Na história do mundo, certamente boa parte da riqueza foi obtida de forma pouco nobre como, por exemplo, através do roubo e da corrupção. Entretanto, pretendo aqui destacar um aspecto mais virtuoso da questão, como aquele que se obtém a riqueza por mérito pessoal, onde as ações tem por base o respeito às leis e utilizadas qualidades humanas como a "habilidade e determinação". É bom destacar também que no quesito "habilidade" temos a "habilidade manual" bem como a "habilidade mental ou inteligência".
Para focar apenas no enriquecimento devido às virtudes pessoais, vou ignorar a questão da herança onde a pessoa já nasce rica, o que a colocaria em melhores condições de se qualificar e competir. Assim, como ponto de partida, admitirei a situação idealizada em que se tenha plena liberdade de criar e empreender, e que todas as pessoas estejam na mesma condição social. Logo, no início, o diferencial entre elas poderá ser apenas nas qualidades pessoais. Nestas condições, conforme as ambições e os estímulos que a vida oferece, são despertadas nas pessoas as qualidades "habilidade e determinação". Dependendo de suas intensidades, bem como de suas combinações nas várias atividades que se apresentam (esportes, medicina, artes, computação, pescaria...), uns conseguem se destacar mais e outros menos, numa certa pontuação que chamarei de "escala de mérito". Por exemplo: para uma certa atividade, a combinação "muito habilidosa e muito determinada" corresponderia ao topo da escala, enquanto que a combinação "pouco habilidosa e pouco determinada" a base da escala. As demais combinações estariam entre estes dois extremos.
Certamente o sucesso social ou econômico não é o objetivo essencial de todas as pessoas. Creio que muitas ficam satisfeitas fazendo o que a vida lhe oferece, tendo um ganho razoável para viver tranquila e com simplicidade. Mas, também existem pessoas que desejam o sucesso social - umas mais e outras menos - e procuram persegui-lo para tentar criar maiores alternativas de vida. Tem também aqueles que curtem a vida adoidado, não se preparando adequadamente para o futuro, e que depois acabam reivindicando com a bandeira de "justiça social" as mesmas regalias daqueles que conquistaram algo a mais com muito esforço e inteligência.
Para as pessoas que escolhem uma atividade valorizada no mercado e estão na parte mais alta da "escala de mérito", obtido o sucesso social, ao longo do tempo começa ocorrer um acúmulo de capital e, a partir de certo momento, deixaria de existir a premissa inicial de que todos tem a mesma condição social. Com isto, a competição da vida tornar-se-ia cada vez mais desequilibrada, a favor daqueles que acumularam maiores recursos econômicos. O motivo é óbvio: além das qualidades pessoais, com mais recursos disponíveis passariam a ter ainda mais melhores condições de se qualificar e de obter também os melhores empregos. Apesar das diferenças sociais que começariam aparecer, não dá para criticar os que conseguem maior sucesso social, pois o conquistaram com mérito pessoal baseado em qualidades tipicamente humanas e dentro das regras do jogo. Ou, de outra forma: não podemos condenar os que avançam mais, só porque existem aqueles que avançam menos.
Este avanço social pode continuar se ampliando sem que se fuja dos princípios iniciais estabelecidos, caso o capital acumulado seja reaplicado na sociedade em empreendimentos criativos e atraentes, podendo chegar até nas grandes fortunas. A eficácia disto estaria novamente associada as qualidades "habilidade e determinação" dos que investem, uma vez que depende da vontade e percepção em saber o que a sociedade deseja como, por exemplo: se divertir num "evento de qualidade" como um show musical dos Rolling Stones ou adquirir um "produto de utilidade" como um celular diferenciado.
O ganho do investidor seria gerado deste algo novo e atrativo "criado do nada" e lançado com sucesso à sociedade, e não porque ele explora ou subtrai de alguém. Como se verifica, neste sistema conhecido também como "capitalismo", o verdadeiro e grande patrão é o conjunto da população, pois, se for lançado no mercado um "evento ou produto" não atraente, ele simplesmente seria ignorado com prejuízo certo ao investidor.