Bairros

Quitandas e mercearias: 'prontos-socorros' dos bairros

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 10 min

Samantha Ciuffa
Na Mercearia Cardia, Sônia Maria dos Santos Otsuka: 

"Gosto muito do que faço, mesmo sendo cansativo"

Não se trata de mercado; nem super, nem mini. Com charme e elementos próprios, as quitandas e mercearias não apenas sobrevivem nos mais diversos bairros de Bauru: elas, de fato, socorrem os moradores e quem está de passagem.

Os diferenciais vão de atendimento personalizado a produtos exclusivos, além de frutas, verduras e legumes sempre fresquinhos. Bons exemplos desse tipo de comércio estão espalhados pela cidade e a reportagem conversou com proprietários e clientes de alguns deles para saber o que a quitanda tem.

Na Mercearia Cardia, que fica no cruzamento das ruas Eduardo Coutinho e Ezequiel Ramos, altura da quadra 20, o movimento é grande, porém, como tudo é prático, a clientela entra e sai rapidinho, isso quando não resolve bater um papo.

"O clima aqui é de muita amizade e assunto não falta! Tem cliente que nos acompanha há 20 anos. Por isso temos o fichário em que alguns marcam a conta. É uma relação de confiança", partilha Sônia Maria dos Santos Otsuka, que mantém o local aberto diariamente com o esposo, Tutomo Otsuka, e uma funcionária em alguns dias da semana.

A cliente Maria de Lourdes Terra comprova as vantagens da proximidade. "Por aqui não tem mais nada perto e a mercearia é tudo de bom. A gente sabe que está lidando com gente honesta, que é tudo limpinho e os produtos estão dentro da validade. Eu não saio daqui! A gente troca uma ideia, receita...!".

BEM VARIADO

Entre os segredos do sucesso da Mercearia Cardia estão bom atendimento, alimentos escolhidos a dedo e prateleiras com "um pouco de tudo". "Temos jornal, pão quentinho, açougue com cortes prontos, frios, itens de mercadinho, frutas, verduras, legumes e ovos. Ah, também vendo cosmético à pronta entrega, vai que alguém precisa de um presente de última hora!", lista Sônia.

Ela garante que essa variedade atende a pedidos e visa ser um "pronto-socorro" para os clientes, que correm lá em busca de um ou outro item emergencial.

Nesse ponto, a mercearia está há 3 anos, mas a história toda na Vila Cardia já soma duas décadas. "Gosto muito do que faço, mesmo sendo cansativo. Sempre tive vontade de trabalhar com comércio de alimentos. Já somos aposentados e lutamos pelo nosso sonho, vale a pena", reforça Sônia.

Ponto de encontro de amigos e clientes

Logo que a reportagem chegou à famosa Quitanda Miranda, na quadra 3 da alameda Cônego Anibal Difrância, espontaneamente, o clientes formaram uma roda de conversa em volta do caixa e falaram sobre histórias desse ponto comercial, a exclusiva conserva de pimenta feita pelo proprietário e os assuntos do dia a dia, de futebol aos preços do alimentos.

Marcos Miranda, que abriu e cuida do local há 28 anos, gosta que lá seja ponto de encontro e de troca de informações entre o pessoal do bairro, o Parque Vista Alegre. “Na quitanda fiz amigos com os quais jogo bola, vou pescar... Aqui surgem amizades e até negócios, se um está vendendo uma casa, aviso o outro que quer comprar. Sem interesse, só para ajudar mesmo”.

Para ele, o diferencial está no atendimento. “No mercado você não trata com o dono. Eu tenho obrigação de conhecer os produtos e até dou dicas de uso ou do que fazer no almoço!”, promete. “Outra vantagem é que como estou no ramo faz tempo, consigo negociar com fornecedores e manter a qualidade com preço bom”.

Miranda também tem um sítio e revende o que planta, garantindo a procedência e recebendo encomendas. Lá oferece também itens de mercado e bar. “Fui colocando os produtos de acordo com o que pediam, não concorro com mercado, é para facilitar a vida dos clientes”.

O resultado aparece. “Quando se entra para o comércio, ou detesta ou vira vício. Mesmo que me aposente, não sei se paro, não... O bom é que o dinheiro gira, ainda que não seja muito. Com esse trabalho formei um filho que é químico forense”, orgulha-se o proprietário da quitanda.

