| Samantha Ciuffa |
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| A partir da esq., Ana Maria Lombardi Daibem, Ester dos Santos Placidelli, Cleonice Tieko Nakamura Vidal, Cléia Aparecida Dias Serrano, Lenita Cestari e Marcia Negrisoli |
Em um mundo que não para e cujas mudanças e quebras de paradigmas ocorrem de forma tão rápida quanto um piscar de olhos – ou, se preferir algo mais plugado nos dias atuais, um simples “clic” de um mouse –, as relações humanas estão em constante transformação e, não raro, lembram um pêndulo e seu movimento de vaivém. O que antes era ultrapassado, hoje passa a ser moderno. O velho vira novo. O que fazia mal hoje faz bem. E assim os conceitos vão se modificando e evoluindo ao longo do tempo, como os da maternidade, cujo pêndulo parece tender atualmente a cessar seu vaivém e permanecer em uma posição de equilíbrio. Mas quais “novos” conceitos esse equilíbrio valoriza na hora de educar os filhos e no relacionamento entre eles e os pais?
O JC reuniu seis mães de diferentes faixas etárias, municípios (Bauru, Piratininga, Lençóis Paulista e Pederneiras) e gerações, para um bate-papo a fim de debater e refletir sobre a maternidade nos dias atuais.
O resultado está neste especial do SER em homenagem ao Dia das Mães, comemorado hoje, que aborda diversos temas, como a necessidade de se preparar para ser mãe, a imposição de limites aos filhos e o uso abusivo de celulares. Tais assuntos também foram objeto de análise do filósofo, educador e professor Mário Sérgio Cortella, em entrevista exclusiva concedida ao JC.
Mas, apesar da variedade de temas discutidos, uma conclusão ficou evidente: a educação dos filhos caminha para uma retomada de valores e ruma ao equilíbrio entre dois modelos historicamente estabelecidos entre as famílias por diferentes gerações – o de pais e mães autoritários e o de pais e mães excessivamente liberais –, cujos frutos nocivos continuam sendo colhidos até hoje.
A pedagoga e docente educacional Ana Maria Daiben, 67 anos, mãe de cinco filhos, é uma das que acredita nesta tendência. “A liberalidade excessiva predominou como uma reação a uma certa dose de autoritarismo de pais e mães. Entre o não pode nada e o pode tudo acredito que a gente caminha para uma fase de mais equilíbrio, de bom senso, porque os males que isso gerou já estão aí muito presentes. Não há um único padrão, mas existem valores básicos que não podem ser abandonados.
Nesse pêndulo acredito que a tendência é o resgate de valores como o respeito, compreensão, autonomia e o entendimento de que o sim e o não podem ser sinônimo de amor em situações diferentes”, enfatiza.
Para Daiben, as mudanças nas relações humanas e econômicas exigem dos pais adaptação e percepção da necessidade de novos caminhos para a educação dos filhos. “É preciso também entender que cada filho é único e com suas particularidades.
Como mãe isso também é um dos desafios: por que para este você age assim e para o outro não? Porque eles são diferentes. No meu caso, em um intervalo de dez anos nasceram meus cinco filhos e, em algumas ocasiões, os mais velhos me disseram: “você está mais liberal com os últimos e no nosso tempo você não deixava fazer coisas que hoje você deixa”.
O tempo hoje é outro e você vai redimensionando como estão as coisas. Porque não dá para se dizer mais que porque fui educada assim terá de ser assim com meus filhos também. Tenho de avaliar as mudanças. É um desafio permanente”, frisa a pedagoga.
Infância valorizada
Vice-presidente da OAB/Bauru, Márcia Negrisoli, 37 anos, mãe de uma filha, entende que o novo modelo da educação dos filhos parte realmente para o equilíbrio e para o resgate de valores. “Estamos caminhando para isso porque o mundo já está muito doente e em uma fase de conflito muito grande. Mas são somente com os conflitos que se geram as mudanças”, afirma. E acrescenta: “Também creio em se valorizar muito a infância, o que pode ser feito até com pequenas atitudes. Por exemplo, há alguns dias fomos a um sítio e brincamos com ela de descer o barranco em cima de um papelão.”
Responsabilidades
A designer Lenita Cestari, 57 anos, mãe de duas filhas, é outra que também crê no resgate de valores, especialmente do respeito e do diálogo, no relacionamento entre pais, mães e filhos. “A vida é pendular e tudo que um dia não estava na moda em outro passa a estar. Valores geram valores, porque pior não dá para ficar. As pessoas chegaram em um limite e estão revendo os conceitos. Também é preciso aprender a se administrar as diferenças, respeitar, nunca discutir ou gritar, falar baixo, argumentar, são esses os valores que temos de passar”, analisa. Para a designer, uma forma das mães colaborarem no sentido de retomar tais valores é atribuir responsabilidades aos filhos. “Eu, por exemplo, nunca acordei minhas filhas para ir à escola ou fazer as tarefas delas. Não é meu papel fazer isso. O problema é que todo mundo quer poupar as pessoas de tudo. Tem de ter responsabilidade e amor. Esses são os dois pilares. Com o amor você tem a educação e todo o entorno e a responsabilidade ajuda os filhos a prepará-los para o restante da vida”, conclui Cestari.
