| Samantha Ciuffa |
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| Já o “Domingo Pé de Cachaça” agitou a Vila Universitária |
Desde o último final de semana, Bauru está em clima de Carnaval. Normalmente, a grande festa popular é sinônimo de Sambódromo. Porém, neste ano, as ruas caíram no gosto dos foliões, que marcaram presença tanto no “Agora ou Nunca” - cujo aquecimento se deu em frente ao BB Batatas, no sábado passado - quanto no “Domingo Pé de Cachaça” - que percorreu diversos trechos da Vila Universitária e terminou no Parque Vitória Régia, no domingo.
No caso do “Agora ou Nunca”, nem a crise que ronda a economia do País foi capaz de ofuscar a alegria e o entusiasmo dos participantes. Estes, por sua vez, lotaram as ruas da zona sul, atrás do trio elétrico do bloco, animado por músicos bauruenses e convidados conhecidos, tais como o cantor Eduardo Dussek e o saxofonista Derico.
O aquecimento, em frente ao BB Batatas, ficou a cargo da bateria da escola de samba Mocidade Unida da Vila Falcão e, na sequência, sob o comando de Dussek e Derico, centenas de pessoas saíram do chão, ao som das clássicas marchinhas.
Já o “Domingo Pé de Cachaça” agitou a Vila Universitária. Sereias, índios, faraós e até vendedores de gás tomaram conta do bairro. Cada folião tinha um jeito peculiar de dançar e se vestir, mas havia algo em comum: a animação. Inclusive, atrás do trio elétrico, eles interagiam com os moradores da região, que acenavam e até jogavam água para amenizar o forte calor que atingiu o município.
Ainda no sábado, rolou a estreia oficial do bloco Estação Primeiro de Agosto. O grupo saiu da Praça Machado de Mello e passou pelo Calçadão da Batista de Carvalho, rumo à Praça Rui Barbosa, na região central da cidade. A folia foi apenas um “esquenta” para atrair o público, com vistas para desfilar no Sambódromo, em 2018.
E não para por aí. Ontem, estava prevista a saída do bloco “Bauru Sem Tomate é MiXto”, que partiria da Praça Rui Barbosa e passaria pelo Calçadão da Batista de Carvalho, rumo à Praça Machado de Mello, também no Centro.
Neste ano, a trilha sonora ficaria por conta do enredo “A Casa da Eny ainda é aqui”, escrito por Sílvio Selva, e das marchinhas carnavalescas, puxadas pelo grupo Kananga do Alemão. Uma das características do bloco é abordar temas polêmicos de Bauru, porém, com uma pitada de humor, afinal, é Carnaval.
FOLIA POPULAR
Ainda na ideia de Carnaval de rua, outros dois bairros da cidade abrigarão a folia popular. Hoje, a festa fica por conta do Núcleo Habitacional Octávio Rasi. Na próxima terça-feira, será a vez do Jardim Ferraz. Em ambos os locais, o Carnaval deverá ocorrer das 19h até meia-noite.
Já a animação será garantida pela Banda Mel e Pimenta. Como o próprio nome sugere, a ideia é tocar de tudo um pouco, principalmente, axé, samba e, claro, as clássicas marchinhas. Fundadora e uma das vocalistas do grupo, Lizeth revela que a Mel e Pimenta integrou a primeira folia de rua da cidade, há aproximadamente sete anos.
Embora seja suspeita para elogiar, Lizeth destaca a importância da iniciativa. “Quando a festa chega aos bairros, gera valorização e união entre os moradores.”
No Rasi, moradores acolhem o Carnaval
Ao redor da Praça Dinamaris Conte Munhoz, onde ocorrerá a folia,
as pessoas contam os dias para a curtição; o evento está marcado para hoje
| Samantha Ciuffa |
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| A Banda Mel e Pimenta garantirá a animação do Carnaval Popular tanto no Rasi quanto no Jardim Ferraz; da esquerda para a direita: Fábio Tamos, Fernando Queiroz, Daniel Campos, Diogo, Kátia Bigueti, Fábio Lima, Fabão Cucci, Lizeth, Regina Agnelli, Mister Fabian e Verônica Agnelli |
Acolhedor, o Núcleo Habitacional Octávio Rasi receberá, “de braços abertos”, o Carnaval popular. Ao redor da Praça Dinamaris Conte Munhoz, onde ocorrerá a folia, as pessoas contam os dias para a curtição. Sob o comando da Banda Mel e Pimenta, o evento está marcado para hoje, das 19h até meia-noite.
Representante do grupo “Amigos do Rasi” - que organiza a iniciativa, com o apoio da Prefeitura de Bauru -, Regis Augusto, de 21 anos, defende que o Carnaval é uma festa popular e, por isso, sua descentralização é algo de extrema importância.
Segundo ele, muita gente não tem condições de bancar a condução até o Sambódromo, embora a entrada seja gratuita. “E a descentralização da cultura e do lazer faz parte do plano de governo do atual prefeito”, acrescenta.
Quem está feliz com a ideia é o casal Odiney Rodrigues Costa, de 38 anos, e Daniele da Silva Andrade, de 30. Ao lado da pequena Sarah Andrade Costa, de apenas 9 meses, eles pareceram animados diante da possibilidade de curtir o Carnaval na porta de casa, praticamente.
