| Malavolta Jr. |
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| Darcy Rodrigues, no Jornal da Cidade de Bauru |
O bauruense Darcy Rodrigues participa amanhã, às 17h30, de uma homenagem aos membros do Exército que foram presos em abril de 1964 e levados ao navio-prisão Raul Soares, em Santos, no dia 24 do mesmo mês. A embarcação serviu como prisão até o final daquele ano. Há 63 anos, os combatentes foram presos pois eram contrários à ditadura militar no País.
"Eu tinha 22 anos. O navio Raul Soares foi transformado em uma prisão por revanche política, pois em 1922 os tenentes ficaram presos no Imperatriz Leopoldina e no Raul Soares. Quando eles tomam o poder, já como coronéis, em 1964, levam o navio Raul Soares para Santos, sendo que era um navio que estava prestes a ser desmontado", explica.
Na época, Rodrigues morava em Osasco, onde trabalhava como sargento. "No Raul Soares tinha também líderes sindicalistas e oficiais, e o restante eram sargentos de diversas cidades. Foi um movimento dos sargentos contra a ditadura", detalha. "No evento, nesta segunda, será colocado um marco no local onde o navio atracou, nas docas. Foram convidadas várias pessoas que passaram pelo Raul Soares, eu vou compor a mesa possivelmente como orador".
Entre os prisioneiros, estava o atual senador Pedro Chaves (PSC-MS), que assumiu a vaga após a cassação de Delcídio do Amaral. "Mas ele tem um perfil diferente hoje, muito mais conservador", revela.
PRESERVAÇÃO
O objetivo do evento é preservar a história de resistência à ditadura, comenta Rodrigues. "A intenção é manter viva esta memória de combate ao regime militar que começou naquele ano no Brasil", acrescenta. "De Bauru, só tem eu que estive preso no navio. Era o segundo mais jovem entre os prisioneiros, tinha 22 anos", relembra Darcy, com 76 anos hoje.
Quando esteve preso, ele ajudou a dar exercícios no navio. "Eu dava calistenia (atividade física) para todos os presos, no convés do navio. Depois, a gente sempre discutia política", frisa. "Quando saí do navio, fui reintegrado ao quartel, primeiro no Forte Itaipú, em Praia Grande, e depois voltei para o 4.º Regimento, em Osasco, até 1969, quando saí", conclui. O navio Raul Soares funcionou como prisão durante aproximadamente dois anos no início da ditadura militar, entre 1964 e 1966.