Diga não aos ‘reizinhos mandões’
Se o seu filho é daqueles que “reina” no lar e você se subordina a ele, mães entrevistadas pelo JC mandam um recado: é preciso impor limites!
| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Ana Maria Lombardi Daibem: “Há situações em que os filhos praticamente imploram por limites” |
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| A partir da esquerda, Marcia Negrisoli, Cleonice Tieko Nakamura Vidal, Cleia Aparecida Dias Serrano, Ana Maria Lombardi Daibem, Ester dos Santos Placidelli e Lenita Cestari |
A criança pede à mãe - ou ao pai - que faça uma de suas vontades. A resposta, muitas vezes, costuma ser rápida: não. Como mágica, a pronúncia dessas três letrinhas desencadeia, em poucos segundos, uma explosão de sentimentos e reações: esperneios, gritos, discussões e, claro, muitas e muitas lágrimas de choro. Até que, para “abafar o caso” – ou seria o caos? – pais e mães, incapazes de manter sua autoridade ou de sustentarem as negativas, fraquejam e fazem tudo o que seus filhos querem. Pronto. Está instalado o reinado dos “reizinhos mandões”.
Nessas famílias e lares, tais crianças se tornam um “deus” e não podem ser contrariadas. Sob a conivência de seus progenitores, mandam e desmandam em todos e, não raro, protagonizam verdadeiros “escândalos”, como os descritos acima, em muitos locais públicos, como escolas, shoppings e supermercados. Mas o que leva pais e mães a agirem assim?
Há especialistas que consideram a ausência prolongada dos pais e mães do convívio com os filhos como uma das principais causas do surgimento dos “reizinhos mandões”.
Desta forma, perdem tanto a intimidade com as crianças que, seja por culpa, falta de jeito ou ansiedade, as supervalorizam em demasia e acham que devem fazer todos seus desejos e evitar frustrações.
Mas o fato é que, independente dos motivos, há uma certeza que se sobrepõe a tudo quando o assunto é a educação dos filhos: é imprescindível impor limites.
“Dizer não também é um ato de amor. Se você nega algo a um filho, é porque você está vendo a necessidade de lhe garantir um bem que, às vezes, é não permitir algo”, destaca a pedagoga e docente educacional Ana Maria Daiben.
Ela sustenta haver ocasiões que os pais e mães são incapazes de enxergar que seus próprios filhos estão praticamente “implorando” por limites. “Muitas manifestações de crianças e, principalmente, de adolescentes são avaliadas como um pedido de ajuda no sentido de que estão precisando de limites e os pais e mães não estão atendendo. Já vi muito isso ocorrer, porque, a princípio, parece que, para eles serem felizes só pode existir o sim e o tudo pode, mas eles sentem falta porque, dependendo da faixa etária, ainda não tem muita clareza dos limites da vida. E, quando fazemos isso, ele vai aprendendo a trabalhar para a vida dele, não apenas para nos obedecer. Porque sem a gente depois, ele terá de lidar com o que é condizente e o que não é”, analisa Daiben.
NA PELE
A advogada Márcia Negrisoli, vice-presidente da OAB/Bauru, já sentiu “na pele” os perigos de se querer compensar a ausência do lar com mimos excessivos para sua filha.
“Trabalho o dia inteiro e uma vez por semana dou aula à noite. Quando comecei a dar aula, para ela não ficar triste comigo, eu lhe dava um presente. Isso foi péssimo. Eu a deseduquei agindo assim e senti isso, pois até as professoras da escolinha vieram conversar comigo”, recorda.
Após reavaliar e posteriormente mudar seu comportamento em relação à filha, a advogada também alterou seus conceitos sobre as frustrações infantis.
“Percebi que impor limites, na verdade, é um ato de amor. Precisamos agir assim para que as crianças entendam que as frustrações fazem parte da vida e não é tudo que ela quer que tem de dar. Sentir frustrações e tristezas fazem parte da vida. Desta forma, me policiei e revi minhas atitudes em relação aos limites. Mas é muito difícil realmente, porque você tenta compensar a falta de tempo com algo material. Mas esse não é o caminho”, atesta Negrisoli.
