Tribuna do Leitor

Na Fundação Casa

Maria Cristina P.M.Cardozo
| Tempo de leitura: 2 min

Na Fundação Casa, o setor pedagógico (agente educacional e professor de educação Física) faz uma entrevista inicial com o adolescente para conhecer o seu histórico, suas experiências e desejos (sonhos).

Nessa entrevista é possível encontrar alguns padrões interessantes. Exemplos: a maioria dos jovens que têm experiência profissional trabalharam em lava-car ou como servente de pedreiro, atendente, repositor, e muitos tem desejo de trabalhar com mecânica (desde bicicleta, até automotiva), como cabeleireiro, cantor e com informática (mesmo sem grande parte deles ter contato com computador, apenas com smartphone).

No esporte, são pouquíssimos que frequentaram projetos na área (até porque em seus bairros não há) e o conhecimento esportivo é limitadíssimo, praticamente resumindo-se ao futebol. Encontramos jovens com 17 anos que nunca foram ao cinema, ao teatro, ao museu, nunca ouviram música erudita.

Enfim, justiça social é facilitar e promover o acesso com qualidade ao lazer e cultura, educação, esporte, ensino profissionalizante para, principalmente, o periférico e àqueles menos abastados.

Fica a dica para a Promotoria da Vara da Infância, candidatos a vereador, Conselho Tutelar, Direitos Humanos, CCJ e Conselho de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados etc.

"...a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte..."

Lucas (nome fictício) é um jovem de 17 anos que trabalha desde os 14 em um lava-car, das 9h às 18h, ganhando menos de 400 reais por mês. Certo dia, ele foi convidado para traficar, com a promessa de "trabalhar" dia sim, dia não, ganhando 600 reais por semana. Lucas aceitou, foi preso e encaminhado pra Fundação Casa.

Resumindo, não que o jovem não devesse ser preso, já que ele cometeu um crime (pois no Brasil ainda insistem em criminalizar as drogas), mas a pessoa que contrata um adolescente para trabalhar sob aquelas condições também merece ser preso. Só porque é jovem e pobre não quer dizer que deva ser explorado. Ou seja, nem todo caso dá pra pôr (apenas) na conta do jovem.

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