Quando banqueiros e seus executivos propuseram a reforma da Previdência, alegaram que era deficitária: o que não é verdade, tanto é que Temer perdoou a sonegação de R$ 25 bilhões do banco Itaú e está gastando R$ 1,8 bi em propaganda desta "reforma".
Mais de 40% do trabalhadores são informais, ou seja, não têm registro em carteira. Em alguns estados, essa informalidade chega a 65%. Ademais, devido à alta rotatividade, estudo do Dieese revela que, durante um ano, cada trabalhador, consegue contribuir com a Previdência, no máximo, durante 9 meses ao ano. 52% não conseguem completar 25 anos de contribuição. Com a "reforma", para se aposentar com o salário integral, seria necessário que a média dos trabalhadores informais trabalhassem durante não 40 anos, mas 53,3 anos, o que é impraticável.
Nossa expectativa de vida media é de 75 anos, mas é preciso atentar para o fato de que, mesmo na capital de São Paulo, há locais em que mal se chega a 55 anos, enquanto que em outros se atinge 80.
Com a exigência de idade mínima de 65 anos, pode-se afirmar que, grande parcela da população nunca poderá se aposentar, principalmente trabalhadoras rurais, trabalhadores braçais e professoras.
É bom lembrar países de elevada expectativa de vida: a idade mínima para aposentadoria no Chile é de 55 anos; na Itália, 53 anos; na França é de 52 anos; na Inglaterra, 50 anos; Argentina e Estados Unidos não exigem idade mínima para a aposentadoria. Portanto, não se pode alegar o envelhecimento da população brasileira para nos impingir o desmonte da Previdência.
É preciso considerar a grande desigualdade social e também o baixo patamar em que se encontra o Brasil: o nível de bem estar social do País, como um todo, é ainda muito baixo: basta comparar nosso salário mínimo com o de outros países, a insuficiência das políticas sociais de Educação, Saúde (saneamento), Cultura, Habitação, Transportes, além da menor expectativa de vida.
A população já percebeu que a proposta de Temer/Meirelles é inviabilizar a aposentadoria para privatizar. Tanto é que, nos primeiros meses desde que se começou a esse desmonte, os bancos já tiveram 20% a mais de adesão à previdência privada. Na verdade, nem é previdência porque não contempla licença-maternidade, auxílio-doença, FGTS, licença por acidente de trabalho, aposentadoria por invalidez... É apenas complementar mas, sobretudo, para enriquecer banqueiros.
Ao perceber que a tal reforma não seria aprovada, Temer/Meirelles tentam alguns remendos, mas não negociamos: repudiamos qualquer medida reduza direitos. Sintonizando a Globo, você abre as portas de sua casa para que bandidos entrem e roubem seus direitos.