Equilíbrio complicado
Ninguém disse que é fácil dizer não a um filho, especialmente quando ele se é o único. É o que vivencia diariamente Cleia Aparecida Dias Serrano. Encontrar o equilíbrio entre o “sim” e o “não” ao único filho é tarefa complicada para ela, principalmente após já ter passado pelo drama de ter perdido outro filho. “Lá em casa é muito complicado, porque ele não aceita alguns limites e brigamos muito. Mas sempre vem aquela cobrança: “Ah, mas você só tem ele e não vai dar o que ele quer ou fazer o que ele está pedindo”. Já tive a fase do castigo, mas é difícil”, ressalta, emocionada e com lágrimas nos olhos.
Celular pode ser vilão e mocinho
Ícone da vida moderna, aparelho pode ajudar e atrapalhar na educação dos filhos; para a maioria das mães, segredo está em impor limites de utilização pelos filhos
| Samantha Ciuffa |
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| Lenita Cestari: celular é fundamental, mas é precisa de limites |
Ele é um dos maiores ícones da vida moderna, quase com status de um verdadeiro “pop star”. Algumas raras pessoas, por incrível ou mais inverossímil que pareça, ainda conseguem dispensá-lo, mas a maioria da população mundial já admite não ser mais capaz de viver sem ele. Claro que falamos dos celulares, aparelho cada dia mais presente no cotidiano de pais, mães e, principalmente, filhos.
Além de revolucionar a forma como as pessoas se comunicam, eles também transformaram – para o bem e para o mal – muitas relações humanas. Por isso, logo surgem muitas perguntas: como educar crianças nesta “era da tecnologia” na palma das mãos? Eles mais atrapalham ou mais ajudam quando o que está em jogo é a formação educacional dos filhos? Qual a melhor idade para crianças passarem a utilizá-lo?
O JC ouviu os relatos de mães de diferentes faixas etárias e gerações. Para algumas, os celulares são ferramentas muito úteis para ajudar no monitoramento de seus filhos e até mesmo no ambiente escolar. Para outras, podem ser nocivos, principalmente para as crianças muito pequenas. A conclusão é que não há um modelo a ser seguido, mas há uma certeza: é preciso controlar o uso dos aparelhos por parte dos filhos.
Mãe de dez filhos, a aposentada Ester dos Santos Pracidelli, 76 anos, moradora de Lençóis Paulista, entende o celular como uma necessidade para não perder contato com os filhos, especialmente os que moram muito distantes. “Falo quase todos os dias com minha filha, que mora na Itália, pelo celular e via Skype. Tenho necessidade de lidar com as tecnologias, pois além de minha filha residir fora meus filhos estão todos trabalhando”, afirma.
Quem também destaca o uso do aparelho como uma forma de poder ter os filhos “por perto”, mesmo que fisicamente encontrem-se em grandes distâncias, é a designer Lenita Cestari, 57 anos. Ela considera essencial o celular em razão de suas duas filhas residirem em municípios distintos, uma no Guarujá e outra em Santos. No entanto, ela impõe regras na sua utilização pelas filhas. “Celular realmente é um complicante, mas eu tenho uma condição quando as vou visitar. Se vamos sair para jantar, os celulares têm de permanecer dentro da minha bolsa, senão não saio”, decreta. E acrescenta: “Afinal, eu quero saber como elas estão, o que estão fazendo e como estão na escola e no trabalho, porque senão eles ficam o dia inteiro no celular.”
Para a designer, a relação mais estreita e ligada das crianças e adolescentes com os celulares muitas vezes é motivada por insegurança. “É muito mais fácil você falar com quem, efetivamente, não está te olhando né. Você fala o que você quer e eles se escondem atrás do celular. Essa relação afetiva que eles têm com o celular é por insegurança do convívio.”
Quem também ressalta a importância em se dar limites de uso dos aparelhos é a pedagoga e docente educacional Ana Maria Daiben, 67 anos. “Penso que um critério seja o de que o filho pode ter, porém com horários de utilização e sem senhas. Um dos meus filhos é casado e tem duas meninas que, se deixarem, querem ficar no celular e no Ipad o tempo todo. Vejo meu filho e minha nora dizendo assim: agora vamos almoçar e podem desligá-los porque vamos conversar e ficar juntos ou agora não vão usá-los porque têm de fazer a tarefa primeiro. Elas esperneiam e reclamam, mas existe a firmeza por parte dos pais em manter a regra”, frisa Daiben.
Como distração, não
Além de entender ser necessário “segurar” o máximo possível para dar um celular à filha, a vice-presidente da OAB/ Bauru, a advogada Márcia Negrisoli, 37 anos, condena um artifício adotado por muitos pais para fazerem os filhos lhes darem “paz”: o uso do aparelho como forma de distração das crianças.
“Vou segurar o máximo que eu puder para dar o celular. Não sei a idade, mas pelo menos até um ponto em que a criança não vá se sentir um ET perto das outras. Penso em somente depois dos 9, 10 anos”, analisa Márcia.