Costa relata, ainda, que não tem como ir até o Sambódromo sem recorrer ao transporte coletivo. Contudo, levar o carrinho de bebê consigo torna-se, neste caso, uma missão quase impossível. Logo, a família acaba desistindo de participar da folia fora de casa. Desta vez, será diferente.
MAIS ATRAÇÕES
Também representante do grupo “Amigos do Rasi”, Ana Paula Barbosa, de 38 anos, gostaria que o bairro recebesse mais atrações, não apenas o Carnaval Popular. “Esse tipo de evento promove a união dos moradores deste e de outros bairros próximos, como o Jardim Eucalipto e o Horto Aimorés, além de movimentar o comércio local”, pontua.
Falando nisso, o proprietário de um trailer de lanches situado na praça que abrigará o Carnaval, Bruno de Oliveira Massari Lopes, de 31 anos, espera vender de 30% a 40% a mais hoje, se comparado com qualquer outro domingo.
Há dois anos no estabelecimento, Lopes é a favor de qualquer tipo de evento que garanta o lazer dos moradores de seu bairro, independentemente do interesse comercial. Inclusive, ele pretende dar uma escapada do trabalho para curtir a folia. “Deixo minha esposa tomar conta, pelo menos, por certo tempo. O importante é conciliar o trabalho com a diversão”, finaliza.
| Samantha Ciuffa |
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| O evento ocorrerá hoje, das 19h até meia-noite, na Praça Dinamaris Conte Munhoz, no Octávio Rasi |
Festa aquece a economia do Jardim Ferraz
A folia ocorrerá na Praça da Hípica, onde há um espaço de alimentação formado por trailers; tem gente que espera vender até 60% a mais
Em tempos de crise, tudo vira oportunidade. Pensando nisso, os comerciantes do entorno da Praça Gastão Vidigal, mais conhecida como Praça da Hípica, no Jardim Ferraz, esperam vender até 60% a mais durante o Carnaval Popular, que ocorrerá na próxima terça-feira, das 19h até meia-noite, e também contará com a apresentação da Banda Mel e Pimenta.
Proprietário do primeiro trailer a ser instalado no espaço, há aproximadamente seis anos, Rodrigo Duchatsch de Freitas Braga, de 34 anos, começou vendendo pastel, porém, o negócio cresceu. Atualmente, ele oferece lanches, batata frita, crepe e churros. Além disso, possui oito funcionários.
Inclusive, a equipe inteira está escalada para trabalhar no Carnaval deste ano, porque Braga pretende viajar com a família. Mesmo assim, abrirá o trailer. Na semana anterior, o comerciante já começou a se preparar, no sentido de ampliar o estoque. “Provavelmente, farei quatro viagens de caminhonete, até trazer todos os produtos”, narra.
Outro comerciante da praça, Adriano Rodrigues dos Santos, de 31 anos, é proprietário de um trailer há quatro meses e vê, neste evento, uma possibilidade de crescimento e divulgação de seu trabalho. “Espero um aumento de até 60% nas vendas, se comparado com os demais dias”, espera.
| Samantha Ciuffa |
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| A festa será na Praça Gastão Vidigal, mais conhecida como Praça da Hípica, no Jardim Ferraz |
E OS MORADORES?
A festa popular divide a opinião daqueles que vivem no entorno da Praça da Hípica. A terapeuta holística Ivani Cristina Martins, de 53 anos, não tem nada contra, porém, teme que a folia leve à sujeira e sensação de insegurança. “Mesmo assim, pretendo assistir à diversão da área de casa”, adianta.
O pastor Jair Pedroso, de 49 anos, mostrou-se totalmente contra a iniciativa. “Não há banheiro, iluminação e segurança. Como fazer uma festa nesta situação? Fora a sujeira que fica, após o evento. Eu acredito que a prefeitura tenha de priorizar os locais que já têm Carnaval, em vez de trazer para o bairro”, critica.
Outra moradora, que preferiu não ser identificada, compartilha da opinião de Pedroso e vai além: teme pelos idosos que vivem no entorno da praça. “Ninguém vai conseguir dormir à noite. Sendo assim, temos de nos sacrificar em prol da diversão dos outros?”, questiona.
Não dá para agradar todo mundo, porém, em 2016, durante a 4.ª edição do Carnaval Popular, mais de 3 mil pessoas participaram da iniciativa, que se deu tanto no Octávio Rasi quanto no Núcleo Gasparini.
Mais Carnaval
Entre hoje e terça-feira, a Associação Sem Limites realizará o projeto “Folia nos Bairros”. O objetivo é proporcionar matinês de Carnaval às crianças do Gasparini, Geisel, Octávio Rasi e Vila Independência. Todas as festas ocorrerão das 14h às 18h e contarão com a presença de Mc En e animadores infantis. Haverá, ainda, música, prêmios e brincadeiras. Tudo de graça.
A ideia partiu da necessidade de levar a comemoração do Carnaval para outros locais de Bauru, além do Sambódromo, e garantir uma opção segura de diversão para a garotada.
Hoje, o “Folia nos Bairros” estará na sede da Associação de Moradores da Vila Independência, que fica na quadra 13 da rua Itororó. Amanhã, a matinê será na rua Lúcio Hurtado Filho, 1-40, no Octávio Rasi. Na terça-feira, por fim, a festa ocorrerá no Centro Comunitário do Geisel, que fica na rua Anthero Donnini, 1-85.



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