Uma professora me disse um dia que a melhor parte de seu trabalho é quando os alunos aprendem a enxergar com os olhos da alma. Lírico, poético, mas sensibilidade não paga as contas e idealismo romântico só funciona na ficção.
Sejamos práticos: enquanto um aluno aprende a enxergar com os olhos da alma, outros quarenta e três continuarão cegos. Enquanto um Professor(a) é Professor(a) por vocação, outros trezentos o são por comodismo ou falta de opção.
Quando um Diretor(a) tem boa vontade, esbarra na ferrugem burocrática das engrenagens arcaicas do Estado que, com seus incontáveis decretos publicados na calada da noite e cargos em designação, dá margem para que as piores injustiças e desmandos aconteçam e quando um Diretor(a) não tem vontade alguma, navega em aguas calmas por dançar conforme a musica entoada pelo ranger dos dentes dessa mesma engrenagem.
Se um Agente de Organização Escolar acredita, outros seis criticam. A escola pública como a conhecemos hoje deveria acabar. Derrubem tudo e reconstruam! São, pelo menos, vinte anos de recrutamento de analfabetos funcionais, filhos da cultura de massa! Toda uma geração órfã de pais presentes e do Estado omisso.
O verbo correto a se conjugar é reconstruir. Reconstruir soluções, reconstruir valores, reconstruir princípios, reconstruir objetivos, reconstruir olhares, para que a maioria dos alunos e de nós, sobreviventes da Educação, possamos ter o privilégio de também poder enxergar com os olhos da alma sem termos que nos preocupar com o holerith.