Tribuna do Leitor

6 de abril - Dona Celina

Prof. Carlos Alberto Alves Neves
| Tempo de leitura: 2 min

Neste 6 de abril minha mãe Celina completaria 97 anos de idade. Quando partiu deste para outro horizonte, completou 80 anos. Como o tempo passa rápido, e como temos guardada para sempre em nossas memórias a presença de nossa mãe Celina. Foi uma batalhadora, mulher de fibra e de coragem ímpar, que enfrentava a vida com todas as forças que Deus lhe dava.

Ficou viúva muito jovem com 3 filhos, Paulo Roberto, Carlos Alberto e Celina Elizabeth, e fez de sua vida um palco onde a ousadia, a inteligência, e a vontade de viver e de conhecer sobrepujavam todas as dificuldades que poderiam surgir pela sua frente.

Na década de 50, meu pai Eurico Camargo Neves, alfaiate de primeira linha, tinha um sonho junto com minha mãe de montar um atelier de alta costura, pois dizem as pessoas que o conheceram que era um alfaiate de mão cheia. Mas o Pai Todo Poderoso havia reservado uma outra direção. Falecido com 33 anos, d. Celina viu que precisaria arregaçar as mangas e lutar como uma leoa para sobrevivência sua e de seus 3 filhos agora órfãos.

Idealizadora, como era, montou uma escola de datilografia, a qual deu o nome de Escola Progresso... E daí para a frente, realmente, foi um progresso... Como era formada estenógrafa, começou a dar aula de Estenografia, criando também o Curso de Caligrafia, de Madureza, reforço de português e matemática, Esperanto, Curso de língua alemã. E já num passo maior criou dois cursos que se transformariam num celeiro de excelentes profissionais: Secretariado Executivo Bilíngue e Secretariado Junior.

Escreveu um livro, "Retalhos da Vida", lançado pela Edusc, foi cronista do Correio da Noroeste, Folha do Povo e, por último, do Jornal da Cidade, com uma coluna semanal chamada "Bom Dia Bauru".

Criou o Grupo Folclórico Luso Brasileiro, ao lado do sr. João de Abreu, na Associação Luso Brasileira. Fundou a FEBATA - Federação Bauruense do Teatro Amador, o grupo teatral Gil Vicente e, por último, já com a saúde debilitada, fez questão de criar a Academia Bauruense de Letras, tornando-se a sua primeira presidente.

Tinha muitos sonhos a serem realizados, mas o Criador achou por bem levá-la para outra esfera. Enfim, minha mãe partiu, mas deixou um rastro de força, energia e uma vida inteira de realizações que jamais esqueceremos.

Parabéns, minha mãe!

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