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'Caso Mayer deve ser exemplo'

Marcele Tonelli e Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
"Qual a mulher que nunca sofreu assédio em seu local de trabalho?", questiona Marizabel Ghirardello
Ator errou mais ainda ao classificar crime como uma "brincadeira", pontua Thamires Motta

"Palmas para Su Tonani, que mostrou muita coragem ao denunciar José Mayer. Que ela sirva de exemplo para todas nós". A frase é da atual presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Marizabel Moreno Ghirardello, e reflete uma onda de indignação e de mobilizações que pautou as rodas de conversas nos últimos dias.

O ator global foi acusado de assédio à figurinista Susllem Meneguzzi Tonani, na última sexta-feira, após atos machistas e que também teriam culminado em toque na genitália da vítima. A emissora confirmou o afastamento dele. Após negar o caso, em nota, José Mayer assumiu que errou e alegou ter sido ensinado a tratar atitudes machistas como "brincadeiras".

A repercussão do caso, principalmente por se tratar de ator que é presença constante em novelas de grande audiência, gerou mobilização de centenas de mulheres por meio da campanha "Mexeu com uma, Mexeu com Todas".

Atuantes da militância na causa feminista em Bauru, Marizabel e a jornalista Thamires Motta, de 22 anos, ressaltam a importância de aproveitar o momento para gerar reflexão e conscientização sobre o tema e da importância em denunciar.

"Qual mulher em algum momento de sua carreira profissional já não foi assediada por alguém? Um chefe ou colega de trabalho? O que acontece é que, na maioria das vezes, ficamos caladas, como se fóssemos culpadas", observa Marizabel.

'SEM CLASSE SOCIAL'

Thamires Motta destaca que o caso serve de alerta para mostrar que o machismo está por toda parte. "É mais uma das provas de que o machismo existe em todos os locais e camadas sociais. E é sempre uma dificuldade imensa para a vítima não somente fazer a denúncia, mas também ganhar crédito por aquilo que ela está denunciando".

Dentro de tal contexto, ela acredita que há ainda mais dificuldade pelo fato de o acusado ser alguém famoso. "As mulheres já são desestimuladas a fazer suas denúncias e, quando o caso se trata de alguém famoso, elas também são julgadas e desacreditadas em maior proporção", destaca.

Para a jornalista e militante, a fama do acusado, contudo, acaba gerando efeito positivo, já que ganha mais repercussão e pode estimular mais mulheres, de diferentes camadas sociais, a denunciarem.

BRINCADEIRA?

Mesmo tendo assumido o que fez, José Mayer, na visão de Motta, errou ainda mais ao classificar o assédio como uma "brincadeira".

"É um crime. E não é um problema geracional, visto que a sociedade sempre teve esse tipo de problema. Então, acredito que foi mal pensado já que ele não assume o erro por um crime e trata a situação como se fosse um mero mal entendido", conclui.

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