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Saúde da mulher: o tempo passa, mas as dúvidas permanecem as mesmas

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

 Douglas Reis
Na última sexta-feira, o ginecologista Marcos Cabello dos Santos palestrou sobre o tema aos alunos do 9.º ano do ensino fundamental até o 3.ª ano do médio, no Colégio Rogacionista 

Na geração passada, pouco se falava sobre a saúde da mulher, fato que suscitava dúvidas, principalmente dos jovens. Agora, as incertezas permanecem as mesmas e, segundo o ginecologista Marcos Cabello dos Santos, a culpa é do excesso de informações sem confiabilidade. Na última sexta-feira, o médico, que também é presidente regional da Associação Paulista de Medicina (APM), falou aos estudantes do Colégio Rogacionista de Bauru, que confirmaram o problema (veja os relatos nesta página).

Cabello acrescenta, ainda, que os jovens têm fácil alcance a dados técnicos, mas não sabem o que fazer com eles. Além disso, o ginecologista acredita que a Internet acumule diversos textos superficiais. "Precisamos estudar qual plataforma utilizar para mudar esse cenário", observa.

Pensando nisso, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) e a APM decidiram dar início à ação educativa "Cuidados com a saúde da mulher e DSTs", em Bauru. Na última sexta-feira, o projeto foi lançado junto aos alunos do 9.º ano do ensino fundamental ao 3.º ano do médio, no Colégio Rogacionista.

A palestra - que abordou higiene íntima, gravidez não planejada, morte de mães e bebês, zika vírus na gravidez, além de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) - contou com a ávida participação dos estudantes, cujas principais dúvidas giraram em torno dos métodos contraceptivos e de algumas condições genuinamente femininas, como a primeira menstruação e a mudança de humor durante essa fase.

OS TABUS

Segundo Cabello, a consciência corporal é tabu mesmo atualmente. "As mulheres ainda não se tocam, não se conhecem. A única forma de mudar essa situação é falar abertamente sobre o assunto, porém, de maneira lúdica e não sexista", pontua.

O ginecologista revela, também, que as jovens têm dificuldades em lidar com determinados temas, como a virgindade, as práticas sexuais, bem como a associação do ato sexual à gravidez - principalmente, quando se trata de meninas em situação de vulnerabilidade social. Em alguns estados, como é o caso do Amazonas, é ainda mais comum encontrar mulheres que mantêm relação anal, com o intuito de não perder a virgindade. O médico revela que, por essa razão, trata-se do estado brasileiro com maior incidência de HPV perianal. O objetivo é preservar virgindade para o casamento.

"Por tudo isso, pensamos em ir até a escola e tentar multiplicar essas informações de forma lúdica. Temos de formar as pessoas", justifica. Inclusive, a ação educativa conta com o apoio do Jornal da Cidade.

 

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