Bairros

Uma cidade em recuperação

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 8 min

Priscila Medeiros/Divulgação
Ainda na Joaquim da Silva Martha, o afundamento do solo culminou 

no rompimento de aproximadamente dez metros de tubulações de concreto

Bauru está em obras. Não é preciso andar muito para encontrar buracos, erosões, vazamentos e tantos outros problemas, intensificados pelas chuvas que atingiram o município no último bimestre. A prefeitura ainda trabalha para recuperá-los, porém, terá mais um desafio pela frente: vai cair mais água, conforme previsão do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

Só a Secretaria Municipal de Obras investiu aproximadamente R$ 6,5 milhões, entre janeiro e fevereiro deste ano, com os serviços de revitalização. Já o Departamento de Água e Esgoto (DAE) gastou R$ 500 mil a mais, no mesmo período.

Diariamente, a assessoria de imprensa da prefeitura lança notas acerca das manutenções que são feitas. Para se ter uma ideia, no dia 13 de fevereiro deste ano, a Obras trabalhou entre as quadras 27 e 28 da marginal da avenida Nações Unidas, no sentido bairro-Centro. Alguns trechos estavam com afundamentos provocados por avarias nas tubulações das galerias.

No dia seguinte, a pasta concentrou-se na limpeza e manutenção das bocas de lobo, situadas na quadra 4 da rua Adante Gigo, na quadra 3 da rua Altair Leite Campos e na quadra 4 da rua Benedito Ribeiro dos Santos, no Jardim Carolina - região mais afetada pelas últimas chuvas.

Em 15 de fevereiro, os trabalhos seguiram. A Secretaria de Obras recuperou a galeria pluvial da quadra 4 da rua Joaquim da Silva Martha, onde houve um afundamento do solo. O fato culminou no rompimento de aproximadamente dez metros de tubulações de concreto.

No mesmo dia, tanto a Obras quanto o DAE concluíram a contenção da erosão que se formou entre as ruas Primeiro de Agosto e Rio Branco, na região central da cidade. O afundamento do asfalto foi provocado pelo rompimento da rede de esgoto e pelas avarias em uma caixa de centro do sistema de galerias pluviais.

Recentemente, no último dia 23, a Secretaria de Obras recuperou a rede de galerias pluviais da quadra 12 da rua Coronel Alves Seabra, na Vila Seabra, onde houve o rompimento de tubulações das redes de galerias e esgoto, provocando o afundamento do asfalto.

E AGORA?

Contudo, os reparos ainda estão longe de chegar ao fim. Para se ter uma ideia, nos últimos 20 dias, a Secretaria de Obras identificou 108 problemas - entre a necessidade de terraplanagem, tapa-buracos e recuperação de guias e sarjetas. Do total, apenas 40 já foram solucionados. Além disso, a pasta recebeu outras 209 solicitações de reparos, no mesmo período. Porém, 80 ainda não foram realizados.

Já o DAE, em dias normais, costumava consertar 180 vazamentos de água e esgoto, em 24 horas. Após as últimas chuvas, a demanda aumentou para 600. Quase impossível fazer tudo em tempo hábil. O próprio presidente da autarquia, Eric Fabris, confessa: “Levamos um banho”.

Os problemas, as soluções e os desafios para os próximos dias - provavelmente, marcados por mais chuvas - serão destrinchados nas páginas seguintes.

Secretaria de Obras já gastou R$ 6,5 milhões em reparos

Entre janeiro e fevereiro deste ano, a secretaria investiu o valor em terrraplanagem, tapa-buracos e recuperação de guias e sarjetas

Aceituno Jr.
Em reportagem recente, o JC mostrou que os buracos profundos espalhados por alguns trechos da rua Altair Leite de Campos causavam a impressão de que se caminhava sobre um campo minado

Entre janeiro e fevereiro deste ano, a Secretaria Municipal de Obras gastou, em média, R$ 6,5 milhões em reparos dos estragos decorrentes das últimas chuvas. O valor foi investido em terrraplanagem, tapa-buracos e recuperação de guias e sarjetas.

Titular da pasta, Ricardo Zanini Olivatto revela que, nos últimos 20 dias, identificou 108 problemas do tipo. Do total, apenas 40 já foram solucionados. Além disso, a secretaria recebeu outras 209 solicitações de reparos, no mesmo período. Porém, 80 ainda não foram realizados.

Olivatto explica, ainda, que o maior problema dos bairros está na pavimentação e já adianta que a solução é refazer todas as galerias de drenagem, que não suportam a quantidade d’água e provocam o afundamento do asfalto.

Para se ter uma ideia, apenas 30% da Vila Ipiranga possui esse tipo de rede. O ideal seria que 70% do local fosse respaldado pelo sistema. Resultado: buracos e vazamentos espalhados por toda a parte. E esta não foi a região mais prejudicada. O secretário revela que os maiores danos se deram no Jardim Carolina.

Inclusive, em reportagem recente, o JC mostrou que os buracos profundos espalhados por alguns trechos da rua Altair Leite de Campos causavam a impressão de que se caminhava sobre um campo minado. Na época, teve até comerciante que reclamou de falta de clientes, porque a via ficou intransitável. O local já foi recuperado.

