| Samantha Ciuffa |
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| Muitos bauruenses ainda têm o hábito de guardar moedas |
| Samantha Ciuffa |
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| Tania de Lima usa moedas para presentear netos |
Quem nunca depositou moedas no famoso porquinho? Em Bauru, muitos ainda conservam o hábito de guardá-las em casa. Os motivos são os mais diversos: presentear um ente querido, bancar os gastos da tão esperada lua de mel e até mesmo incentivar a educação financeira dos filhos.
Inclusive, existe subsídio para manter o costume. Segundo dados do Banco Central do Brasil (BCB), em 2017 já foram disponibilizadas mais de 86,7 milhões de moedas em todo o País, alcançando a marca de 119 unidades por habitante.
Entretanto, há quem tenha um montante bem maior que o estimado por pessoa. Caso da auxiliar administrativa Tania Regina Agostinho de Lima, 58. Há quatro anos ela tem o hábito de guardar os níqueis em saquinhos plásticos ou cumbucas.
"Eu junto o ano inteiro para presentear meus cinco netinhos no Natal. Geralmente, guardo as de 10 centavos, 50 centavos e 1 real. Atualmente, tenho R$ 850,00 só de moedas e pretendo somar um valor ainda maior até dezembro, para caprichar nos presentes", projeta.
Poupar moedas é, ainda, uma forma mais didática adotada por alguns pais para conversar sobre dinheiro com os filhos. Exemplo disso é o casal Vitor Fonseca Ignatios, 36 anos, e Márcia Leme Ignatios, 47 anos. Os dois incentivam a filha Maria Fernanda, 7 anos, a lidar com as próprias finanças.
"É uma relação que deve ser construída desde cedo para que ela desenvolva uma consciência financeira", pontua o engenheiro civil. "Desde que ela entrou na escola, há dois anos, começamos a mostrar como manusear as moedas", acrescenta.
| Aceituno Jr. |
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| Vitor e Márcia ensinam Maria Fernanda sobre gastos |
| Divulgação |
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| Porquinho quebrado pelo casal Bruno e Aline |
Em um cofrinho rosa, Maria Eduarda deposita os níqueis e ainda aprende sobre valores. "Minha esposa e eu ensinamos, por exemplo, que quatro moedas de 25 centavos equivalem a 1 real. É educação financeira", reitera o pai.
Vitor revela que, por meio do hábito, a filha passa a valorizar o dinheiro e ter controle dos gastos. "Ela junta certa quantia e depois abre o cofrinho para comprar algo que lhe interessou, recolocando, portanto, as moedas em circulação no mercado novamente, para que não falte".
VIAGEM
Guardar moedas em dois porquinhos foi uma alternativa divertida e fundamental para garantir a viagem mais importante de um casal de Bauru. "Lembro que gastava muita moeda com sorvete, doces e cafés. Ao guardá-las, tivemos um reforço para ter uma graninha extra para levar à nossa lua de mel em Porto Seguro, em maio do ano passado", lembra o jornalista Bruno Henrique Ferreira.
Na época, ele e sua noiva Aline Erba (hoje esposa) contaram com o apoio do pai e da madrasta de Aline, Claudio Erba e Angela Erba, para "engordar" dois porquinhos com moedas. "Um deles era verde e, quando quebramos, fizemos um vídeo para brincar com o Palmeiras. Havia R$ 300,00, entre moedas de 10 centavos e de 1 Real", conta Bruno.
O dois trocaram os níqueis em um supermercado de Bauru. "Lembro que a gerente disse: 'Nossa, moedas? Preciso. Me dá!'. Nos ajudou muito com as despesas de passeios e alimentação durante a viagem", reitera.
Já o outro porquinho continua inteiro e "bem pesado". "Continuamos poupando moedas e devemos quebrá-lo em julho, quando pretendemos aproveitar as férias e fazer a nossa segunda lua de mel, na praia, em Maragogi, litoral norte de Alagoas".
Comerciantes relatam dificuldade em achá-las
Enquanto muitos guardam moedas em casa ou as deixam esquecidas em gavetas, perdidas no sofá e "abandonadas" no console do carro (talvez por essas razões), o comércio sente a falta delas para trocos no dia a dia.
"Principalmente no começo do mês. As moedas somem e a gente tem que correr atrás nos estabelecimentos vizinhos. De 50 centavos e 1 real são as que mais faltam no mercado, atualmente", discrimina a balconista Sandra de Gomes Souza, 40 anos.
Ela trabalha em uma cafeteria no Calçadão da Batista de Carvalho e diz que a falta de níqueis ocorre quase todos os dias. "Quase sempre, preciso pedir ao cliente para dar uma procurada no bolso ou na carteira. Às vezes, eles acham uma moedinha, para o nosso alívio", brinca.
Atendente em uma sorveteria próxima, Vitor Hugo dos Santos, 18, reproduz o mesmo discurso de Sandra. "É um problema diário. Os nossos produtos são vendidos com preços picados, como R$ 7,75, e a maioria dos clientes paga com R$ 10,00. Aí complica", diz.
Para Vitor, as pessoas não têm mais paciência de andar com moedas. "Os poucos que ainda carregam consigo, usam para pagar a zona azul aqui no Centro ou pedágios quando vão viajar", palpita o atendente.
Expansão
Segundo o Banco Central do Brasil (BCB), em 2016, foram disponibilizados 761 milhões de novas moedas, volume 11% superior a 2015, quando foi fornecido um total de 685 milhões de unidades. Neste ano, já foram 86,7 milhões de moedas, alcançando 119 unidades por habitante. "Existem em circulação 24,77 bilhões de unidades de moedas ou R$ 6,26 bilhões em valor, o que corresponde a uma disponibilidade per capita de R$ 30 em moedas", enumera.
O BCB ressalta que, embora a produção de numerário, desde 2014, tenha sido impactada por necessidade de redução da despesa pública, tem se esforçado para administrar estoques disponíveis. "Pesquisas recentes sobre os hábitos de uso do numerário, na área do comércio, registram que, na impossibilidade de obtenção de cédulas ou moedas, o procedimento utilizado é a troca com estabelecimentos vizinhos".
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