Em 17/03/64, houve na Praça da Sé, em SP, uma manifestação com um milhão de pessoas que bradavam em uníssono "1-2-3, Brizola no xadrez" e "verde e amarelo, sem foice e martelo", num claro repúdio ao governo com viés comunista de João Goulart. O movimento de 31/03/64 foi legitimado pelo manifesto popular, mas executado pelas mãos dos militares, cujo objetivo era o de acabar com a Revolução Comunista que infestava o poder central e levaria o país ao caos. Foi, pois, um contragolpe.
Àquela época, os paulistas já se insurgiam contra Jango invocando o espírito de 1932, inclusive ameaçando armar-se contra o Governo Federal. O que incomodava aos brasileiros - e ainda incomoda - é que Jango fazia o jogo da famigerada "política do proletariado" e urgia interromper aquele ciclo doentio, que hoje vem representado pelo MST e MTST: um movimento armado, agressivo e expropriatório, intimista e alarmante, que ganhou vulto (e muito, muito dinheiro público) nos governos petistas que compactuavam com as invasões aos "latifúndios" e afirmavam que o MST "é um movimento legítimo". Legítimo para quem e para que fins? Difícil é crer que alguém, agindo na marginalidade e violência, possa ser legitimado.
O recrudescimento do regime militar deu-se na mesma medida e proporção da violência em que os grupos subversivos lançavam mão de atentados terroristas, crimes e assassinatos. Por parte destes mesmos grupos, nunca houve um pedido de desculpas para a nação brasileira, falta de eixo moral que os acompanhou até os dias atuais, quando nenhum dos integrantes dos partidos de esquerda sequer se sente responsável pela desordem social, empregatícia, econômica e, principalmente, ética, jogando nosso país num dos piores períodos da história republicana.
Evidente que nenhum regime - quiçá o militar - é melhor que uma democracia pura, mas caminhávamos para a instalação de uma ditadura do proletariado, reféns de uma súcia comunista empolgada pelo sucesso da detestável revolução cubana e mantida com dinheiro lavado em sangue da ditadura soviética. E, mesmo nos dias de hoje, com todo o atraso e desastres comprovados na ilha cubana, Fidel ainda é idolatrado por essa gente. Um baldio mental inexplicável.
A sociedade não perdeu a democracia com os militares; pelo contrário, ganhou o direito de tê-la até os dias atuais. Tal como uma quimioterapia que quase mata o paciente, acabou por ser o único - e amargo remédio - para conter aquele câncer em metástase. Infelizmente, com os renitentes discursos e mentiras da esquerda (e nisso eles são insuperáveis, reconheço), a partir de 1979 a história passou a ser reescrita, agasalhando mais uma horda de abobalhados que repetem as fantasias delirantes. Nossa boa sorte é que, os fatos, estes jamais serão apagados.