| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Padre Marcos Pavan, pároco da Catedral do Divino Espírito Santo, descobre ao poucos o Cristo crucificado |
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| Dom Caetano Ferrari e padre Marcos Pavan, durante celebração |
No lugar dos sorrisos, conversas e cumprimentos de costume, os fiéis chegam e se acomodam sem ruídos, mais discretos e contidos para a celebração da Paixão de Jesus, na Sexta-feira Santa. Certamente não é um comportamento exclusivo de quem foi à Catedral do Divino Espírito Santo para a cerimônia nessa sexta-feira (14), às 15h. Alguns deles partilharam com a reportagem como vivenciam o silêncio característico da data em tempos de tanto barulho, preocupações e conexão constante.
Para muitos católicos, o dia da Paixão é de jejum, abstinência e silêncio pela morte de Jesus; dia de lembrar o seu sacrifício, reverenciar a cruz e rezar pelo mundo todo: Igreja, papa, fiéis, cristãos, judeus, os que não creem no Cristo e em Deus, pelos poderes públicos e os que passam por provações.
Embora as pessoas comunguem, não se trata de missa: a liturgia é uma continuação da cerimônia de instituição da eucaristia, que lembra a última ceia e o gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos, realizada na quinta-feira. A Sexta-feira da Paixão integra o tríduo pascal, finalizado neste Sábado de Aleluia, com a cerimônia do fogo novo.
Hoje as paróquias já comemoram a ressurreição de Jesus e acendem o Círio Pascal, símbolo de que a luz de Cristo continua nos atos de amor de seus seguidores, de acordo com a fé católica.
SIGNIFICADO DO SILÊNCIO
A cerimônia que lembra o sacrifício de Jesus pela humanidade começa sem música, com a igreja despojada de enfeites e imagens cobertas. O clima é de luto.
"O silêncio tem relação com o momento em que celebramos a morte de Jesus Cristo, por respeito à entrega da sua vida após todo o sofrimento que acompanhamos na Sagrada Escritura. É um dia de introspecção para que a gente possa refletir: como podemos nos doar e retribuir o amor de Deus?", explica o padre Edson Roberto Codato, da Paróquia São Brás, de Bauru.
Para o sacerdote, é importante fazer um esforço, ao menos nesse período, para silenciar o coração e pensar profundamente em algumas temáticas existenciais e sociais.
"Antigamente a gente conseguia desligar todos os meios de comunicação. Hoje nossa sociedade não tem os mesmos hábitos, mas a Igreja insiste no silêncio porque ele nos ajuda a refletir sobre a vida, a morte, o sofrimento e nossa contribuição com o mundo", conclui.

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