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Controlado sim, avarento não!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Infelizmente, há muitas famílias que são desleixadas no tocante à gestão das finanças do lar. Alguns chegam a colocar que se controlarem demais as contas do mês não dormirão! Comportamento do tipo "avestruz", ou seja, cabeça no buraco, corpo todo para fora.

O que acontece quando deixamos a "natureza cuidar" do orçamento familiar? Gastamos mais do que devíamos e gastamos errado. Quando há um aperto, então, sequer sabemos por onde começar os cortes nos gastos. É preciso dedicar um tempo para elaborar o orçamento familiar. É a velha combinação de planejamento e controle. É preciso planejar as entradas de recursos. Em que dia recebo o salário? Qual é o valor? Possuo outras rendas? Quais valores? Em que datas entrarão? É evidente que com poucas fontes de recursos, planejar o que dinheiro que vai entrar é fácil.

É mais trabalhoso, mas necessário é planejar as saídas de recursos. Em que sua família gasta? Quanto gasta? Quais são os vencimentos? As entradas ocorrem antes ou depois destas saídas? No tocante aos pagamentos, não adianta colocar tudo na letra "P" de "pagamento", é preciso agrupar as contas por categorias. É preciso saber quanto é o gasto mensal com comunicação, saúde, alimentação, locomoção, moradia, escola, saúde, impostos, material de limpeza, material de higiene pessoal, lazer entre outas.

Quando são separadas tais contas, por grupos ou centros de custos, fica fácil calcular quanto cada grupo representa de sua renda. A família saberá, por exemplo, que o gasto com moradia é X%, com comunicação é Y% e assim por diante. Quem faz isso pela primeira vez se surpreende com o quanto alguns gastos representam do total da renda.

Agora, somente planejar não resolve. É preciso controlar. Dá trabalho, mas controlar é preciso. As contas chegam quase que diariamente, por isso é importante ter uma planilha, que pode ser simples, na qual são colocadas informações tais como vencimento, o tipo de despesa, a que grupo pertence e o seu valor. A planilha permite "filtrar" os centros de custos e totalizar os valores desembolsados no mês. Até mesmo pequenos gastos, em dinheiro, precisam ser lançados e controlados.

Dedicando parte do dia para este controle, as pessoas se sentirão mais seguras para rever os gastos e cortá-los quando for necessário.

O controle do orçamento familiar não pode ser sinônimo de avareza, pelo contrário, pois o avarento já faz todo o controle mentalmente e na prática sabe de todas as contas devidas (poucas por sinal) e conhece como ninguém o quanto tem de dinheiro. O controle aqui é no sentido de saber em que gasta e se ao longo do tempo sua família está sendo capaz de criar valor.

Por sinal, este é o desafio: criar valor. Neste caso também vale destacar que criar valor não é necessariamente esnobar, ser soberbo, querer demonstrar que é mais do que os outros. Criar valor é se precaver para eventuais problemas financeiros, que mais cedo ou mais tarde virão, quer pelo desemprego, quer por uma doença, quer por um fato não previsto.

Para criar valor é preciso fazer boas escolhas e estas passam pelo efetivo controle das finanças do lar. Não priorizar o planejamento e o controle de seu dinheiro é viver fora da realidade. Reúna a família, abra o jogo sobre a real situação financeira pessoal e estreite os laços entre os membros da família, gerando cumplicidade.

Se eu fosse você não adiaria mais o debruçar sobre as contas da casa. Faça a diferença e dê foco em sua vida financeira. Mãos à obra, sem avareza, mas com muito controle.

O autor é economista e articulista do JC.

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