| Malavolta Jr. |
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| Para Irineu Nje'a, da Araci Cultura Indígena, não é o uso das tecnologias que descaracteriza o índio |
Mais que celebrar uma cultura, o dia do índio, no dia 19 de abril, deve provocar reflexões, levar informação e desmitificar os estereótipos: essa é a proposta da Araci Cultura Indígena, entidade bauruense que visa promover os povos por meio da cultura e da educação.
Este ano, a programação conta com atividades festivas na aldeia Kopenoti, reserva de Araribá, em Avaí, em 19 de abril; nos dias 17, 18 e 20, as ações serão realizadas na Estação Cultural de Bauru, antiga ferroviária. Acompanhe os detalhes no quadro.
Durante toda a semana, os participantes refletem sobre o tema "Menos preconceito, mais cultura indígena". "A criança chega na aldeia e quer ver o índio do livro didático, pelado e vivendo em oca. Quando vê casas de alvenaria, televisão, celular e luz elétrica, fica frustrada", comenta Ireneu Nje'a, presidente da Araci. "Nesse contexto, muitos adultos dizem que não é mais índio, que perdeu a identidade. O que tenta descaracterizar o indígena é o preconceito, não o uso de tecnologias".
Para ilustrar essa realidade, está sendo montada na plataforma da estação uma oca "tecnológica" com várias surpresas, misturando recursos da modernidade e os ensinamentos dos ancestrais de Irineu.
"Não é porque uso o celular que deixo de ser terena. Está dentro do meu ser, ninguém pode tirar isso de mim. O mundo mudou, por que o indígena não tem o direito de acompanhar essas melhorias?", questiona. "Tanto quem usa as tecnologias como quem optou por viver sem elas merece respeito".
ONTEM E HOJE
Além de levantar essa temática, as ações da Semana Cultural visam apresentar a história e a atualidade dos povos indígenas, em especial os que vivem na região. "É uma ironia a Araci ser sediada no antigo prédio da estação e fazermos uma oca ao lado dos trilhos. Muitos trabalhadores e indígenas morreram durante a construção da estrada de ferro", relembra o presidente da entidade.
Na sede, há uma biblioteca indígena que tem sido procurada até por pesquisadores de outros Estados, mas os objetivos da Araci vão muito além de resgatar ao passado. "Agora o indígena é protagonista da própria história, pode contar o que os povos enfrentaram sob o seu ponto de vista e, principalmente, pode registrar e difundir sua realidade hoje. As tecnologias são indispensáveis para isso", reforça Irineu.
Toda a programação é gratuita e aberta a todos. Grupos de escolas de Bauru e região estão agendando suas visitas e toda a comunidade é bem-vinda.
SERVIÇO
Semana Cultural Indígena: de 17 a 20/04. Informações e agendamentos de visitas pelo e-mail araciculturaindigena@gmail.com e telefone/whatsapp (14) 98800-2577, com Irineu Nje'a. Realização: Araci Cultura Indígena. Apoio: Secretaria Municipal de Cultura.
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