AMIGOS CLIENTES

Entre a “turma da quitanda” está o Beto do Parquinho, que é fiel ao estabelecimento e nem vai mais ao mercado. “Compro aos poucos e compensa pelo preço e qualidade. Conheço o dono e os clientes, esse bairro é muito bom para fazer amizade”, enfatiza.

Já Angelo Zulato passa no supermercado para pegar o pão. “Verdura só na quitanda. E aqui ainda encontro o vinho que eu gosto!”.

Para Benedito Moretti, os produtos da quitanda são melhores. “Outra vantagem é que não preciso sair do bairro e encontro os amigos, converso, é muito bom”.

Há também quem percorra uma boa distância só para ir na Quitanda Miranda. “Eu morava por aqui, mas mudei para o Jardim Terra Branca. Atravesso a cidade... Não encontro uma pimenta como essa em nenhum lugar!”, destaca Osvaldo Baio, cliente desde o início.

Quitanda Hortelã: novinha em folha

Há um ano e 4 meses, Osmar Extecoetter abriu com a esposa, Maria Solimar, a Quitanda Hortelã em uma região movimentada entre o Higienópolis e a Vila Cardia, rodeada por casas, bancos e outros estabelecimentos comerciais.

O local é um “respiro” agradável em meio a carros e pedestres, que mesmo apressados, dão uma paradinha ali. “A gente tenta ter os quebra-galhos para o dia a dia, além de sorvetes e bebidas. E vai se adaptando às necessidades dos clientes”, conta Osmar.

Para conquista-los, gôndolas com tudo novinho. “Vendendo ou não, tem que estar em constante vigilância e repor todos os dias os produtos perecíveis. Diferente do mercado, qualquer coisa o cliente pode falar com a gente, que sempre procura atender bem”.

'Gosto de estar aqui'

Logo que a reportagem chegou à famosa Quitanda Miranda, na quadra 3 da alameda Cônego Anibal Difrância, espontaneamente, o clientes formaram uma roda de conversa em volta do caixa e falaram sobre histórias desse ponto comercial, a exclusiva conserva de pimenta feita pelo proprietário e os assuntos do dia a dia, de futebol aos preços do alimentos.

Marcos Miranda, que abriu e cuida do local há 28 anos, gosta que lá seja ponto de encontro e de troca de informações entre o pessoal do bairro, o Parque Vista Alegre. "Na quitanda fiz amigos com os quais jogo bola, vou pescar... Aqui surgem amizades e até negócios, se um está vendendo uma casa, aviso o outro que quer comprar. Sem interesse, só para ajudar mesmo".

Para ele, o diferencial está no atendimento. "No mercado você não trata com o dono. Eu tenho obrigação de conhecer os produtos e até dou dicas de uso ou do que fazer no almoço!", promete. "Outra vantagem é que como estou no ramo faz tempo, consigo negociar com fornecedores e manter a qualidade com preço bom".

Miranda também tem um sítio e revende o que planta, garantindo a procedência e recebendo encomendas. Lá oferece também itens de mercado e bar. "Fui colocando os produtos de acordo com o que pediam, não concorro com mercado, é para facilitar a vida dos clientes".

O resultado aparece. "Quando se entra para o comércio, ou detesta ou vira vício. Mesmo que me aposente, não sei se paro, não... O bom é que o dinheiro gira, ainda que não seja muito. Com esse trabalho formei um filho que é químico forense", orgulha-se o proprietário da quitanda.

AMIGOS CLIENTES

Entre a "turma da quitanda" está o Beto do Parquinho, que é fiel ao estabelecimento. "Compro aos poucos e compensa pelo preço e qualidade. Conheço o dono e os clientes, esse bairro é muito bom para fazer amizade", enfatiza. Já Angelo Zulato passa no supermercado para pegar o pão. "Verdura só na quitanda. E aqui ainda encontro o vinho que eu gosto!".

Para Benedito Moretti, os produtos da quitanda são melhores. "Outra vantagem é que não preciso sair do bairro e encontro os amigos, converso, é muito bom".

Há também quem percorra uma boa distância só para ir na Quitanda Miranda. "Eu morava por aqui, mas mudei para o Jardim Terra Branca. Atravesso a cidade... Não encontro uma pimenta como essa em nenhum lugar!", destaca Osvaldo Baio, cliente desde o início.

