Economia & Negócios

Apas quer que governo reverta aumento de ICMS

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Aceituno Jr.
33.ª edição da Apas Show foi anunciada, ontem à noite, durante jantar no Sagae em Bauru
Fotos: Malavolta Jr.
Retomada da tributação desestimula consumo, avalia Pedro Celso, presidente da Apas
Aumento de tributo refletirá no bolso do consumidor e pode ajudar a reduzir ainda mais o consumo, pontua Airton Burgos, diretor regional da Apas
Medida estimulará informalidade e compra de carnes fora do Estado, diz Erlon Ortega, vice-presidente da Apas

Após quase oito anos de isenção, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) foi retomado nos produtos cárneos em todo o Estado. A medida decretada pelo governo do Estado, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), deve gerar reflexo no bolso dos consumidores a partir deste sábado (1). Nos estabelecimentos, as carnes, sejam suínas, de frango ou bovinas, devem ter o preço reajustado entre 6% e 7%, conforme a entidade. O peixe é o único item excluído da lista, que deve impactar até mesmo no preço do ovo.

O assunto vigorou em evento realizado em Bauru, ontem, que trouxe à cidade a comitiva da Apas para o anúncio da 33.ª edição da maior feira e congresso do setor. Por aqui, o presidente da Apas, Pedro Celso, e a diretoria da entidade anunciaram a Apas Show, que será realizada na Capital entre os dias 2 e 5 de maio. Ao falar sobre as projeções econômicas, eles criticaram a retomada da tributação e disseram que a Apas solicitou ao governo a revisão da medida.

"No momento de desemprego em alta e de renda em baixa, o aumento dos impostos vem na contramão. Diminui o consumo e gera menos arrecadação. A Apas é totalmente contrária a este aumento", comenta Pedro Celso. Com a medida, o comércio varejista no segmento terá que recolher 11% do imposto.

INFORMALIDADE

Além do momento de crise econômica, o aumento piora a situação tanto ao consumidor quanto à cadeia produtiva do setor, que já enfrenta redução no consumo de carnes por conta da polêmica gerada com a Operação Carne Fraca.

"Além disso, ainda teremos pela frente a Quaresma. Os supermercados abastecem 85% da população, nossa opinião deveria ser considerada", pontua Erlon Ortega, vice-presidente da Apas.

Ele acredita que a iniciativa da retomada da cobrança pode também incentivar a informalidade do ramo na aquisição desses produtos, além de estimular a compra de carnes fora do Estado.

"É algo muito sério e que vai impactar diretamente o consumidor. Queremos que o governo reconsidere", acrescenta Airton Burgos, diretor da Apas Regional Bauru.

OUTRO LADO

Sobre a retomada do tributo, a Secretaria de Estado da Fazenda diz que a crise econômica motivou revisão dos benefícios. E que o objetivo é recompor as perdas tributárias dos últimos anos.

"Com a medida, o segmento voltará a pagar alíquota nominal de 11% do imposto, mas que na prática, com a redução na base de cálculo da mercadoria comprada, crédito de 7%, resulta em uma alíquota de 4% para os açougues e supermercados", diz o órgão.

A pasta alega que a margem da tributação está entre as menores praticadas no País. "O consumidor final não deve arcar com o impacto desta medida. É importante que ele fique atento para que não tenham exageros no preço da carne. O comércio teve longo período de benefício neste setor e a carga tributária tende a ser absorvida pelos varejistas, dentro de sua margem bruta". Com a medida, o governo estadual estima um incremento na arrecadação de R$ 1,2 bilhão ao ano.

Bauru: setor fatura R$ 2,4 bilhões

Em 2016, a região de Bauru foi responsável por 2,3% do faturamento do setor supermercadista no Estado, o que equivale a aproximadamente R$ 2,4 bilhões. Os números são da diretoria regional da Apas Bauru. Por aqui, o setor emprega, aproximadamente, 12 mil colaboradores e se desponta como uma das principais atividades do comércio e do PIB da região. Só na cidade de Bauru os supermercados faturaram no ano passado R$ 1 bilhão, o que equivale a 40% da região e 0,90% de todo o Estado.

Apas Show: supermercados focam empoderamento dos consumidores

Com perfil mais comunicativo, crítico e apoderado de ferramentas tecnológicas, os consumidores são o assunto da vez entre os supermercadistas. A Apas Show, reconhecidamente a maior feira supermercadista no mundo, traz em sua 33.ª feira o tema “Empoderamento. Todos podem”.

O evento, que foi anunciado, nessa sexta-feira (31) à noite, durante jantar no Sagae em Bauru, acontece entre os dia 2 e 5 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. A temática foi escolhida justamente por causa do novo perfil do consumidor, hoje, com mais liberdade para decidir e controlar o próprio estilo de vida nas relações de consumo.

“Todos os componentes da cadeia de abastecimento, como indústria e supermercados, devem conhecer e entender os diversos perfis de parceiros e consumidores, que, com muito mais informações disponíveis e os adventos tecnológicos, tornam-se mais exigentes e são formadores de opinião”, explica Erlon Ortega, vice-presidente da Apas e Diretor da Apas Show. Uma das personalidades mais respeitadas no ramo do empreendedorismo do País já está confirmada na feira: Abilio Diniz, empresário do ramo de varejo.

OUTROS NOMES

Outros grandes nomes estarão presentes desde o primeiro dia do congresso, 3 de maio. O painel “A interconectividade e o varejo no século XXI” trará nomes como Fabio Coelho, CEO do Google Brasil; Luiz Sergio Pires, diretor do Laboratório de Tecnologias Avançadas da Microsoft no Brasil; Fiamma Zarife, diretora-geral do Twitter no Brasil, e Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a America Latina.

A feira e congresso Apas Show mudaram de nome neste ano por causa da sua amplitude nacional e internacional. Em 2017, o evento movimentará até R$ 6 bilhões em negócios. Mais de 70 mil pessoas são esperadas no congresso, que apresentará as novas tendências do varejo e do mercado consumidor.

SOLIDÁRIO

Realizado nessa sexta-feira (31), o jantar de lançamento terá 3% da renda obtida com cotas de patrocínio revertida para a Associação de Apoio às Pessoas com Aids de Bauru (Sapab). A entidade que, atualmente, atende cinco internos, não consegue dar assistência a mais pacientes, justamente, por não ter condições financeiras.

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