A advogada também é taxativa ao comentar o hábito dos pais de transformar o celular em um instrumento para distrair os filhos. “Criança não é para ficar quieta. Criança é movimento e temos de estar preparados para isso. Se ela está parada no celular, usando esse refúgio, de alguma forma ela vai manifestar isso em algum momento da vida, que é quando surgem a Baleia Azul e outros subterfúgios. É muito perigoso. Dar o celular para ela ficar quieta é estimular algo que não é natural dela.”
| Samantha Ciuffa |
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| Cleia Aparecida Dias Serrano: filho de 13 anos utiliza o aparelho, mas não é escravo dele |
Cobranças e comparações
Mãe de um único filho, a aposentada Cleia Aparecida Dias Serrano, 51 anos, moradora de Piratininga, lembra que nem sempre é fácil não dar um celular a uma criança. “É complicado, porque existe a comparação externa, como a dos amigos da escola. Há sempre aquele argumento: Ah, mas para fulano a mãe já deu um celular”. E é difícil enfrentar essas cobranças, salienta.
Apesar do filho, que tem 13 anos, já utilizar o aparelho, Cleia afirma que ele não se tornou “escravo” dele. “Ele vai para a escola e não o leva, o aparelho fica em casa. E como ele tem muitas tarefas, não fica o dia todo em cima dele. Além disso, o celular ajuda nas tarefas porque, às vezes, ele tem de fazer pesquisa. Felizmente, ele não é escravo do celular porque ele tem outras atividades”, conclui Cleia.
Por pais e mães mais envolvidos
Em entrevista exclusiva ao JC, filósofo prega que a família não deve ser uma instituição democrática, com pais e filhos com mesmos poderes, opina sobre as dificuldades que muitos pais e mães têm para impor limites às crianças e condena o uso dos celulares como instrumento de distração
| Fábio Guinalz/Fotoarena/Folhapress |
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| Mário Sérgio Cortella: "Família não deve ser uma instituição democrática, com pais e filhos com mesmos poderes" |
Criar filhos em um mundo cujas mudanças são tão rápidas como a velocidade de um piscar de olhos ou um clique de mouse não tem sido tarefa fácil para muitos pais. Não só entendê-las, mas também acompanhá-las e adotá-las no ambiente familiar também têm sido desafios quase intransponíveis para pais e mães na tarefa de educar suas crianças. Mas o que fazer, então, para não ficar ultrapassado nessa questão tão decisiva para as famílias?
Em entrevista exclusiva ao JC, o filósofo, educador e professor Mário Sérgio Cortella aborda diferentes e importantes temas sobre o assunto. Para Cortella, muitos pais e mães se “acovardam” de suas responsabilidades e se subordinam aos filhos, gerando consequências danosas para diferentes gerações, e precisam se atualizar diante das velozes mudanças mundiais nos mais diferentes setores da vida moderna.
O educador defende que a família não deve ser uma instituição democrática, com pais e filhos com mesmos poderes, opina sobre as dificuldades que muitos pais e mães têm para impor limites às crianças e condena o uso dos celulares como instrumento de distração. Leia a seguir.
JC - O que os pais devem fazer para não ficarem ultrapassados na educação dos filhos?
Cortella - Há dois movimentos nisso. O primeiro é que parte do mundo adulto, aqueles que estão criando crianças e jovens, está muito acovardada em relação às tarefas que tem de fazer, muito conformada e recolhida e usando muito a frase: "O que eu posso fazer? Eles são assim". Esse tipo de acovardamento e enfraquecimento é muito danoso, pois ele faz com que a relação com as novas gerações não seja formativa, mas uma relação de subordinação, o que é extremamente ruim para qualquer geração, inclusive para a que está sendo formada.
Por isso, num mundo de mudanças em alta velocidade é preciso que pais e mães atualizem o seu modo de ação em relação ao mundo que aí está, mas que deem como ponto de partida a atitude de maior firmeza em relação ao que tem de fazer. Quando falo em firmeza, não me refiro à brutalidade e violência, mas à capacidade de não transigir e abrir mão daquilo que precisa ser tomado como tarefa por quem tem, sim, a responsabilidade de fazê-lo. Isso exige humildade para que se possa entender que há coisas que ainda não sabemos fazer, mas também exige iniciativa e proatividade para que não deixemos de fazer o que tem de ser feito.
JC - Você disse que os pais precisam se atualizar em relação às mudanças no mundo. Essa atualização passa por quais preocupações principais?
Cortella - São três as preocupações. A primeira é que pais não entendam que a gente deva agir de forma isolada. É preciso participar de grupos de pais, se atualizar com leitura, buscar a formação na escola que os filhos têm para que haja a formação coletiva dos pais. A atividade paterna/materna não pode ser isolada e ninguém nasce com um receituário pronto para isso e é preciso partilhar experiências fazendo o que já se fez em outros tempos quando, ao se viver em comunidade, as pessoas trocavam ideias sobre as condutas e os procedimentos.
