| Samantha Ciuffa |
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| Junior apostou duas vezes: administra agência de intercâmbio e também escola de inglês |
| Aceituno Jr. |
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| Lucas Mendes e Arildo Fraga são exemplos de jovens da geração Y que abriram negócio |
A ideia de tornar-se empreendedor tem feito cada vez mais a "cabeça da moçada". Pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que dois em cada três jovens almejam ter o próprio negócio. O estudo "Jovens Empresários Empreendedores" enfoca a geração Y, cujos integrantes pesquisados são os nascidos de 1980 a 1990.
Entretanto, dentro das universidades, já é possível notar essa tendência entre as gerações mais novas. Levantamento do Sebrae aponta um crescimento de 16% no número de microempresas abertas por pessoas com idades entre 18 e 30 anos no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2016, em Bauru (leia na página ao lado).
A pesquisa da Firjan mostra que as principais motivações dos jovens para tornarem-se empreendedores são realização de um sonho (76,4%), qualidade de vida (75,6%), altos ganhos financeiros (70%), mercado promissor (66,1%) e não ter chefe (64,5%).
Para o estudo, foram realizadas 5.681 entrevistas com homens e mulheres na faixa etária dos 25 a 35 anos, das classes A B e C, com ensino superior completo ou em andamento. Metade dos consultados já era empreendedor.
Segundo o gerente de Pesquisa e Estatística do Sistema Firjan, Cesar Bedran, os jovens que já empreendem são caracterizados como uma geração híbrida. "Eles têm a criatividade do empreendedor e a inquietude do jovem", explica.
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Entre os jovens não empreendedores, a estabilidade e segurança financeira foram apontadas como principais razões para não abrir o negócio (73,3%). Mas há quem pense diferente e, mesmo diante de incertezas perante a realidade econômica do País, resolve arriscar.
Exemplo dos empresários Arildo Fraga Costa, 28 anos, e Lucas Mendes, 26 anos. Há pouco mais de um ano, os dois decidiram investir na área gastronômica. Abriram uma hamburgueria na região da avenida Getúlio Vargas, em Bauru.
Arildo conta que cursou administração de empresas e, desde a época da faculdade, empreender já era um dos seus objetivos de vida. "Todo mundo sonha em ter o próprio negócio", diz ele, destacando que, há tempos, vinha discutindo este desejo com o amigo.
"Foi aí que o Lucas esteve em São Paulo e observou que o ramo de hamburgueria estava em alta por lá. Em Bauru até tinha, mas eram negócios familiares, mais caseiros. Ficamos com certo receio no começo por conta da crise financeira, mas a proposta era boa", lembra.
Tanto que o negócio tem prosperado, banca o empresário. "Agora, padronizamos os produtos e abrimos uma franquia em Marília na semana passada. A ideia é expandir ainda mais, com franquias em outras cidades do Brasil", projeta.
SEM MEDO DE MUDANÇAS
A postura de Arildo e de Lucas vai ao encontro do perfil traçado pela pesquisa da Firjan para o jovem empreendedor. Isto é, a geração Y não tem medo de mudanças e está o tempo todo em busca do que deseja.
E o esforço, claro, é recompensado. Segundo Bedran, o estudo mostra que um terço dos empreendedores entrevistados já colhem lucros. "85% deles ainda estão no primeiro negócio, enquanto 15% já investiram em outros empreendimentos", destaca.
Caso do empresário Edison de Souza Borges Junior, o Junior Borges, 32 anos, que mantém uma agência de intercâmbio há quase uma década em Bauru. Há quatro anos, entretanto, ele decidiu apostar em um novo empreendimento: uma escola de inglês. Atualmente, Junior e a esposa Juliana Ribeiro Borges, 30, colhem os frutos do esforço e de muito trabalho.
"Me tornei empresário muito novo e o principal desafio, à época, era passar credibilidade para os clientes. Hoje, avalio como positivo os resultados dos empreendimentos. É a realização de um sonho", comenta Junior Borges.
Brasileiros x estrangeiros
A Firjan fez o mesmo levantamento em outras sete cidades fora do País: Berlim (Alemanha); Londres (Inglaterra); Madri (Espanha); Moscou (Rússia); Mumbai (Índia); Nova York (Estados Unidos); e Xangai (China). O estudo mostra que há diferenças entre a forma que os brasileiros e os estrangeiros enxergam o mundo.
O brasileiro, por exemplo, mostra ser menos competitivo que os empreendedores do resto do mundo. Apenas 31,8% dos brasileiros afirmaram que sempre têm de ser os melhores, custe o que custar. Entre os estrangeiros, esse número chegou a 52,8%.
