Polícia

Moradores sofrem três dias com fumaça em Bauru

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Pallu Roberto/Assessoria prefeitura
Bombeiros auxiliam no combate ao incêndio e rescaldo

Moradores de ao menos seis bairros da cidade se assustaram com a “cortina” de fumaça branca que percorreu o céu entre a noite de terça e a manhã dessa quarta-feira (1), resultado de incêndio em terreno de propriedade da prefeitura situado no Jardim Mendonça, utilizado pela Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten) para o transbordo de resíduos da construção civil.

O fogo teria começado na segunda-feira, mas a Defesa Civil só teve conhecimento do problema ontem de manhã, uma vez que não há vigilância no local, medida que seria de responsabilidade da associação, que poderá ser punida por não tomar as providências para conter as chamas.

Quem mora nas imediações do depósito, situado no final da avenida Rosa Malandrino Mondelli, sofreu com a situação. Por se tratar de materiais com plástico, borracha e outros itens tóxicos, a fumaça causou mal-estar em muitas pessoas, que tiveram que manter as janelas das casas fechadas para amenizar a sensação ruim.

“No domingo, já havia um cheiro [de fumaça] bem leve. Mas, na segunda à noite, começou a incomodar bem. Ontem (terça), ficou insuportável. A visibilidade ficou prejudicada, parecia neblina, e as residências foram tomadas por fumaça. Em casa, todos passaram mal, inclusive minha mãe de 92 anos. Eu cheguei a vomitar”, conta o empresário Lindiney Almeida de Oliveira, 49 anos. “Percorri uns seis bairros e a situação era a mesma”, frisa.

CRIMINOSO

Fotos: Douglas Reis
Área utilizada para o transbordo de resíduos da construção civil, no Jardim Mendonça, foi atingida por incêndio durante o feriadão 

O incêndio ficou ainda mais evidente na manhã dessa quarta (1), quando a fumaça tomou o céu na região do Mary Dota. Segundo Nelson Correa Pinto, um dos diretores da Asten, vândalos teriam invadido o terreno para atear fogo em móveis velhos, plásticos e madeiras que seriam levados para o aterro sanitário de Piratininga. “Foi ato criminoso”, banca.

Quatro caminhões-pipas da prefeitura e duas equipes do Corpo de Bombeiros foram mobilizados para conter as chamas e fazer o rescaldo, trabalho que durou horas. Nelson constatou que duas caçambas com materiais recicláveis foram atingidas e também dois banheiros químicos. “O prejuízo é de cerca de R$ 3 mil”, estima.

NOTIFICADA

Coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues esteve no depósito pela manhã e disse que a Asten pode ser punida porque não tomou nenhuma medida para controlar o incêndio. “As autoridades não foram comunicadas. Eu deveria ter sido acionado assim que o fogo começou. Falei com a Mayra Fernandes (secretária de Meio Ambiente) e a Associação será notificada e penalizada, provavelmente, com multa por crime ambiental”, destaca.

No entanto, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, ainda não há nada definido em relação a uma eventual sanção. Ontem, a secretária Mayra Fernandes esteve no local e, por uma questão de visibilidade, não foi possível fazer uma vistoria na área. Uma nova data será agendada para a avaliação. 

Nelson enxerga como injusta eventual aplicação de multa e adianta que, se isso acontecer, irá recorrer. Ele reconhece, porém, que atualmente a Asten não tem estrutura para manter um vigia no depósito, que ficou fechado desde o meio-dia de sábado até ontem de manhã em razão do Carnaval. “Vamos nos reunir, inclusive com a Semma, para ver o que podemos fazer para resolver o problema”, disse. 

Os bombeiros disseram que foram ao local na noite de terça, por volta das 21h30, mas não tiveram como entrar porque o local estava fechado, tendo, então, que abortar o atendimento ao observar, inicialmente, que se tratava de fogo em mato e não oferecia riscos. 

Ao saberem que se tratava de incêndio em lixo, nesta quarta, retornaram ao depósito (que ainda não tem auto de vistoria da corporação) com duas equipes para combate às chamas e rescaldo. A corporação disse ainda que o tempo seco contribuiu para o início do fogo. A Polícia Científica esteve no terreno para realizar o trabalho de perícia técnica e as causas do incêndio serão investigadas pela Polícia Civil.

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