A segunda é acompanhar os filhos naquilo que é o mundo digital hoje. Você não precisa ser alguém que tenha presença nas redes sociais, mas tem de ser alguém capaz de passear por elas para poder acompanhar um pouco um dos territórios em que seus filhos caminham. E em terceiro lugar é a capacidade de entender que precisamos fazer uma distinção entre aquilo que é antigo e o que é velho. Algumas coisas são antigas, mas não são velhas. A autoridade é antiga, mas o autoritarismo é velho.
A capacidade de convivência amorosa é antiga e o falseamento do afeto feito em forma de permuta comercial soterrando as crianças com presentes é uma coisa velha. Nessa hora, atualizar não é só ir buscar aquilo que é novo, mas aquilo que é antigo também.
JC - Que tipo de atitudes os pais devem tomar para que consigam dar educação de qualidade para seus filhos? Antigamente tínhamos a era do "nada pode", com pais e mães muito rigorosos, e mais recentemente a do "tudo pode", com pais e mães muito permissivos. Estamos em uma transição entre essas eras?
Cortella - Sim. Porque os pais têm de entender que a ideia de disciplina, ordem e convivência ordenada é decisiva. Uma família não é uma instituição democrática. A democracia exige direitos e deveres idênticos e, no caso de uma família, pais e mães têm atitudes de autoridade superior em relação aos filhos. Nesse sentido, é um equívoco supor que uma família seja uma democracia. O que pode e deve existir em uma família é ter atividade participativa. Um pai e uma mãe devem consultar os filhos em relação a alguns procedimentos, mas não devem se subordinar, porque a responsabilidade última é deles. A segunda coisa dentro disso é que é necessário reforçar a autoridade paterna e materna. Autoridade é diferente de autoritarismo. O autoritarismo, que já tivemos há 30, 40 anos, desconhecia a individualidade da criança e do jovem. Como você bem lembrou, depois se passou por um momento em que não se desconhecia mais, o que havia era subordinação. Agora é o momento de equilibrar a perspectiva de ter autoridade e exigência de ter ali o recurso e a contraparte, mas em nenhum momento o uso do autoritarismo, pois ele é agressivo e desnecessário no tempo atual. Afinal, em um mundo em que há uma rarefação e diminuição do tempo de convivência, é necessário que o tempo em que adultos e jovens convivam seja ordenado por uma inteligência maior do que existia antes.
JC – A família não deve ser uma democracia, mas uma ditadura também não...
Cortella – Ditadura jamais, mas ela não é uma democracia. É como uma empresa. Ela pode ser participativa, mas tem um proprietário, responsável, tem alguém que tem autoridade. Por isso, um grande equívoco é entender a família como sendo uma estrutura de democracia com os filhos tendo a mesma autoridade que os pais. Não é verdade e não deve sê-lo.
JC – E por que os pais perderam autoridade e passaram a ser subordinados aos filhos?
Cortella – Um ponto de partida para isso é a redução da convivência de nossas crianças com o restante da família. Até mais ou menos uns 30, 40 anos, os filhos eram criados juntos com os outros, com os primos, na casa dos avós, em uma mescla familiar em que adultos de várias direções ajudavam a cuidar e disciplinar as crianças. Por exemplo, na casa das avós podia-se tudo, menos o que elas proibissem. Nesse sentido, a disciplina era mais estruturada. À medida em que pais e mães foram se afastando do núcleo da família, cada um vivendo mais longe, com o aparecimento de cidades maiores e grandes deslocamentos, tivemos o enfraquecimento dessa convivência de jovens e crianças com adultos e com os pais. Sendo os adultos que se ausentam para o mundo do trabalho com maior frequência e com distâncias maiores, as crianças ficaram mais isoladas e ganharam nível de independência que se aproximou da soberania. Por isso a principal fonte é a redução da capacidade de convivência com adultos que fosse mais estruturada e ordenada.
JC – E também não se adianta aumentar a quantidade de convivência por si só. Quantidade não significa qualidade...
Cortella – Sim. Este é outro mito. Muita gente diz que tem de conviver com os filhos hoje como se convivia no passado. Não. Há 30, 40 anos, os pais conviviam pouco com os filhos. As famílias tinham convivência intensa. Se almoçava e se jantava juntos, o que é um momento especial para isso, mas saíamos de manhã e voltávamos à noite. Era comum a mãe colocar a cabeça por cima do muro e chamar o filho: “Vem pra casa tomar banho, menino”. Era nosso cotidiano. Por isso, é mítico supor que pais e mães passem o tempo todo com os filhos, em um domingo por exemplo, achando que têm de organizar coisas para eles fazerem. Até determinada idade, com 4, 5 anos, sim, mas depois a criança tem de ficar, obviamente, sob a supervisão de um adulto, mas não é tarefa do pai e da mãe ocupar a criança com coisas. Ela precisa ter o mundo dela com as coisas delas. Não é tarefa do adulto ser ali um recreador de crianças.
