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| "Apesar de ser insano, era o que queria pra minha vida", resume João Quialheiro |
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| Patrícia Barros, uma das betecistas que vão encarar desafio extremo em Santa Catarina |
Uma competição de extremo desgaste físico e mental, que coloca o ser humano frente a frente com seus limites, promovendo uma superação a cada braçada, a cada pedalada, a cada passo e em cada curva. É este cenário que seis triatletas de Bauru se preparam para enfrentar na principal competição da modalidade no calendário nacional, o Ironman Florianópolis-2017, que ocorre no dia 28 de maio.
Serão cerca de dois mil atletas, muitos entre os melhores do circuito nas categorias Elite e Faixa Etária de amadores, que enfrentarão o desafio de 3,8 km de natação, 180,2 km de ciclismo e 42,2 km de corrida, com tempo médio de prova de 10 a 12 horas, sem parar um segundo sequer.
O BTC Triathlon Team, equipe comandada pelo coach Cali Amaral, no Bauru Tênis Clube, será representado pelos seus "homens e mulheres de ferro", que treinam seis horas por dia, sete dias por semana.
Estarão nessa guerra contra o tempo e o percurso Karina Freitas, 40 anos, dentista; Daniel Pegoraro, 44 anos, promotor de Justiça; João Quialheiro, 45 anos, médico cardiologista; João Braz, 29 anos, empresário; Patrícia Barros, 45 anos, empresária, e Renato Lucas, 35 anos, médico anestesista.
COMPETIDORES
A maioria vai disputar o seu primeiro full Ironman, mas para Daniel Pegoraro, este será o seu quarto desafio. O primeiro foi em 1994. "Sempre terminei as provas, evoluindo de uma para a outra, mas ainda estou em busca do meu Ironman ideal. Quero fazer uma prova mais encaixada, com melhor transição de uma etapa para outra e com tempo melhor", disse Pegoraro.
O triatleta revelou ainda que a parte mais importante é a da bicicleta, onde o competidor consegue dosar sua estratégia. "Se você se desgastou muito no mar, você usa a bike como fator de equilíbrio para recuperar energia, nas áreas de decida. Se o atleta não tem tanta eficiência na corrida, ele usa as duas rodas para acelerar e ganhar posições", explica.
Da obesidade aos títulos no triatlo, Karina Freitas está no esporte há pouco mais de um ano e mostrou muita evolução na modalidade. Ela busca fazer a prova em até 6 horas e superar as dificuldades que o Ironman impõe, principalmente na reta final. "Nos últimos quilômetros o raciocínio não é mais o mesmo porque começa a faltar oxigênio. Você não lembra mais o que fez de manhã, o que comeu, a única coisa que vem na mente é sempre o objetivo da próxima curva", comenta.
Para João Quialheiro, o triatlo surgiu em 2012. "Lembro-me que corria provas de 5 ou 10 quilômetros e um amigo me disse que estava indo participar de Ironman. Quando soube o que era, pensei: 'isso sim é fazer algo grandioso dentro do esporte'", revela o médico, que treina até mesmo em seus horários de almoço e finais de semana.
Para João Lucas Braz, da cidade de Birigui, mas que compete pelo BTC, o triatlo surgiu na sua vida ao ver uma reportagem do Ironman na TV. Começou a fazer provas mais curtas (distância short e olímpica) e fez dois meios Ironman. "Agora chegou a minha hora, de superar todas as minhas expectativas em Florianópolis", projeta.
Braz revelou ainda que acorda sempre às 5h. "Treino, tomo café, vou trabalhar. No horário de almoço treino novamente, vou trabalhar outra vez e a noite faço mais um ou dois treinos", ressalta.
A prova
| Bruno Freitas/BTC |
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| O técnico Cali Amaral orienta Daniel Pegoraro, que vai para o quarto Ironman, e Karina Freitas |
Os competidores largam na praia Jurerê Internacional e correm em direção ao mar, onde nadam 3 quilômetros e 800 metros. Na sequência, saindo do mar, pegam as bicicletas e percorrem duas voltas em torno da ilha de Floripa, num total de 180 quilômetros.
A etapa seguinte é a maratona de 42 quilômetros e 200 metros até a linha de chegada.
Estratégia do time
Para o renomado coach Cali Amaral, ex-técnico da seleção brasileira de triatlo, com participações em Jogos Olímpicos e Pan-Americanos, a preparação é longa, muito produtiva e, faltando pouco mais de um mês para a largada, ainda tem muito o que treinar e focar para o dia do Ironman.
"Triatlo não é só nadar, pedalar e correr. Triatlo é o conjunto das três modalidades. Tem que estar com as três vertentes esportivas e suas transições bem afiadas. Quero que nossos competidores reproduzam, no dia do Ironman, aquilo que eles treinam, com intensidade, mas com alegria. A prova, acima de tudo, precisa ser realizada com prazer e muito foco na linha de chegada", disse o treinador do BTC Triathlon Team. Cali diz ainda que a hidratação é um fator importante, que o atleta tem que beber água com inteligência. Nem muito, nem pouco.