Tradição de pais para filhos

Não por acaso o clima é de harmonia e o ambiente, bem familiar na Mercearia Para Todos, localizada na quadra 1 da rua Oersted Barbosa da Silva, no Jardim Progresso. Tudo começou há 26 anos com Dirceu Arão e a esposa Ivone. Os filhos Marcela e Rafael, desde pequenos ajudavam e há cinco anos assumiram o negócio da família, contando ainda com Claudinei Frez, marido de Marcela.

Os pais já não trabalham na mercearia, mas estão sempre por lá, onde vendem o que produzem em uma horta orgânica. “Trabalhar em família tem suas vantagens e desvantagens, porque cada um pensa de um jeito! Mas a gente se dá bem”, afirma Marcela.

Mesmo com mais espaço e produtos que no início, quando era a Quitanda do Dirceu, a mercearia não abre mão do atendimento personalizado. “Além de comerciante a gente é um pouco o ombro amigo, já que vários clientes desabafam e vamos criando vínculos”, disse a atual proprietária.

Graças a essa confiança, ela marca a conta dos bons fregueses. “É mais fácil a gente confiar em um cliente antigo do fichário do que em um que nunca viu e aparece com cheque”.

A relação é recíproca. “Também confiam na gente. Muitas mães ligam para falar a lista do que precisam e as crianças vêm buscar. Aqui é muito tranquilo”.

O local tem boa variedade em produtos de quitanda e mercado, entretanto, Marcela acredita que seu estabelecimento seja escolhido também por outras razões. “Alguns itens custam um pouco mais do que no supermercado, outros não. O cliente volta porque é rápido, prático e, principalmente, porque é bem atendido”.

CLIENTE DESDE SEMPRE

Prova de que a freguesia volta mesmo é a Márcia Venturini, que já chegou a passar pela Mercearia Para Todos cinco vezes num mesmo dia! “Sempre que esqueço alguma coisa e corro aqui. Para mim, é excelente. Tem qualidade e encontro o que preciso, até ração pro cachorro e alpiste pro passarinho! O bairro não fica sem”.

Cliente desde o início, herdou também a confiança. “Minha mãe já comprava aqui na caderneta e continuo. Os donos são mais que amigos e me sinto em casa”.

Tudo é útil na Quitanda 7 de Setembro

Não por acaso o clima é de harmonia e o ambiente, bem familiar na Mercearia Para Todos, localizada na quadra 1 da rua Oersted Barbosa da Silva, no Jardim Progresso. Tudo começou há 26 anos com Dirceu Arão e a esposa Ivone. Os filhos Marcela e Rafael, desde pequenos ajudavam e há cinco anos assumiram o negócio da família, contando ainda com Claudinei Frez, marido de Marcela Arão.

Os pais já não trabalham na mercearia, mas estão sempre por lá, onde vendem o que produzem em uma horta orgânica. "Trabalhar em família tem suas vantagens e desvantagens, porque cada um pensa de um jeito! Mas a gente se dá bem", afirma Marcela.

Mesmo com mais espaço e produtos que no início, quando era a Quitanda do Dirceu, a mercearia não abre mão do atendimento personalizado. "Além de comerciante a gente é um pouco o ombro amigo, já que vários clientes desabafam e vamos criando vínculos", disse a atual proprietária.

Graças a essa confiança, ela marca a conta dos bons fregueses. "É mais fácil a gente confiar em um cliente antigo do fichário do que em um que nunca viu e aparece com cheque".

A relação é recíproca. "Também confiam na gente. Muitas mães ligam para falar a lista do que precisam e as crianças vêm buscar. Aqui é muito tranquilo".

O local tem boa variedade em produtos de quitanda e mercado, entretanto, Marcela acredita que seu estabelecimento seja escolhido também por outras razões. "Alguns itens custam um pouco mais do que no supermercado, outros não. O cliente volta porque é rápido, prático e, principalmente, porque é bem atendido".

Samantha Ciuffa
Parceria em família na Mercearia Para Todos: Dirceu, Ivone e Marcela Arão com Claudinei Frez

CLIENTE DESDE SEMPRE

Prova de que a freguesia volta mesmo é a Márcia Venturini, que já chegou a passar pela Mercearia Para Todos cinco vezes num mesmo dia! "Sempre que esqueço alguma coisa, corro aqui. Para mim, é excelente. Tem qualidade e encontro o que preciso, até ração pro cachorro e alpiste pro passarinho! O bairro não fica sem", diz.

Cliente desde o início, herdou também a confiança. "Minha mãe já comprava aqui na caderneta e continuo. Os donos são mais que amigos e me sinto em casa."

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