JC – E por que muitos pais têm dificuldade atualmente em impor limites aos filhos? Vemos muitos filhos desobedientes e que fazem escândalos em locais públicos...
Cortella – Porque criar gente dá trabalho e, quando dá trabalho, é preciso um esforço adicional. É preciso entender que quando se vai exercer autoridade sobre alguém você precisa sustentá-la. E ao sustentar a autoridade é preciso arcar com a consequência dessa sustentação. Se tenho uma criança que faz birra em público e não quero que ela faça, vou levá-la para casa e vou ter de cessar o que estava fazendo para poder tomar conta exatamente daquela situação. Nesse sentido, claro, há sim por parte de alguns pais a recusa em ter um esforço maior de algumas coisas que deveriam ter.
JC – Uma questão muito controversa atualmente envolve o uso de celulares por crianças. Elas devem ou não ter celulares?
Cortella – Cada família vai organizar seu modo de fazê-lo. Conheço famílias em que os pais não dão celulares aos filhos antes que eles tenham 14 anos por entenderem que esta é a idade adequada para que tenham esta tecnologia em mãos. Outros pais, porque não conseguem acompanhar o que os filhos fazem, entendem o celular quase como uma tornozeleira eletrônica e fazem disso um meio de vigia. Não há um único caminho. Por exemplo, dentro da estrutura escolar, se a família oferece à criança um celular ela pode levá-lo à escola, o que ela não pode é ter o celular dentro da sala de aula como algo distrativo. Se aquilo for incorporado ao trabalho pedagógico, ok. Mas se for algo distrativo, como era um gibi, revista, rádio, tem de ser guardado. Não há uma decisão exclusiva sobre o uso de celular e a família que decide. O que acho absolutamente entristecedor são pais e mães que desde pequeninhos já oferecem às crianças aparelhos para que se distraiam. Uma criança tem de se distrair com o mundo, tem de ter distração com aquilo que está em volta dela em vez de mergulhar de cabeça em uma sala, entre aspas, fechada que é o mundo digital. Nessa hora é muito ruim que pais e mães utilizem o celular apenas para ficarem em paz um pouco. Lamento muito esse comportamento. Se você quiser ficar em paz vai ter de ordenar a vida junto com os seus filhos.
Se você tem filhos, tem de cuidar deles. Supor que vai se dar para uma criança algo que a distraia para que ela fique quieta, é a mesma coisa que dar o entorpecente para que faça isso. A criança se emburrece se ela não ficar olhando para o mundo que está em volta dela. O mundo digital é uma das maravilhas da nossa convivência, mas não pode ser objeto obsessivo e nem pode servir como válvula de escape para as necessidades da criança. Muita gente usa essa tecnologia para hipnotizar e amortecer a criança deixando-a em estado de entorpecimento.
JC – Quem faz isso está deseducando os filhos?
Cortella – É um ato não só de deseducação como também de fraqueza de formação. É uma irresponsabilidade por parte de pais que acabam se ausentando da tarefa que tem e entregando isso para uma tecnologia distrativa nesta situação. Ela não é formativa, e sim meramente distrativa.
Ser mãe exige planejamento?
Enquanto algumas mulheres se prepararam para a maternidade, outras não se preocuparam tanto; confira os relatos de mães ouvidas pelo JC e tire suas conclusões
| Getty Images/iStockphoto |
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Ser mãe é algo que para muitas mulheres envolve um planejamento minucioso, com detalhes e objetivos cuidadosamente estudados e projetados para que nada de errado ocorra não só durante a gravidez, mas também após a gestação. Já outras encaram a gravidez como um acontecimento natural e praticamente instintivo da natureza feminina, sem a necessidade de preparação extremamente organizada ou cercada de muitos cuidados. O que é melhor: se preparar ou não para a maternidade?
| Samantha Ciuffa |
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| Márcia Negrisoli planejou gravidez |
A advogada Márcia Negrisoli, 37 anos, vice-presidente da OAB/Bauru, não teve dúvidas. Casada há 12 anos e mãe de uma menina, planejou integralmente sua gravidez. “Antes, quis terminar minha pós-graduação e dar aulas. Queria dar prioridade em minha vida pessoal. Por isso, me preparei muito para ser mãe e minha gravidez foi planejada”, relata. E deve ser assim com o segundo filho.
Já a pedagoga e docente educacional Ana Maria Daiben, 67 anos, conta que não teve preparação quando decidiu encarar a maternidade.
