Tribuna do Leitor

Cães de Exposição e a Reprodução

Juarez Vieira Sampaio
| Tempo de leitura: 3 min

Os cães de raça, com devido registro (pedigree) da CBKC, só podem cruzar quando ambos tiverem pedigree e não forem irmãos inteiros.

Sempre que pensamos fazer o cruzamento de dois cães são necessários que vários fatores sejam levados em consideração para que possamos obter exemplares de qualidade e, assim, aprimorarmos a raça, dando a ela cada vez mais qualidade.

O primeiro passo que temos que dar é saber as qualidades e defeitos dos cães que irão cruzar, para que com isso não cruzemos cães com os mesmos defeitos e não acentuemos mais tais defeitos que possam fazer muito mal para os filhotes dessa ninhada.

Um exemplo disso, se temos um cão com angulação traseira errada para a raça e cruzamos com outro que também tem tal defeito acentuado, poderemos ter nessa ninhada algum (uns) filhote(s) com grave defeito de angulação traseira e assim eles terão grandes problemas de saúde durante sua vida.

Outro exemplo típico é a dentição, se temos um cão com dentição errada (mordedura) e cruzamos com outro que também tenha dentição errada, a tendência é dos filhotes nascerem com esse problema também.

Então, como podemos fazer para saber quais as qualidades e defeitos dos nossos cães? Simples, basta levarmos a uma exposição do Kennel Clube, através da CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia), onde o cão será avaliado por árbitros que possuem grande conhecimento do padrão de cada raça, e com isso poderá deliberar os defeitos e as qualidades de um cão, fazendo com que assim tenhamos uma seleção para o possível plantel da traça que se deseja.

Quando um árbitro avalia um cão, ele o qualifica como: Excelente, Muito Bom, Bom, Suficiente e Insuficiente. Sendo assim, não podemos pegar dois cães de qualificação mais baixas e cruzá-los simplesmente por cruzá-los, para apenas termos filhotes para vender.

Se gostamos da raça e queremos o aprimoramento dela, sempre temos de cruzar cães com qualificações melhores, para que assim o plantel da raça seja cada vez mais melhorado e diminua a incidência de possíveis doenças genéticas em um cão (dentição, testículos, temperamento etc).

Quando temos um cão excelente que cruza com outro cão excelente, não significa que todos os filhotes que irão nascer serão excelentes.

Só para temos uma noção, normalmente, de uma ninhada onde o padreador e a matriz são excelentes, se nasce cinco filhotes, apenas um ou dois serão exatamente excelente, sendo que os outros normalmente são muitos bons ou bons. Isso demonstra que mesmo com a qualificação excelente dos pais nem todos os filhotes terão, por regra, essa qualificação.

A exposição de cães não é apenas algo para satisfazer o ego do proprietário, de ter um cão premiado. O intuito dela é fazer com que a qualidade do plantel de cada raça melhore cada dia mais, para que assim o aprimoramento e crescimento da raça sejam feito de forma adequada e com grande qualidade.

Infelizmente vemos raças, hoje, que estão cada dia com qualidade pior, gerando muitos problemas nos filhotes que estão nascendo e dando muita dor de cabeça aos proprietários que adquirem esses filhotes.

Sendo que as raças que fazem essa grande seleção de plantel, tendo os cães avaliados em exposição, estudando o padrão correto da raça e verificando as qualidades e defeitos de cada cão que irá cruzar, a qualidade aumenta consideravelmente e os futuros proprietários não possuirão grandes problemas com os filhotes que adquirem.

Então, futuros proprietários, procurem criadores sérios para a compra de seus filhotes. E se um dia for pensar em cruzá-los, faça de uma maneira séria e correta, como estamos citando, pois com isso teremos menos problemas com os filhotes que virão. Em suma: a genética atua em toda reprodução animal e humana.

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