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Sufoco e desespero marcam a segunda-feira em Bauru

Cinthia Milanez e João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Aceituno Jr.
Ivair Emílio Valera desmaiou após duas horas de protesto
Ivair Galera se acorrentou em frente ao prédio da Justiça Federal, com cartaz em forma de apelo

Com cartaz em punho e cobrando a conquista do auxílio-doença, o pintor Ivair Emílio Galera, de 51 anos, cometeu um ato de desespero ao se acorrentar em um poste de iluminação, situado em frente à sede da Justiça Federal, na quadra 21 da avenida Getúlio Vargas, em Bauru, nessa segunda-feira (13) à tarde. Em nota, o órgão alega que o processo do trabalhador está dentro do prazo para sentença.

O homem reivindicou celeridade em seu pedido de auxílio-doença, feito junto ao Juizado Especial Federal, em Bauru, há sete meses. Em julho do ano passado, Ivair sofreu três infartos em um único dia. Desde então, ficou debilitado e dependente de remédios de alto custo.

Inclusive, a caixa de um dos quatro medicamentos que Ivair utiliza custa, em média, R$ 200,00. O pintor precisa de uma a cada mês, porém, não tem ondições para comprar. "Tenho falta de ar e não consigo trabalhar", desabafa. Além disso, o pintor precisa passar por um procedimento cirúrgico em um hospital público, mas há fila de espera.

E para piorar: sua esposa, a auxiliar geral Fatima Aparecida Fucciolo, de 47 anos, está desempregada. O casal vive em uma residência no Nova Esperança e pode perdê-la, porque o aluguel está atrasado há três meses. "Até comida falta", revela Fatima. Agora, a família espera que a auxiliar geral receba os oito meses de salários atrasados, problema que a fez deixar o emprego.

DESMAIO

O trabalhador ficou acorrentado durante duas horas, aproximadamente. Só deixou o posto, porque desmaiou. A PM cortou as correntes com um alicate e prestou os primeiros socorros. O Samu chegou após 40 minutos do acionamento e, a princípio, o reanimou.

Coordenador do Samu, Rafael Arruda alega que, em um primeiro momento, não é função do órgão atender esse tipo de ocorrência, já que possui outras prioridades, como acidentes com traumas graves. Porém, o fez devido ao clamor social. Arruda detalha, ainda, que o Samu só deveria ter sido acionado após o desmaio.

Ivair foi encaminhado até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Geisel e liberado após ser atendido. Ele sofreu uma crise de estresse. Enquanto protestava, não aceitou sequer tomar água, oferecida pelos moradores da região e jornalistas. Abatido, queria que alguém do Juizado Especial Federal se posicionasse sobre seu processo. Contudo, o pintor foi vencido pelo desmaio.

Se alguém quiser ajudar a família, basta entrar em contato com a Fátima, através do (14) 99834-1924.

Justiça alega que processo está 'no prazo'

Fotos: Aceituno Jr.
Bombeiros resgatam Marcos Domingues da enxurrada na Nações Unidas
Por conta da força da água, ele não conseguiu se levantar e passou por momentos de pânico
Marcos Domingues ficou preso na Nações até receber ajuda
Carros tiveram dificuldades por conta da forte chuva

A chuva dessa segunda-feira (13) à tarde foi de preocupação adicional para um pedestre que tentou atravessar a avenida Nações Unidas na quadra 20, contudo, ficou "preso" na água.

Com sete viaturas percorrendo trechos de potencial perigo nessas circunstâncias, não foi difícil para o Corpo de Bombeiros avistar Marcos Domingues em situação de sufoco e estacionar para ajudá-lo. 

"Fui tentar atravessar, pensei que desse e caí. Fiquei com receio de me afogar. Ainda bem que os bombeiros apareceram", relatou o homem, ainda assustado, ao repórter fotográfico do JC, Aceituno Jr., assim que se viu livre do perigo. 

"Passávamos justamente para averiguar pontos de alagamento e observamos que ele tinha caído", conta o primeiro tenente Felipe Gavazzi, que atendeu a ocorrência com os cabos Fábio Catarin e Douglas Camilo Pereira. "Estávamos a 200 metros de distância. Nitidamente, ele viu que não dava para prosseguir e ficou sem condições de sair".

"Foi então que jogamos a corda para chegar até ele. Um bombeiro [Catarin] desempenhou essa função e segurou o pedestre, ajudando sua travessia até um ponto seguro", acrescenta Gavazzi. "Um carro passaria por ali, mas para uma pessoa, fica mesmo difícil". 

Segundo Gavazzi, este foi o único episódio mais preocupante da tarde. Como de costume, trechos da avenida Nações Unidas foram interditados pelos bombeiros e Emdurb.  

GRANIZO E ÁRVORES

Longe da Nações, no Mary Dota, houve relato de granizo. "Foi tudo muito rápido", conta Anna Oliveira, moradora na quadra 1 da rua Jurandir Ladeira, quadra 1. As pedrinhas de gelo caíram por cerca de dez minutos.

Anna ficou preocupada com a situação da mãe, Marisa, onde a água chegou a entrar na casa, que fica no mesmo terreno. Por sorte, a chuva baixou e nada de mais grave ocorreu.

Houve também relatos de quedas de árvores. Uma delas, na rua Venâncio Ramalho Guedes de Azevedo, esquina com a rua Francisco Antônio Rodrigues, no Mary Dota, caiu sobre um carro estacionado.

Serviços perdidos

A forte chuva prejudicou também os trabalhos de recuperação de galerias de águas pluviais em três pontos da cidade. No Jardim Tangarás, a equipe da Secretaria de Obras trabalhou na recuperação do sistema de galerias na rua Natal Fornazari, quadra 1, na ligação com o Ferradura Mirim. Na avenida Rodrigues Alves, quadra 27, sob o viaduto da rodovia Marechal Rondon, os serviços executados pela Divisão de Drenagem também foram perdidos. O mesmo ocorreu na rua Joaquim Marques de Figueiredo, quadra 5, no Distrito Industrial I.

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