| Reprodução |
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| 'Bomba' contra Temer e Aécio promete abalar política nacional |
| Ayrton Vignola/Estadão Conteúdo |
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| Foto de arquivo de 14/03/2011 do executivo Joesley Batista, do Grupo JBS, que acusa Temer |
Os donos da JBS, Joesley Batista e seu irmão Wesley Batista, gravaram uma conversa em que o presidente Michel Temer supostamente dá aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. A informação foi divulgada nessa quarta-feira (17) pelo colunista do jornal O Globo Lauro Jardim.
A conversa com Temer teria ocorrido no dia 7 de março deste ano, no Palácio do Jaburu, residência do presidente. No diálogo, Joesley teria dito ao peemedebista que estava pagando uma mesada a Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara, também preso na Lava Jato, para que ambos ficassem em silêncio sobre irregularidades envolvendo aliados. "Tem que manter isso, viu?", disse Temer a Joesley, segundo O Globo.
Joesley e Wesley, segundo o jornal, firmaram acordo de delação premiada com a Lava Jato. A colaboração também inclui outros executivos da JBS, a maior empresa do setor de carnes do mundo. Ainda segundo o Globo, os delatores se reuniram nesta semana com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da força-tarefa e responsável por homologar o acordo, cuja negociação foi iniciada no fim de março.
Em seu depoimento aos procuradores, Joesley afirmou que não foi Temer quem determinou a mesada, mas que o presidente tinha pleno conhecimento sobre os pagamentos. No diálogo, captado por meio de um gravador escondido, Temer teria indicado a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS) no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na conversa, o empresário ainda perguntou a Temer se poderia tratar "de tudo" com o parlamentar, ao que o presidente teria respondido sucintamente: "Tudo". Em nova gravação feita em vídeo dias depois, o parlamentar foi flagrado recebendo mala com R$ 500 mil que teria sido enviada por Joesley. Tanto a conversa com Temer quanto a entrega do dinheiro teriam ocorrido em março. Loures foi assessor especial da Presidência e assumiu, recentemente, o mandato na Câmara. Ele é suplente do ministro da Justiça, Osmar Serraglio.
CUNHA
Além da mesada a Cunha, Joesley disse à Procuradoria-Geral que pagou R$ 5 milhões para Cunha após o peemedebista ter sido preso, no ano passado, e que havia combinado dar mais R$ 20 milhões referentes à tramitação de lei que beneficiaria a JBS. Na delação, Joesley contou que já pagava a mesada a Cunha havia alguns meses. Diferentemente de outras delações, no caso da JBS, a Lava Jato promoveu "ações controladas", em que a operação é adiada para que seja possível obter flagrantes que possam ser usados como provas. O Globo afirmou que, além de filmagens da entrega de propina, as mochilas em que o dinheiro era transportado foram equipadas com rastreadores e cédulas tiveram seus números informados aos investigadores.
Aécio pediu R$ 2 mi a empresário, denunciam os executivos da JBS
| Dida Sampaio/Estadão Conteúdo |
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| Aécio Neves (PSDB-MG) durante sessão do Senado nessa quarta (17) |
Executivos do grupo J&F, proprietário da marca JBS, afirmam que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a um dos donos da empresa, Joesley Batista, para pagar sua defesa na Lava Jato. A afirmação, divulgada pelo "O Globo", foi confirmada pela reportagem. Procurado, o senador não quis falar sobre o assunto. Segundo os executivos da JBS, a quantia foi entregue a um primo do tucano, em ação filmada pela PF.
A gravação que supostamente compromete o senador Aécio Neves tem 30 minutos e foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Deve integrar acordo de delação premiada, que aguarda homologação do ministro do Supremo Edson Fachin. Segundo o jornal "O Globo", Aécio indicou um primo dele para receber o dinheiro. A Polícia Federal filmou a entrega do dinheiro e rastreou a propina por meio de marcadores eletrônicos. O dinheiro teria sido depositado em uma empresa do também senador tucano Zeze Perrella. A JBS esteve na mira de investigações da Polícia Federal em diferentes frentes desde 2016. Na sexta-feira (12), a PF deflagrou operação sobre supostas irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. O juiz responsável, Ricardo Leite, de Brasília, negou um pedido de prisão contra os donos da empresa. Em janeiro, uma operação mirou o grupo ao apurar suspeitas de concessão de créditos pela Caixa Econômica.