MAIS PREJUÍZO

Aceituno Jr.
Presidente do DAE, Eric Fabris, diz que a situação ainda não é boa

Presidente do DAE, Eric Fabris mostra que a situação ainda não é boa. Tanto que, em dias normais, a autarquia costumava consertar 180 vazamentos de água e esgoto, em 24 horas. Após as últimas chuvas de janeiro, a demanda aumentou para 600. Quase impossível fazer tudo em tempo hábil. Entre janeiro e fevereiro deste ano, O DAE gastou R$ 500 mil a mais nesses reparos.

Fabris acredita que o problema decorra das erosões formadas na rede de água e da sobrecarga do sistema de esgoto - fato que se dá, principalmente, pelas ligações irregulares da água da chuva com o esgoto, já que o volume dos canos aumenta e as conexões, feitas de manilhas de barro, se afrouxam, levando aos vazamentos.

Esse tipo de ligação é cabível de multa. Em 2015, o valor da penalidade passou de R$ 86,00 para R$ 894,36. Em julho do ano passado, houve mais uma alteração e, agora, a multa é de R$ 981,11. Além de quitar a dívida, o morador tem de providenciar a readequação da ligação.

E a autarquia está de olho: de janeiro a dezembro de 2016, vistoriou 3.804 residências da cidade, sendo que 63 receberam notificação.

E vem mais chuva por aí...

A previsão do CPTEC é de que as pancadas ocorram, principalmente, no período da tarde; a prefeitura, por sua vez, se prepara para o rescaldo

O município ainda se recupera das últimas chuvas e, provavelmente, terá outra dor de cabeça: a previsão do CPTEC é de que haja mais precipitações, pelo menos, nos próximos três dias. Diante disso, a Obras, o DAE e a Defesa Civil já começaram a se preparar.

Titular da Obras, Ricardo Zanini Olivatto realizou uma consultoria técnica com professores doutores da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, sobre o sistema de drenagem da cidade. Inicialmente, a expectativa é desenvolver um projeto de recuperação da avenida Nações Unidas, principal ponto de alagamento. “Porém, é necessário algo mais amplo e tudo depende da liberação de recursos”, acrescenta.

Questionado sobre o preparo da prefeitura diante das chuvas intensas, Olivatto alega que a situação é complicada, porém, mobilizará toda a equipe para tanto, assim como está sendo feito para recuperar a cidade dos estragos do último bimestre.

Já o presidente do DAE, Eric Fabris, conseguiu um galpão abrigado, de aproximadamente 10 mil metros quadrados, para estocar terra. O objetivo é que o material permaneça seco em tempos de chuva e, assim, seja possível tapar os buracos de maneira mais ágil.

Fabris também está em constante diálogo com sua equipe e aceita sugestões para que o serviço seja efetuado rapidamente.  Ele estuda, ainda, a tecnologia de outras empresas, como a Sabesp, que detém a concessão dos serviços públicos de saneamento básico no Estado de São Paulo. 

“Eles têm uma pá escavadeira adaptada à traseira dos caminhões. Logo, tanto o efetivo quanto os equipamentos são transportados de uma só vez. Em Bauru, temos de levar os funcionários e, após algum tempo, a retroescavadeira, que roda o município. Demora demais”, pontua.

Enquanto os projetos não saem do papel, Fabris tenta reforçar a equipe responsável pelos reparos de vazamentos, formada por 200 funcionários. “Já foi feito um concurso público e a expectativa é de que outros cinco servidores comecem a trabalhar dentro de dez dias”, argumenta.

O presidente do DAE tenta, ainda, aumentar a arrecadação da autarquia, através de um mutirão. “Há 7 mil processos de devedores d’água parados. Queremos agilizar”, frisa.

DEFESA CIVIL


 

Quioshi Goto/JC Imagem
Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Sidnei Rodrigues também está se preparando para as chamadas águas de março

Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Sidnei Rodrigues também está se preparando para as chamadas águas de março. Tanto que reforçou sua equipe, formada por seis servidores, contando com ele.

Além de dois agentes e um auxiliar administrativo, o engenheiro civil Julio Natividade foi realocado da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) para a Defesa Civil. Ele assumiu o posto na última quarta-feira.

Rodrigues informa que o engenheiro ficará responsável pela fiscalização de áreas de risco, ou seja, onde há residências situadas em fundos de vale. Natividade também ajudará a vistoriar a infraestrutura daqueles imóveis que podem desabar quando chove forte.

Inclusive, só neste primeiro bimestre, a Defesa Civil já visitou mais de 160 residências. Do total, 18 foram interditadas total ou parcialmente. O principal problema, segundo Rodrigues, gira em torno de muros e paredes trincados.

Além disso, o órgão reforçou o estoque de cobertores, lonas, colchonetes, cestas básicas e móveis. O coordenador da Defesa Civil solicitou, ainda, a realocação de um assistente social por parte da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), porém, o pedido ainda não foi aprovado pelo gabinete. 

Previsão

Meteorologista do CPTEC, Bruno Miranda afirma que há probabilidade de pancadas de chuva, de moderada a intensa, para os próximos três dias, pelo menos. A previsão é de que elas ocorram, principalmente, no período da tarde. 

Já as temperaturas deverão ficar entre 21 e 30 graus. Quanto à mínima da umidade relativa do ar, não sairá da casa dos 85%. “É algo típico da estação, marcada por forte calor e elevada umidade”, finaliza.

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