Tribuna do Leitor

O grande mestre

Manoel Fernandes
| Tempo de leitura: 2 min

Antônio João Fraga Padilha, um intelectual autodidata, esperantista, me ensinou a ser eu mesmo na minha missão de artista brincante. Foi ele uma das primeiras pessoas ilustres da literatura de Bauru a reconhecer a importância cultural do teatro de bolso do Atucaec. Lá em sua casa, nas tradicionais e brasileiras Noites de Poesia, estive inúmeras vezes com elencos dos meus espetáculos. Em 2007, tive a presença ilustre do grande mestre em minha mostra de teatro em casa para assistir Os Quatro Sorrisos de Maria Feliz, numa homenagem singela à Dona Celina, por quem Antônio João sempre teve uma grande admiração.

O querido Antoninho de Bilili, como era carinhosamente chamado pela família, deixa um legado de mais de trinta mil páginas escritas a lápis de suas bestagens ou aventuras que ao longo de infinitas madrugadas estreladas e enluaradas, vivia intensamente. Era tão modesto, que nunca teve nada publicado, mas deixa um legado de ficção, história e emoção, uma obra milenar que um dia poderá ser até uma saga disputada pelas novas gerações e pessoas bauruenses que também sempre o admiraram. Antoninho sempre teve um diálogo com todas as pessoas, das mais simples as mais cultas e de todas as faixas etárias.

Sempre valorizou Bauru através de seus inúmeros escritores lembrados intensamente em suas Noites de Poesia. Tinha até um caderno de autógrafos inaugurado pelo próprio Monteiro Lobato de quem era fã. "Abra-te caderno", escreveu o grande escritor de Memórias da Emília, o nosso Pequeno Príncipe, era assim que Antoninho falava de tal obra. Entre as suas inúmeras peripécias, ainda escreveu uma carta para a neta de Lobato, depois de ler o livro Juca e Joice, lançado recentemente.

E não é que a própria Joice escreveu uma carta para o grande mestre? Fica aqui a minha gratidão, admiração e saudade de quem sempre valorizou o que é nosso. O grande mestre agora se torna estrela na noite de Lua Branca e vai com certeza continuar iluminando a minha alma de artista brincante e sempre me inspirando também a escrever um novo texto para o Atucaec. Até breve, amigo infinito.

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