Presidente confirma o encontro com Joesley, mas nega compra do silêncio
Em nota divulgada na noite dessa quarta-feira (17), o presidente Michel Temer confirmou a reunião com o empresário Joesley Batista, mas disse que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio de ex-deputado Eduardo Cunha".
NOTA À IMPRENSA
"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República. O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."
'Panelaços', buzinaços e protestos são registrados pelo País após denúncias
Brasileiros fizeram "panelaços" na noite dessa quarta (17) após a revelação de que o presidente Michel Temer foi gravado dando aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha. Manifestantes se reuniram em frente ao Masp, na Paulista, para protestar. O presidente enfrentou protesto e buzinaço do lado de fora do Planalto. Com cartazes e bandeiras, manifestantes pediram a saída dele e eleição direta.
Ocorreram panelaços em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Recife (PE).
Mantega era contato do PT, diz delator
No acordo de delação que firmou com a Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista afirmou que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega intermediava pagamentos de propina a parlamentares do PT. Segundo o jornal O Globo, executivos da JBS afirmaram em depoimento que o então ministro era uma espécie de operador do grupo no BNDES.
Joesley disse aos procuradores que Luciano Coutinho, então presidente do banco público de fomento, era duro nas negociações, mas que, muitas vezes, Mantega participava das reuniões e os negócios fluiam de forma mais fácil. O dinheiro de propina que Mantega recebiada empresa, segundo o relato dos delatores, seria destinado ao partido, e não ficava para ele.
Sob gritos de ‘fora, Temer’, oposição protocola 2 pedidos de impeachment
Após divulgação de que presidente foi gravado dando aval para compra do silêncio de Eduardo Cunha, dois deputados pediram afastamento
O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) protocolou um pedido de impeachment nessa quarta-feira (17) logo após a divulgação da notícia de que o presidente Michel Temer foi gravado dando aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo o jornal "O Globo". Na sequência, o deputado João Henrique Holanda Caldas (PSB-AL), o JHC, protocolou outro pedido de impeachment do presidente por crime de responsabilidade.
Na Câmara, já há atualmente outro pedido de impeachment contra o presidente aberto por ordem do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do ministro é de abril do ano passado. Desde então, a comissão especial que analisará esse primeiro pedido ainda não foi instalada na Casa. Isso porque líderes de partidos da base aliada resistem a indicar os deputados de suas bancadas para compor o colegiado. Aliado de Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou a sessão dessa quarta (17) logo após a notícia vir a público, bateu boca com a oposição e deixou o plenário da Casa transtornado.
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) leu na tribuna da notícia. A oposição começou então um coro de "fora, Temer!" e Maia encerrou a sessão em que estava prevista a votação de uma série de medidas provisórias que estão prestes a caducar. Começou o bate-boca entre Maia e o deputado Molon. Irritado e cercado por seguranças, Rodrigo Maia deixou o plenário. "Não tem mais clima para trabalhar. Só isso", disse o presidente da Câmara ao deixar a Casa pelo cafezinho anexo ao plenário.
"Fui bater boca porque ele não tinha direito de encerrar a sessão. Num momento em que sai uma denúncia dessa gravidade, o presidente da Casa encerra a sessão para calar a boca da oposição e impedir que o país saiba o que está acontecendo. Havia condição de continuar. É pra proteger o presidente a quem ele é ligado? Estava totalmente alterado", disse Molon. Os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e no Congresso, André Moura (PSC-SE), ignoraram os jornalistas em plenário. Deputados do PT pediram o impeachment. "Ou se acata o impeachment ou não se faz mais nada", disse o líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE).


