Internacional

EUA rejeitam culpa de rebeldes

Por Maria Tsvetkova e Tom Perry | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Ammar Abdullah/Reuters
Homens recebem tratamento nessa quarta (5), após o ataque quí­mico na Síria: há milhares de feridos

Autoridades norte-americanas rejeitaram nessa quarta-feira (5), a alegação da Rússia de que os rebeldes sírios são culpados por um ataque com gás sarin, e não o presidente da Síria, Bashar al-Assad, e indicaram uma possível ação unilateral em resposta ao que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou de uma "afronta à humanidade". 

Segundo a Rússia, Assad não é culpado pelo ataque com gás venenoso em seu país, enquanto países ocidentais, entre eles os EUA, culparam as Forças Armadas de Assad pelo pior ataque químico na Síria em mais de quatro anos.

Washington disse acreditar que as mortes foram causadas por gás nervoso sarin lançado por aeronaves sírias, mas Moscou ofereceu uma explicação alternativa que blindaria Assad: o gás venenoso pertencia aos rebeldes e vazou de um depósito de armas atingido por bombas do governo.

Hasan Haj Ali, comandante do grupo rebelde Exército Livre de Idlib, classificou o comunicado de Moscou responsabilizando os insurgentes de "mentira" e disse que os rebeldes não têm capacidade de produzir gás nervoso.

Os EUA, o Reino Unido e a França apresentaram um esboço de resolução ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que atribui a culpa a Damasco. Mas o Ministério das Relações Exteriores russo chamou a resolução de "inaceitável".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia irá levar o caso à ONU. Vídeos publicados nas redes sociais mostraram civis estendidos no chão, alguns em convulsões, outros sem vida. Socorristas limpam os corpos inanimados de crianças pequenas com mangueiras tentando remover os produtos químicos. Pessoas gemem e batem nos peitos das vítimas. Até essa quarta (5) estavam oficializados os nomes de 72 mortos.

PAPA

O papa Francisco disse estar horrorizado com o ataque que chamou de "massacre inaceitável" de civis inocentes.  Expressando sua "firme desaprovação do inaceitável massacre que aconteceu ontem," o líder dos católicos do mundo disse estar rezando pelas "vítimas indefesas, incluindo muitas crianças". O papa apelou para "a consciência daqueles que detêm poder político, tanto em nível local como internacional, para que essa tragédias acabem.

GÁS

Também nessa quarta (5) a OMS (Organização Mundial da Saúde), afirmou que algumas vítimas do ataque químico na Síria apresentam sintomas que recordam a exposição a uma categoria de produtos químicos, organofosforados (grupo de químicos usados como pesticidas artificiais), como "agentes neurotóxicos".

A ONG Médicos Sem Fronteiras afirmou que um dos seus hospitais na Síria tratou pacientes "com sintomas consistentes com a exposição a agentes neurotóxicos como o sarin".

Crítica à ONU

A representante dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU criticou a atuação das Nações Unidas em relação ao ataque e afirmou que os EUA podem ignorar eventuais vetos do conselho para uma resposta militar no país.

"Quando as Nações Unidas fracassam seguidamente em sua tarefa de atuar de forma coletiva, há momentos na vida dos Estados em que nos vemos impulsionados a atuar por conta própria", declarou Nikki Hale, a embaixadora americana na ONU.

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