| Samantha Ciuffa |
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| Carlina Belmiro Leme, Gisele Moretti e Benedita Conçalina Moreira, representando as três cooperativas da cidade, entregaram documento na Prefeitura Municipal de Bauru |
O anúncio de que Bauru adotará uma Parceria Público-Privada (PPP) para o tratamento e destinação final de resíduos sólidos despertou preocupação das três cooperativas de material reciclável atuantes na cidade, que são a Coopeco, Cootramat e Cooperbal. Representantes das três entidades protocolaram um documento no Gabinete da Prefeitura de Bauru, pedindo que as cooperativas assumam o serviço, e não uma empresa via PPP. O mesmo documento seria encaminhado ainda para a Câmara Municipal e o Ministério Público.
De acordo com Gisele Moretti, da Coopeco, a legislação prevê a prioridade às cooperativas em locais onde elas já estão estabelecidas. "Há uma preocupação de que o trabalho das cooperativas seja eliminado. Na verdade, temos outra visão, a de que as cooperativas podem ampliar o serviço que já realizam, incorporando no futuro até mesmo a coleta seletiva e também orgânica, em parceria com a prefeitura ou a Emdurb", explica.
O principal temor dos dirigentes das cooperativas é que a entrada de uma empresa para operar a PPP elimine o trabalho desempenhado atualmente por essas entidades. Gisele diz que há aproximadamente 15 cooperados em cada uma, totalizando entre 45 e 50 pessoas, que garantem o sustento de suas famílias desta atividade.
Redução
Ela também reitera que o volume de lixo reciclável caiu nos últimos anos, por motivos como a entrada de mais coletores informais nas ruas. "Tivemos uma queda de uns 40%. Atualmente, cada cooperativa recebe uma média de 1 a 1,5 tonelada por dia da Emdurb, do que é recolhido nos bairros, e mais o que vem dos Ecopontos, que é da Semma", completa.
A quantidade chama a atenção por ser extremamente baixa diante do total de lixo que a cidade produz, na casa de 300 toneladas diárias, direcionada ao aterro privado de Piratininga, onde o município paga R$ 83,50 pela destinação da tonelada de lixo. A prefeitura, inclusive, vai renovar o contrato com a CGR Guatapará (gestora do aterro de Piratininga), por mais um ano - o atual vence em maio - até que o processo de contratação da PPP seja concluído, conforme o JC já divulgou.
'Nada muda', diz prefeito para tranquilizar trabalhadores
O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) explicou ao JC que as cooperativas não devem temer a futura PPP de resíduos sólidos, pois o trabalho seguirá o mesmo. "Não vamos alterar em nada o que já é feito. Ao contrário de outros municípios, como Piracicaba, que visitamos recentemente, não vamos incluir a coleta na Parceria, nem outros serviços como varrição e limpeza de ruas. Então, tudo o que foi recolhido pela Emdurb na coleta seletiva vai seguir para as cooperativas, como já é feito hoje", enfatiza.
Segundo ele, o processo de implantação da PPP será com diálogo junto à população, e que esse tipo de dúvida será dirimida. "As pessoas ficam receosas pois é algo novo, mas não tem o porque a gente alterar essa questão da coleta seletiva e da destinação deste material para as cooperativas. O que vamos incluir na PPP é a destinação do lixo orgânico", cita o prefeito.
Segundo ele, é importante também que a população passe a aderir mais à coleta seletiva, separando o lixo nas residências e empresas, e colocando o material na rua nos dias em que o serviço passa em cada bairro - que é sempre diferente dos dias em que passam os caminhões da coleta orgânica.
