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A crise piora o sono e o sono piora a crise

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
O cirurgião-dentista, Walter da Silva Júnior, explica que o estresse está diretamente relacionado à privação do sono, considerada um dos principais contratempos da atualidade

Uma noite bem dormida repara qualquer cansaço físico e mental. Em tempos de retração econômica, quando muita gente perde o emprego ou está endividada, esse tipo de preocupação interfere na qualidade do sono, fato que dificulta o enfrentamento dos problemas. Em uma hora tão oportuna, ocorre a Semana Nacional do Sono - entre os dias 13 e 19 de março.

O cirurgião-dentista e membro da Associação Brasileira de Odontologia do Sono (Abros), bem como da Associação Brasileira do Sono (ABS), Walter da Silva Júnior, explica que o estresse está diretamente relacionado à privação do sono, considerada um dos principais contratempos da atualidade. "Ninguém dorme o quanto gostaria", acrescenta.

Além da crise, há influência de outro fator: a disponibilidade de serviços. "Hoje, há supermercados e postos de gasolina que funcionam 24 horas, bem como a programação da televisão. Logo, muita gente vai dormir mais tarde e tem de acordar cedo", justifica. Júnior revela, ainda, que as pessoas dormem de 20% a 25% a menos do que o ideal. 

Falando nisso, o tempo recomendado do sono varia conforme a idade. Recém-nascidos dormem por até 17 horas ao dia. Já os adolescentes necessitam de até 10 horas de sono - por isso, gostam de dormir e acordar tarde. Os adultos, por sua vez, precisam dormir de sete a oito horas. Os idosos, ao tirarem cochilos variados durante o dia, acabam dormindo menos à noite.

Quando o patamar ideal não é atingido, existe a possibilidade de desenvolver problemas de memória, mau humor e cansaço. Em alguns casos, leva às disfunções metabólicas, tais como diabetes tipo 2 e obesidade.

Diante disso, o cirurgião-dentista dá algumas dicas, entre elas, dormir em horários regulares e evitar o contato com telas de celular, tablets e notebooks até, pelo menos, duas horas antes do sono (veja ilustração no final). Além disso, remédios para dormir só sob prescrição médica.

DISTÚRBIOS

Os distúrbios mais comuns que prejudicam a qualidade do sono são a apneia obstrutiva e a insônia. No primeiro caso, os músculos da garganta se relaxam de tal forma que esta é bloqueada e o ar não consegue passar. "Uma das queixas mais comuns de pessoas com apneia é o excesso de sono durante o dia", pontua.

Logo, quem ronca e reclama de cansaço no decorrer do dia deve procurar um profissional de saúde capacitado - médico, dentista ou fonoaudiólogo -, que solicitará o exame da polissonografia.

O tratamento varia entre o uso de um aparelho intraoral removível - feito por dentistas -, ou de uma máscara de pressão positiva contínua. Outra opção corresponde aos exercícios fonoterápicos para o fortalecimento da musculatura da garganta.

Já a insônia nada mais é do que a dificuldade de iniciar ou manter o sono por um período mínimo necessário ao descanso adequado. Quando isso acontece, um médico deve ser consultado.

JANELA

"Ninguém dorme o quanto gostaria"

Walter da Silva Júnior

Cirurgião-dentista

Rebites e drogas

Walter da Silva Júnior revela, ainda, que os rebites - estimulantes tomados por muitos caminhoneiros, para que aguentem longas viagens - estão sendo substituídos por cocaína, o que é totalmente ilegal e perigosa. Isso porque a medicação passou a ser vendida sob prescrição médica e, em seu lugar, é ofertada a droga.

Porém, Júnior avalia que ambas as opções são extremamente perigosas e ineficazes. "Chega uma hora em que o sono cobra pedágio, momento em que ocorrem os acidentes de trânsito", observa.

Semana do Sono tem ampla programação

A Semana Nacional do Sono ocorre entre os dias 13 e 19 de março deste ano, já que o Dia Mundial do Sono é celebrado em todo 17 de março. Em Bauru, há uma série de atividades e a programação completa está disponível no site https://www.semanadosono2017.com.br

O objetivo é divulgar informações importantes, novidades e últimas pesquisas úteis para o sono da população.

O evento é organizado pela Associação Brasileira do Sono (ABS), Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e Associação Brasileira de Odontologia do Sono (Abros).

Saiba mais

O cirurgião-dentista Walter da Silva Júnior narra que, na década de 60, um apresentador norte-americano desafiou-se a ficar sem dormir e sua rotina foi televisionada. A proeza durou aproximadamente sete dias, porém, ele desenvolveu uma série de problemas posteriores. Na época, não havia estudos concisos sobre a privação do sono. Atualmente, ratos que são submetidos a essa supressão morrem dentro de três ou quatro semanas. Ainda não se sabe se o ser humano aguenta tanto tempo assim.

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