| Douglas Reis |
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| Em imóvel onde família mora há aproximadamente 10 anos, funcionava indústria alimentícia |
Ao menos três prédios destinados pela prefeitura para instalações comerciais no Distrito Industrial 2 estariam sendo sublocados para fins residenciais, segundo denúncia feita ao JC. A reportagem constatou que os imóveis são habitados por famílias há anos - uma delas paga aluguel e outra toma conta do local em troca de moradia. Empresário nega que as atividades estejam paralisadas.
A denunciante, que não quis se identificar, relata que atua há mais de 20 anos na área, empregando 60 funcionários diretos. "Contribuímos e pagamos impostos em dia e nunca foi concedido um terreno para nos instalarmos aqui", critica a empresária, alegando preocupação com a destinação do lixo, já que o descarte industrial é diferente do domiciliar.
A reportagem visitou a área na semana passada. Em um dos imóveis, localizados na quadra 2 da rua Laureano Garcia, a técnica em enfermagem Leticia Soelyn Scarto, 27 anos, diz que vive com a família no local há 10 anos. "Antes, funcionava a Dude [Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios],mas foi fechada e o dono cedeu as duas casas (situadas no mesmo terreno) para nossa moradia. Ao invés de pagar para ficar aqui, a gente toma conta do local".
| Marcus Liborio |
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| José Carlos mora há quase quatro anos onde deveria estar indústria que fabrica equipamentos para controle da poluição |
Vizinho dela, o ajudante geral José Carlos da Silva, 52 anos, conta que desembolsa R$ 150,00 de aluguel por mês para residir com a esposa no imóvel há quase quatro anos. Funcionava, no prédio, a Dafe Ltda., que fabrica equipamentos para controle de poluição do ar. O morador garante que não há mais atividade industrial ali. "Está parado", frisa.
INVENTÁRIO
Titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon), Aline Fogolin citou a elaboração de um inventário envolvendo todos os distritos, com objetivo de identificar as irregularidades. O documento deve ficar pronto em aproximadamente 50 dias.
"Vamos passar os casos citados para a Secretaria de Negócios Jurídicos e, para cada situação, será tomada uma posição. Vão ter casos em que teremos que tomar a área que não está cumprindo a finalidade industrial, cabendo sanções aos empresários", informa.
Fogolin diz ainda que o município está preocupado com a questão social do imbróglio. "As famílias serão amparadas. Vamos fazer isso em parceria com outras secretarias como Sebes, Seplan e Obras, já que alguns trechos também necessitam de asfalto".
Conforme a Coluna Entrelinhas divulgou, a secretária concluiu, na semana retrasada, uma série de reuniões com empresários dos quatro distritos industriais. O objetivo é que novos encontros ocorram a cada dois meses. O curioso é que a reunião com empresários do Distrito 2 não teve comparecimento de ninguém. "Tem alguma coisa no ar. Ou não estão interessados ou tem alguma situação que precisamos detectar", finaliza Fogolin.
Empresário nega irregularidade
Proprietário da Dafe Ltda., Ernani de Almeida afirmou que ainda desenvolve atividade industrial no imóvel citado pela reportagem. "Fabrico equipamentos e desenvolvo projetos. Às vezes fora, às vezes no barracão do Distrito. Mantenho quatro funcionários", garante. Procurador-geral do município, Ricardo Chamma revela que o caso está na Justiça, uma vez que a locação do imóvel para fins residenciais configura uso irregular da área. "Tem de ser para uso industrial", pontua. A reportagem não conseguiu contato com o empresário responsável pela Dude.

