Articulistas

O ano das bombas

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Pensando bem... 2017 talvez termine (se é que existirá 2017 para terminar) assim mesmo: como o ano das bombas. Aquelas que caem e causam estrago, as temíveis e pesadas. E aquelas bombas políticas soltas no ar para arejá-lo, não sem antes causar suas hecatombes.

Aliás, ao digitar agora há pouco "terminar", os dedos se atrapalharam e saiu "treminar". Talvez seja um neologismo mais adequado já que "la cosa" está uma "tremeção" só. Políticos tremendo de medo dos mísseis a (lava) jato; e, lá fora, nações bélicas tremendo de vontade de "arrebentar preventivamente" com tudo aquilo que as fazem tremer de medo.

Fora as bombas comportamentais. O que esse desafio macabro da "Baleia Azul" pela Internet? Vocês viram? De folga, em casa, fiquei chocado com a manchete de ontem do JC sobre o tal jogo suicida. Jogo com a vida. Bomba.

O recorte do tempo é uma invenção nossa. Pensando bem é tudo o mesmo rebolo: um ano, outro ano... Mas, se 2016 foi o ano das perdas (levando-se em conta tantas personalidades que deram adeus no período), esse 2017 está mesmo candidato a ser o ano bombástico.

Quem pode prever os desdobramentos do que já começou? Voltando às bombas políticas: quem está menos ou mais envolvido? Vão fazer piada sobre as listas quando estiveram de uniforme com listras? Ainda usam listras na prisão?

Seja qual for o figurino, convém lembrar um ditado mineiro: "Quem com porcos se mistura, farelo come". Vai sobrar geral (com uma ou outra estratégica exceção, afinal, a República não pode ser bombardeada, ora bolas).

Carregamos todos nós, brasileiros, um gene da corrupção? Uma tendência ao errado? Um pezinho na vida bandida? Somos como aqueles que se insultam com alguma indireta sobre fraqueza moral, mas se orgulham ao descobrir que os antepassados eram piratas? No fundo, no fundo, será que apoiamos Trump? As doideiras de 2017 talvez não tragam respostas profundas, mas as perguntas, por si só, já caem como bombas na nossa consciência. Salve-se quem merecer.

O autor é editor executivo do JC

Comentários

Comentários