Deixarei neste texto minha visão política sobre o que ocorreu nesta triste passagem histórica de nosso País. Espero deixar algo diferente para as futuras geraçoes, principalmente aos meus netos e bisnetos que terei e também aos jovens de hoje. Em primeiro lugar, a data do golpe foi em 1 de abril de 1964, mas como não pegaria muito bem, por ser o dia da mentira, mudaram para o dia 31 de março do mesmo ano. Nesta época de incerteza que se passava no Brasil e no mundo, com ameaças da Guerra Fria, o Brasil estava dividido, de um lado o capitalismo desumano dos EUA, do outro a propaganda mentirosa da URSS, que o mundo poderia ser mais justo e social. Na esfera política interna do País, estávamos passando por um período negro, temeroso, pois Janio tinha renunciado e João Goulart assumido sem apoio político da Câmara e do Senado. Diante desse cenário político e social de verdadeiro caos econômico, a classe trabalhadora começava a se organizar para reivindicar melhores condições de trabalho e salários. Em Bauru, por exemplo, foi criada a associação dos funcionários ferroviarios da Noroeste do Brasil, sendo que meu pai, Eneas Ildefonso Martins, junto com outros funcionários, fundou essa associação.
Em primeiro plano, a maioria dos seus membros tinha como ideologia a marxista, como meu pai, mas outros nem tanto, vinham de uma classe média menos sofrida.Com o golpe militar de 64, as causas operárias entram em atrito com o novo regime, sendo que nos primeiros meses ou até o primeiro ano da ditadura a sociedade brasileira, de um modo geral, apoiou esse terrível golpe, como a Ighreja Católica, a Maçonaria, os banqueiros, os grandes latifundiários, os industriais, as multinacikonais e, principalmente, a classe média. basta rever as passeatas de apoio ao golpe da época, com o lema Deus, Pátria e Família. No início, os jovens não estavam nem aí, pricipalmente os burguezinhos da society, viviam curtindo a vida neste lindo céu azul fumando seus baseadinhos e ouvindo a Jovem Guarda.Mas a classe média e a classe intelectual do país não esperavam que, com linha dura, o regime os atingissem, principalmente com a criação do AI 5.
Bastou os militares sumirem e assassinarem o filho da socialite carioca Zuzu Angel para verem em que mãos nosso futuro Brasil fora entregue. E enquanto a polícia só batia em trabalhadores, professores e comunistas, a sociedade não tava nem aí, precisou atingir em cheio a classe média para eles enxergarem a merda que foi feita. Começaram as censuras na literatura, nas músicas, no ensino, enfim, em tudo que desagradasse o regime ditatorial.
Mas, apesar de vocês, o Brasil reagiu, primeiro com a anistia, depois com as Diretas já, sendo que um dia perguntei para o meu pai, já anistiado, se ele tinha ódio dos militares e seus apoiadores, e sabem o que ele me respondeu? "É melhor ter um inimigo declarado de direita do que inúmeros amigos falsos de esquerda".Sendo que meu pai era sábio, sabem quem são esses inimigos falsos a que meu pai se referia? FHC, Lula, Brizola, Roberto Freire, Genoino, Covas, Ulisses, Tancredo, José Dirceu...
Vou para por aqui, senão a lista tomará umas 10 edições deste jornal. Acorda, Brasil, pois os milicos vem aí.