“Eu e meu marido nunca tivemos esse planejamento tão rigoroso, mas me lembro, que embora planejássemos, tínhamos surpresas, que sempre foram bem-vindas. Quando a gente tem a notícia que vai chegar um filho, ele já tem de ser amado desde este momento”, ressalta.
Para Ana Daiben, mãe de cinco filhos, tão importante quanto se planejar o mínimo necessário para ser mãe é as mulheres terem a noção da amplitude das mudanças em suas vidas geradas pela maternidade. “A maternidade requer responsabilidades e a compreensão de que a partir dali sua vida não é mais só sua, porque você terá no seu entorno outras pessoas pelas quais você será responsável por um bom tempo. Pensar sobre isso, dentro do possível, e planejar o mínimo necessário para assumir tudo isso é importante, até porque me assusta um pouco ver meninas tão novinhas sendo mães e que querem continuar como se tivessem vida de solteiras”, analisa.
A pedagoga enfatiza, ainda, que a maternidade é um processo de aprendizagem contínuo e com características singulares. “Existe um aprendizado que vem somente com os filhos. Eu não sabia, por exemplo, nem o que vestir em um bebê porque nunca tinha tido experiência antes.
Moramos sempre longe dos familiares, por conta do trabalho do meu pai, e nunca tive muita convivência com crianças. Assim fui aprendendo aos poucos e junto com a chegada e o crescimento dos filhos. E continuamos aprendendo até hoje, pois já sou avó. São novas relações que continuam exigindo da gente novas aprendizagens, especialmente em como lidar com tudo isso de maneira saudável, criativa e que possa, dentro do possível, ser uma experiência feliz”, salienta Daiben.
Sem planejar
Já a aposentada Cleia Aparecida Dias Serrano, 51 anos, moradora de Piratininga, não precisou se preparar demais para a maternidade em virtude de ter casado quando já contava com certa estrutura de vida. “Casei com 34 anos, quando eu trabalhava e já tinha casa pronta. Mas daí fiz a opção por ter um só filho. Se tivesse dois, acho que seria diferente”, pondera.
| Samantha Ciuffa |
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| Cleonice Tieko Nakamura Vidal teve o primeiro filhos aos 16 anos |
Outra moradora de Piratininga, a aposentada Cleonice Tieko Nakamura Vidal, 63 anos, teve dois filhos – um deles quando tinha apenas 16 anos – e admite não ter se preparado para a maternidade.
“Tive filho quando tinha 16 anos e nem sabia o que era casamento. Era o primeiro moço de que eu gostei e queria sair da casa da minha mãe naquela fase de ‘aborrescência’. Depois de 13 anos de casada, fiquei viúva e, quando meu primeiro filho tinha 15 anos, engravidei do segundo. Comecei tudo de novo. Tinha até esquecido como se dava banho em bebê (risos). Daí, resolvi parar nos dois filhos, pois já está ótimo”, relembra.
Mãe de dez filhos, a aposentada Ester dos Santos Pracidelli (foto abaixo), 76 anos, moradora de Lençóis Paulista, é outra que também revela não ter planejado nada para a maternidade. “Comecei a ter filhos com 21 anos e parei com 42. Não me preparei em nada para ser mãe. Naquela época, meus pais não tinham condição nenhuma, casei e meu marido também não tinha condições. Assim, fomos trabalhar, eu e meu marido. E assim os anos foram passando: trabalhando e criando filhos.”
| Samantha Ciuffa |
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| Ester dos Santos Placidelli |
Educação cidadã
Psicóloga alerta que pais e mães podem corromper filhos em pequenas atitudes do cotidiano que desrespeitam a moral e a ética e defende criação voltada à valorização da cidadania
Nunca se falou tanto em corrupção, escândalos e propinas na política com as investigações e revelações feitas pela Lava Jato. Entretanto, engana-se quem pensa que os comportamentos inadequados e nocivos ao País partem somente das autoridades e governantes.
| Marcelo Ferrazoli |
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| “Quando começarmos a transmitir este modelo para nossos filhos eles começarão a aprender não somente com nossa fala, mas também com o exemplo”, destaca a psicóloga Sandra Leal Calais |
Pais e mães também são capazes de “corromper” seus filhos em pequenos atos do cotidiano que, muitas vezes, passam despercebidos. Mas não para a psicóloga Sandra Leal Calais, que defende que a educação das crianças atualmente deve primar, acima de tudo, pelo resgate urgente de valores morais e éticos.
Doutora em Psicologia e docente em pós-graduação e graduação na Faculdade de Ciências da Unesp/Bauru, Calais entende que a educação dos filhos precisa caminhar para o equilíbrio entre o autoritarismo de antigamente e o liberalismo excessivo dos dias atuais.
