Após um ano de investigações, iniciadas com denúncias de atletas e empresários do ramo esportivo, a Polícia Federal deflagrou nessa quinta-feira (6) a Operação Águas Claras e prendeu três dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), entre eles o presidente afastado Coaracy Nunes. A operação, que apura um esquema de desvio de recursos públicos repassados à entidade, produziu impacto: os Correios, principal patrocinador da entidade, vão rescindir o contrato com a CBDA.
"Os Correios já iniciaram o processo de rescisão do contrato de patrocínio com a CBDA", afirmou a estatal. A decisão foi tomada embora os desvios que estão sendo investigados não tenham relação direta com o contrato. "Tomamos conhecimento, pela imprensa, da ação da Polícia Federal. Não temos detalhes do caso, mas, pelas informações a que tivemos, o assunto em questão não guarda relação com os recursos dos nossos contratos, mas sim com verbas oriundas de convênios com o Ministério do Esporte".
A estatal é a mais antiga e principal patrocinadora da CBDA. Em janeiro já havia anunciado um corte drástico no acordo. A empresa, que repassara R$ 18 milhões por ano no triênio 2014-2016, havia baixado os valores para R$ 5,7 milhões/ano. Agora, o acordo válido até 2018 será rompido.
Além de Coaracy, foram presos o diretor financeiro da CBDA, Sérgio Alvarenga, e o coordenador técnico de polo aquático, Ricardo Cabral. O superintendente Ricardo de Moura, alvo de outro mandado de prisão, estava foragido até o fechamento desta edição. Foram executados 5 mandados de condução coercitiva e outros 16 de busca e apreensão no Rio e em São Paulo.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam indícios de um esquema de desvios de recursos públicos captados por meio de convênios e leis de incentivo.
COB
Em meio à turbulência nos esportes aquáticos, o interventor Gustavo Licks - designado pela Justiça para comandar a entidade até as eleições presidenciais - tenta manter a normalidade para minimizar o impacto sobre os atletas.
"A CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA - natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas - que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas", explicou a entidade, que ainda confirmou, em nota, a participação no Campeonato Sul-Americano Juvenil/Júnior, na Colômbia.
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) também pretende colaborar para que os esportistas não sejam afetados pelos últimos acontecimentos. "Para assegurar que a preparação dos atletas dos desportos aquáticos não seja interrompida, o Comitê trabalha com o administrador judicial da CBDA, Gustavo Licks, para dar continuidade aos projetos esportivos a serem financiados pela Lei", afirmou.
O COB ainda garantiu a continuidade de repasses para os esportes aquáticos.