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'Prova isto, está uma delícia!'

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Samantha Ciuffa
Fotógrafa Neide Carlos aprendeu a fazer e a gostar de tapioca para substituir o glúten, por problemas de saúde

"Poupar as pessoas de situações involuntariamente vexaminosas é prova de muita educação e civilidade", Gloria Kalil, autora do livro de etiqueta contemporânea "Alô, chics"

Questão de etiqueta

Dizem todos os manuais de etiqueta e boa educação que é muito deselegante recusar um alimento e deixar sem tocar o que foi servido no prato. Por isso, um fato ocorrido semana passada, bombou nas redes sociais. Taís Araújo, foi convidada especial do programa "Mais Você" exibido na Rede Globo, apresentado por Ana Maria Braga. E na sua participação se recusou a comer o nhoque de abóbora feito pela apresentadora. Tratado como "desfeita" pelo próprio parceiro da apresentadora, o "Louro José" o assunto gerou dúvidas e dividiu opiniões. Se muitas pessoas de fato criticaram a atriz por não ter provado com certeza muita gente a defendeu, dizendo que ser franco é a melhor das atitudes.

Há casos em que as pessoas, por uma questão de saúde, realmente não podem consumir determinado alimento. Em outros casos é só uma preferência mesmo. O que fazer? Saber antes a preferência é a primeira opção, mas como sinal dos tempos, a etiqueta está mudando.

Você sabia?

Dizem todos os manuais de etiqueta e boa educação que é muito deselegante recusar um alimento e deixar sem tocar o que foi servido, no prato. Por isso, um fato ocorrido semana passada, bombou nas redes sociais. Taís Araújo foi convidada especial do programa "Mais Você", exibido na Rede Globo, apresentado por Ana Maria Braga. E na sua participação, se recusou a comer o nhoque de abóbora feito pela apresentadora.

Tratado como "desfeita" pelo próprio parceiro da apresentadora, o "Louro José", o assunto gerou dúvidas e dividiu opiniões.

Se muitas pessoas, de fato, criticaram a atriz por não ter provado, com certeza muita gente a defendeu, dizendo que ser franco é a melhor das atitudes.

Há casos em que as pessoas, por uma questão de saúde, realmente não podem consumir determinado alimento. Em outros casos, é só uma preferência mesmo. O que fazer? Saber antes a preferência é a primeira opção, mas, como sinal dos tempos, a etiqueta está mudando.

Experiência de sucesso!

Fazendo coro ao que dizem todos os especialistas de que é na infância que os hábitos se solidificam e, as experimentações precisam ser feitas, o publicitário Saulo Sabará, ou simplesmente Sabrá, estimulou a experimentação no filho Gabriel. O ruivinho, de oito anos, antenado, sempre sonhou em ter o seu canal no Youtube e a coisa virou quando filmou comendo seu primeiro sashimi (peixe cru da culinária japonesa). Juntos, uniram o útil ao agradável e hoje produzem semanalmente vídeos. Neles Biel, vence o receio de provar novas coisas, além de incentivar outras crianças a fazerem o mesmo. Produzidos domesticamente, em casa mesmo, sem grandes aparatos, os vídeos fazem sucesso.

Agora as experiências trazem agregados, a prima, a faxineira, gente do prédio deles para participar provando justamente o que diziam não gostar. Pratos como jiló, berinjela, buchada, ou até mesmo legumes triviais como beterraba, cenoura, estão entre os vídeos apresentados.

O nome do canal que eles abriram não poderia ser mais sugestivo "Prova isso, filho". É a chance de se abrir para novos sabores.

E a buchada de bode, pode?

Para os políticos em campanha a preferência gastronômica é uma faca de dois gumes. Não pode recusar nada, né? Afinal, valem votos. Há a história de que Fernando Henrique Cardoso em sua primeira campanha teve que experimentar uma buchada de bode à moda nordestina, com todos os ingredientes. A buchada é preparada com os miúdos e tripas do bode, aproveitando-se sangue, cabeça e pés. O candidato teria hesitado quando um assessor chegou ao seu ouvido e disse que era uma iguaria muito apreciada na França:   “trip à la mode Caen”. Foi então que FHC se entregou ao prato como se estivesse entre estivadores de Caen, na França. Comeu e repetiu.

Não há certeza de que essa parte francesa é verdadeira. Mas que ele comeu e gostou da buchada de bode, isso é verdadeiro. O próprio candidato cunhou a frase "tenho o pé na cozinha", para justificar que adora as comidas brasileiras e, também não tem preconceito e valoriza as origens mulatas. O fato foi relatado pelo repórter Emanuel Neri da Folha de S. Paulo.

Aqui em Bauru: Rodrigo capitulou

Em Bauru, quem pode provar que suas preferências gastronômicas não interferem na busca pelo veto é o ex-prefeito Rodrigo Agostinho. Desde sempre não come carne. E como enfrentar a maratona de churrascos nos encontros eleitorais? "A gente tem que entender que o mundo, não é vegetariano e, nas minhas andanças as pessoas aceitavam bem esse meu lado. Mas várias vezes passei fome, indo de um lugar para outro, não dava tempo de fazer um lanche antes, ou de ir almoçado", confessa. Ele lembra que os almoços em churrascarias são mais fáceis de administrar "porque sempre há um bufê de saladas, há opção".

Mas Rodrigo conta algo curioso: quando começou a carreira política tomar café não estava entre seus hábitos. Capitulou. Hoje toma muito. "Na campanha, indo de um encontro a outro, passava na base do café o dia inteiro".

O antes e depois das famosas

No dia seguinte ao programa Ana Maria Braga foi surpreendida  com um recado bem-humorado, Taís enviou brigadeiros e doces de abóbora. Ana Maria Braga riu e lembrou que ficou impressionada com a enxurrada de comentários e notícias sobre o 'climão' provocado pela recusa da atriz em comer o prato um nhoque de abóbora com molho de queijo parmesão. Vale lembrar que o ingrediente em questão era a abóbora e Taís experimentou o molho. 

Ana Maria, não conteve o riso,mas com seu jeito bem despachado e sem papas na língua ainda disse que a sua produção fazia brigadeiros melhores do que o mandado pela atriz. 

Mas uma coisa é certa: a produção do programa vai mudar. Agora, além de perguntar se o entrevistado tem alguma intolerância alimentar (fato que aconteceu com Taís Araújo, ela foi perguntada - mas se justificou: 'quem vai lembrar da abóbora num programa às 8h da manhã? eu respondi que não, não imaginei que iria ser servida') a ordem agora é informar qual o prato que será servido.

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