“Teremos de caminhar para isso porque estamos colhendo os frutos dessa permissividade. Hoje é impressionante como os jovens não têm mais sonhos, projetos e querem enriquecer sem fazer nada. E os pais perceberam que esta forma de educar, de tudo poder, não foi uma fórmula que trouxe felicidade aos filhos. Os jovens estão muito infelizes, com muitos problemas, transtornos e envolvidos com álcool e drogas. Não foi um modelo que deu certo, assim como o anterior. Por isso, agora há uma premência em se rever isso, porque desse jeito, não vamos chegar a lugar algum”, decreta Calais.
Desta forma, para a psicóloga, passa a ser fundamental para pais e mães reverem comportamentos do cotidiano, que podem ser banais, mas são capazes de influenciar decisivamente na formação do caráter de seus filhos na hora de educá-los. “Quando falamos da corrupção no País, falamos de pessoas e a primeira coisa que precisamos rever em nosso comportamento, que tanto recriminamos em nossas autoridades e governantes, é até que ponto também fazemos parte desse modelo antiético. Precisamos começar a passar aos nossos filhos esse modelo de ética e provar para eles, não é só falar. Se eu cobro que tenham comportamento ético, mas eu leso um outro, passo outro para trás ou pego uma vaga privativa para idosos e deficientes, que exemplo estou dando?”, questiona a psicóloga.
Para Calais, trata-se de agir de forma moral, valorizando a cidadania e o bem-estar coletivo. “Temos de sacrificar o bem-estar individual em prol do comum. Acho que quando, efetivamente, começarmos a transmitir este modelo para nossos filhos eles começarão a aprender não somente com nossa fala, mas também com o exemplo. São as pessoas que estão com problemas, não o País, e temos de começar a rever. Que exemplos estamos dando? Precisamos começar nas pequenas atitudes. A mudança não será de cima de baixo e sim de baixo para cima. É uma fantasia achar que vamos sair do macro e vamos arrumar tudo. Não vai acontecer assim. Por isso cada um tem de fazer sua parte e ajudar com seu pouquinho”, analisa.
A psicóloga exemplifica como pessoas que fazem a diferença citando as iniciativas voluntárias que ajudam milhões. “Eles têm essa condição colaboradora e humanitária e precisamos despertar isso. Temos de olhar pro lado. Se eu não estou passando por problemas, ótimo. Então serei mais uma pessoa a ter de ajudar os outros. Não vou precisar receber ajuda, mas posso dar. Temos de ir por este caminho em nossas famílias e mostrar isso para nossos filhos porque daí, em 20, 30 anos, salvamos o País. Caso contrário não vejo outra saída”, adverte Calais.
PRESSÃO
Questionada se seria possível conseguir despertar tal consciência nas pessoas mesmo sem os devidos investimentos na área educacional do País por parte das autoridades, Calais sustenta que a pressão popular fará governantes tomarem as medidas necessárias. “Quando todos nós nos movimentarmos, a pressão nas autoridades será muito alta. Mas se só eu reclamo e faço minha parte não saímos do lugar. Creio que as pessoas estão despertando para isso e que vamos fazer com que nossos governantes façam sua parte. As pessoas estão ligadas e percebendo o que está acontecendo. A alienação que antes havia em relação à política agora não existe mais, as pessoas estão mais antenadas e, infelizmente, vemos até crianças preocupadas com os governantes porque elas ouvem os relatos dos pais e veem os apuros que estão passando e sabem que irão sofrer as consequências disso no futuro”, conclui Calais.
A psicóloga também comenta sobre diversos outros assuntos envolvendo a maternidade e a criação dos filhos, como a terceirização dos cuidados, a imposição de limites e o uso de celulares.
Crianças e educação terceirizadas
“Aquela mãe que não trabalhava e ficava em casa o tempo todo não era melhor mãe que aquela que sai para trabalhar. Achávamos que a mãe que fica mais tempo iria ser mãe melhor, mas na verdade não é bem assim. Não é quanto ela vai ficar, mas como. Muitas vezes o tempo que ela fica é pouco, mas é um tempo que pode ser de qualidade. A pessoa tem de se preocupar com isso e disponibilizar seu tempo para seu filho. Seu filho precisa de você. Não é uma prisão, mas uma necessidade.”
Controle do celular
“Dar o celular para distrair uma criança é uma forma de deseducar e uma falta de amor. Porque eu não quero ser incomodado pelo meu filho e dou na mão dele uma coisa que pode ser uma arma, especialmente um celular com internet, para uma pessoa que não tem ainda amadurecimento, não tem freio no impulso e não consegue avaliar devidamente as consequências? O celular lhes dá o poder de ver o que ocorre no mundo, mas muitas coisas eles não deveriam ver porque não têm maturidade. Por isso, o uso do celular tem de ser controlado.”