Por outro lado, os brasileiros mostram ser mais responsáveis que os entrevistados das outras sete cidades. Entre os ouvidos no Brasil, 69,7% deles afirmaram que têm metas e objetivos bem definidos para a vida. Entre os estrangeiros, as respostas afirmativas chegaram a 53,4%.
Na faculdade
Alguns jovens que já administram seu próprio negócio tiveram o start para o empreendedorismo durante a faculdade. No caso do empresário Kelvyn Augusto de Almeida, 22 anos, a ideia de montar uma fábrica de acessórios de madeira personalizados nasceu quando ele cursava design.
"Em algumas disciplinas sobre produtos diferenciados feitos de madeira, estudamos uma empresa dos Estados Unidos que produzia óculos de madeira. Lembro de ter feito um protótipo e, a partir disso, surgiu a ideia de abrir uma empresa. O sonho de ser um empresário foi despertado na faculdade", conta.
Amigo de Kelvyn há muitos anos, Breno Henrique Gomes de Oliveira, 21 - formado em administração de empresas -, embarcou no desafio. Além de óculos, eles produzem também relógios de madeira personalizados, feitos com materiais reaproveitáveis. "Sempre tive vontade de ter meu próprio negócio, mas faltava uma ideia mais direcionada", pontua Breno.
Foi também na faculdade que Gabriel Baroni, 25 anos, começou a arquitetar o sonho de se tornar um empreendedor. Ele e a esposa Giovana Nascimento, 27, administram uma marmitaria de alimentos balanceados e uma loja de suplementos. "Quando eu cursava educação física, vendia suplementos e já pensava em ter meu negócio", conta Gabriel.
| Douglas Reis |
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| Gabriel Baroni e Giovana Nascimento administram marmitaria de alimentos balanceados |
| Samantha Ciuffa |
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| Breno embarcou no desafio com o amigo Kelvyn, que teve a ideia de criar peças em madeira |
Bauru: empresas de jovens crescem 16%
| Aceituno Jr. |
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| Bárbara Tezotto pensa em investir em cosméticos |
| Malavolta Jr |
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| Igor quer abrir negócio de hospedagens de sites |
Estudante do quarto ano de relações públicas da Unesp Bauru, Bárbara Lara Tezotto, 22 anos, está elaborando um projeto na área de cosméticos naturais e orgânicos que, além de compor seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), deverá ser o carro chefe da sua futura empresa.
Embora ainda esteja concluindo os estudos, o desejo de tornar-se empreendedora já se faz presente na vida da estudante.
"Em meio à instabilidade econômica do País, existe risco em abrir o próprio negócio, mas a indústria dos cosméticos não é tão afetada pela crise", pondera a jovem, que, inclusive, produz o próprio desodorante com componentes naturais.
Bárbara é apenas um dos exemplos que evidenciam o interesse dos estudantes universitários no empreendedorismo. A maior parte desse grupo tem idade entre 18 e 25 anos, cuja faixa etária compõe a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Sebrae.
O estudo aponta crescimento de 16% no número de microempresas abertas por pessoas com idades entre 18 e 30 anos no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2016 (veja quadro).
"A gente vê que existe, por parte das faculdades, um movimento bastante grande de estimular o empreendedorismo. As próprias universidades têm buscado incentivar os jovens. O Sebrae também tem ministrado várias palestras para estudantes universitários sobre o tema", destaca Valéria Cristina Beltrami, analista de Cultura Empreendedora do Sebrae Bauru.
Ela ressalta que são duas as principais motivações que explicam este cenário. "Uma delas está relacionada à necessidade (44%), que são aqueles que não conseguiram uma colocação no mercado de trabalho e resolvem abrir uma empresa. Há também o viés da oportunidade, ou seja, a pessoa constata que determinado seguimento pode gerar um bom negócio".
Esta, inclusive, é a perspectiva do estudante Igor Bueno da Silva Vieira. Embora ainda esteja no segundo ano de publicidade e propaganda da Universidade Paulista (Unip) de Bauru, o jovem de 20 anos já definiu o que, em sua concepção, seria um empreendedorismo viável.
"Há alguns anos, ainda adolescente, eu geri um provedor que comercializava hospedagem de sites, registros de domínios, servidores, entre outros. Desde então, eu vi que é possível abrir um negócio desta forma, desde que haja um planejamento e uma boa administração e, com o tempo, viver apenas disso", projeta Igor.





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