e já assistimos estarrecidos a mais uma perda de tempo e dinheiro do nosso legislativo, discutindo de forma superficial e ineficaz um problema já disciplinado pela lei de vizinhança.


Mas a corrida do rato já começou: querem mostrar que são produtivos, que aprovam leis, mesmo que apenas leis de interesses de seus currais eleitorais, que pensam mediocremente como eles. Se produzir lei funcionasse, todos os cachorros de Bauru usariam focinheiras e nenhuma criança seria mordida por tais animais, conforme previsto na lei 4.430/99 aprovada por esta mesma casa. E, 17 anos depois, verificamos que nada mudou.


E assim continuamos na mediocridade e ao invés de fazermos leis para inglês, ver como na época do Brasil-Império, fazemos leis apenas para os eleitores continuarem votando, fingindo que isso muda alguma coisa.

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