"As ideias voam, mas precisam de um bom piloto" ( P. Ezel, 2010 ).
Aquele livro estava sempre à disposição na estante lá de casa, na cidade de Leme-SP. Nunca o havia aberto até que um dia o pai pediu que levasse o volume a um nosso amigo. Fui entregar a encomenda e recebi a surpresa de um convite espontâneo e diferente. Era um convite para estudar - se quisesse, aos domingos pela manhã - algum assunto relacionado àquele livro e também aulas de Esperanto. Este idioma artificial universal, criado pelo médico oftalmologista russo-polonês Zamenhof, era novidade para todos nós e uma tentativa de facilitar a comunicação entre os homens. Fiquei curioso.
Sabia que no Colégio Estadual "Newton Prado" daquela cidade o nosso excelente e rigoroso professor Jayme Albuquerque, residente em Pirassununga-SP, era entusiasta desse novo idioma. Ele se dispusera a passar as lições ao secretário daquela escola e este transmitiria o conteúdo aos interessados, aos domingos. Inscrevi-me e lá fui assistir às aulas. Fiquei entusiasta do assunto.
Muitas década mais tarde, aqui em Botucatu-SP, aproveitei carona para reunião científica na capital com o professor Edson Ramos de Siqueira, ilustre e conceituado diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Botucatu - Unesp. No caminho, ouvi relato deste professor sobre um querido psicólogo que ele conhecera quando cadete aviador da Academia da Força Aérea de Pirassununga. Falava com muito entusiasmo do dr. Jayme Albuquerque, o mesmo que fora nosso professor da disciplina ginasiana lá em Leme, na década de 1950. Foi uma feliz surpresa.
Fiquei emocionado com a honrosa referência e a viagem transformou-se numa libertação - esse era nome do livro lá de casa. E a melhor surpresa foi o prof. Edson confessar que conheceu aquele livro - 'Libertação', ed. FEB, 1949 - também por indicação do Prof. Jayme. Entendi que ambos viviam sempre com um tesouro n'alma - a liberdade emocional - que torna o espírito humano leve para o voo das ideias diferenciadas. Fiquei encantado. Hoje é um tema para todos nós, os pilotos da própria vida...