| Divulgação |
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| Somos uma coisa só, como sugere este quadro de Tarsila do Amaral. Para que ter preconceitos, ainda que sutis? Devemos ter respeito e cuidado com o próximo! |
A preguiça é tanta que, até no Carnaval, não queremos mudar: as músicas são sempre as mesmas! Será que não dá para criar novas músicas e letras tão gostosas e contagiantes quanto as centenárias marchinhas! Será que não há marchinhas sem preconceitos?
Pegar algo que não é seu, traficar influência, piratear programas e músicas, plagiar textos e sonegar imposto “quase” todos fazem, pois, entre nós, vivem muitas crianças! O errado fica tão comum e perdemos a noção. Todo indivíduo, incluindo políticos, com mania de apontar erros alheios, acaba por ser pego em crimes parecidos, será apenas questão de tempo. Foi isto que salvou Madalena das pedradas quando Jesus disse: “quem não tem pecado, que atire a primeira pedra”! Se Jesus voltasse e fizesse a mesma coisa, as operações da polícia federal cessariam na hora, a começar pela vida do “japonês da federal”!
Sabedoria popular: se tiveres uma dívida a receber, contrate um cobrador que, no currículo, tenha sido péssimo pagador! Ele vai saber como os malandros evitam ser encontrados, o que falar se abordado, como adiar seus compromissos com as desculpas mais eficientes. A sua dívida rapidamente será paga! Quem acusa hoje, será acusado amanhã: é melhor pensar muito antes de apontar o indicador para alguém, mesmo em pensamento!
NO CARNAVAL
No período pré-Carnaval, discutiu-se muito sobre as marchinhas centenárias por conta dos preconceitos embutidos em suas letras quanto à cabeleira do Zezé, Maria Sapatão e negritude da mulata! Para algumas pessoas com quem conversava, achavam isto um excesso do politicamente correto, e eu procurava explanar sobre a necessidade dos cuidados em não magoar as pessoas. Preconceito machuca muito, muito mais do que possas imaginar!
Mesmo que as músicas sejam antigas, elas carregam e transportam preconceitos para os atuais habitantes. Talvez proibir não, mas conscientizar sobre o uso destas marchinhas retrógadas leva-nos a ceder lugar a outras lindas e novas marchinhas ou às antigas, onde preconceitos não foram inseridos. Gradativamente, acabam por ser esquecidas.
NO SEU DIA
Antes do computador e Internet, as notas da escola de 0 a 10 eram levadas aos pais pelo “boletim impresso em papel” e escritas em caneta. Eram várias as “matérias” como português, aritmética, história e até tinha nota de comportamento em sala de aula. Quando era inferior a 5, a nota vinha escrito em vermelho; acima disto, em azul. Tirar nota vermelha era uma vergonha danada! Claro que tinha preconceito embutido: só por que indígenas eram chamados de pele vermelha deveria ser considerado a cor como sinal de ruim, inferior ou vergonhoso?
Temos que ter cuidado com o ser humano; o nosso próximo merece! Se não achas que merece este cuidado, pare de ir na igreja e posar de bom moço! Por isso, devemos evitar dizer que “a coisa está preta!” ou que há nuvens negras no horizonte! O negro ou o preto não significa coisa ruim; coisas e seres brancos também podem ser ruins, como Hitler o foi e, ao contrário, Mandela!
Muitos que protestaram contra as marchinhas usam certas expressões só porque faz parte do costume ou da cultura! Mudemos os costumes e que a cultura evolua e os atingidos não serão judiados com tais preconceitos! EPPAAAA... Quem disse que os judeus devem ser sinônimos de maus tratos, de tortura e tormentos humanos. Não devemos usar o termo “judiar” como sinônimo de maldade. Os judeus já nos deram muitas coisas e seres bons!
Não me venhas depois falar que deu um “branco” em você! Quem disse que branco é sem conteúdo, vazio, sem nada dentro! Uma pessoa branca pode reclamar desta expressão preconceituosa! Do mesmo modo, uma pessoa diz a outra: “vamos ter uma conversa de homem para homem!”. Seriam apenas os homens sinceros, verdadeiros e capazes de coisas sérias? As mulheres não podem ter conversas importantes e definitivas? Sim, esta frase carrega preconceito e machismo!
Nossa! E agora? Estou até com medo de falar! Calma, a sua boca só fala o que o cérebro manda! Devemos aprender filtrar nossos pensamentos de preconceitos, mesmo os adquiridos e incutidos em nossas mentes de forma subconsciente! Este cuidado é respeito e amor ao próximo, um estilo coerente de viver!
Reflitemos!
Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.
