| Fotos: Arquivo Pessoal |
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| Família completa: Margarete, Orivaldo, Rodolpho e o mascote Toy |
O estudante universitário Rodolpho Pereira Tavano, 23 anos, tem um privilégio de poucos. Todo ano, ele comemora aniversário em três datas diferentes. A celebração com a família ocorre para marcar sua data de nascimento, em 12 de novembro, o dia em que se encontrou com os pais pela primeira vez no Paraná, em 11 de abril, e quando veio viver com eles em Bauru, no dia seguinte.
Com apenas cinco meses de vida, Rodolpho foi acolhido pelo casal Margarete e Orivaldo Tavano em 1994. Como não conseguiam ter filhos biológicos após inúmeras tentativas, com o estímulo de uma amiga paranaense conseguiram concretizar o sonho da paternidade por meio da adoção.
É um caminho buscado, hoje, no Dia Nacional da Adoção, por 114 pretendentes, entre casais e pessoas solteiras, em Bauru. Segundo dados do Fórum, a grande maioria é formada por casais heterossexuais, mas há mulheres e até mesmo homens sem parceiros que querem imergir na experiência de amar, educar e entregar seres humanos para o mundo (leia mais no quadro abaixo).
E esta jornada tem sido cada vez mais facilitada pela Justiça brasileira. Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer, o critério básico para conseguir adotar uma criança é ter disponibilidade afetiva e emocional para cuidar dela e estrutura familiar adequada - mesmo que a pessoa seja solteira ou divorciada e com poucos recursos financeiros.
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| Na foto Rodolpho quando era bebê |
"Tudo depende do perfil adequado dos pretendentes para cada criança. Mas, de modo geral, este é um processo que vem sofrendo evolução. Hoje, casais homoafetivos também podem adotar. No passado, por insegurança jurídica, os que tinham vontade se apresentavam como solteiros, mas, durante o processo, acabávamos descobrindo que tinham companheiros. Esta omissão de informação não precisa acontecer mais", destaca. Hoje, existem seis casais homoafetivos na fila de adoção em Bauru.
PERFIL
Apesar dos avanços, a predileção por crianças brancas ou pardas, do sexo feminino e com até dois anos de idade ainda é uma constante entre os pretendentes que procuram o Fórum. "É uma parcela pequena que se dispõe a adotar crianças maiores, adolescentes, ou mesmo crianças de cor de pele diferente da dos pais ou com problemas de saúde", observa o juiz.
Não por coincidência, a esmagadora maioria das 30 crianças com condições de ganhar uma família adotiva em Bauru possui mais de oito anos de idade. Atualmente, há apenas duas com menos de seis anos disponíveis para adoção (veja no quadro abaixo).
Segundo levantamento do Fórum, grande parte dos pretendentes não possui filhos biológicos, assim como Margarete Tavano e seu marido. "Antes da chegada dele, passei um ano me preparando, fazendo enxoval. Foi como uma gestação. E vivi, como vivo até hoje, a maternidade intensamente. Minha vida mudou completamente e para melhor", comemora ela.
Já uma publicitária de 46 anos, que preferiu não se identificar, optou pela adoção depois de dar a luz dois filhos homens. A criança, uma menina com dois anos de idade, hoje, foi recebida de braços abertos por toda a família.
"O amor é o mesmo e é maravilhoso sentir isso. Ela é muito falante, esperta, cativante e se adaptou bem porque sempre foi muito querida. A verdade é que ela foi feita para a gente e a gente, para ela", completa.
Quanto tempo leva?
Segundo a psicóloga judiciária Rosângela Frediane Motta Vaz, o tempo de espera desde a demonstração do interesse até a efetiva adoção varia de acordo com as exigências dos pretendentes quanto ao perfil da criança e do processo de adaptação. "A média é de três anos, mas já tivemos situações em que a adoção foi concluída em menos de um ano", frisa, salientando que, quando mais idade tiver o filho adotivo, mais lento tende a ser o processo de adaptação, que pode durar de um a seis meses.
"Tudo é monitorado pelo Judiciário. Quando a criança já é mais crescida, são estabelecidos períodos de visita nos abrigos, depois ela começa a passar finais de semana com a família, até a criação do vínculo que justifique a adoção".
Em maio, 10 crianças passaram a conviver com famílias para poderem ganhar um novo lar em Bauru. A estimativa é de que 100 crianças estejam em abrigos, ainda com chances de retornar às suas famílias e, por isso, não disponíveis para a adoção.
Irmãos
Outra dificuldade ocorre quando as crianças possuem irmãos também abrigados. “Isso porque, quando há vínculo afetivo entre eles, a prioridade é mantê-los na mesma família. É uma situação que está ocorrendo agora, inclusive, com três irmãos, que ainda não conseguimos encaminhar para adoção”, explica a psicóloga judiciária Rosângela Frediane Motta Vaz. Ela lembra, por outro lado, experiências em que irmãos foram adotados por famílias diferentes, mas conseguiram manter contato permanente. “Temos duas crianças que ficaram em Bauru e os irmãos foram viver com famílias em Ribeirão Preto e Campinas. Elas viajam aos finais de semana e passam férias juntas”.
Quanto tempo leva?
Segundo a psicóloga judiciária Rosângela Frediane Motta Vaz, o tempo de espera desde a demonstração do interesse até a efetiva adoção varia de acordo com as exigências dos pretendentes quanto ao perfil da criança e do processo de adaptação. “A média é de três anos, mas já tivemos situações em que a adoção foi concluída em menos de um ano”, frisa, salientando que, quando mais idade tiver o filho adotivo, mais lento tende a ser o processo de adaptação, que pode durar de um a seis meses.
“Tudo é monitorado pelo Judiciário. Quando a criança já é mais crescida, são estabelecidos períodos de visita nos abrigos, depois ela começa a passar finais de semana com a família, até a criação do vínculo que justifique a adoção”. Em maio, 10 crianças passaram a conviver com famílias para poderem ganhar um novo lar em Bauru. A estimativa é de que 100 crianças estejam em abrigos, ainda com chances de retornar às suas famílias e, por isso, não disponíveis para a adoção.
Apadrinhamento agora é oficial no município
Prática existente há décadas em Bauru, o apadrinhamento afetivo foi oficializado na cidade, no mês passado, por meio de portaria instituída pela Vara da Infância e Juventude. A intenção é criar procedimentos padronizados para aperfeiçoar e ampliar o serviço, que permite a adultos manter contato mais próximo com crianças que vivem em abrigos e não têm perspectivas de adoção.
Pelo programa, os padrinhos podem levar seus “afilhados” para passeios aos finais de semana e viagens de férias, além de ajudá-los, se quiserem, com roupas, brinquedos, cursos e material escolar.
“É algo que existe há muito tempo dentro dos serviços de acolhimento, mas as regras, até então, eram definidas pelas próprias instituições. A partir de agora, os técnicos do Judiciário irão treinar os técnicos dos abrigos para que eles divulguem, selecionem e acompanhem todos os apadrinhamentos existentes na cidade”, aponta Ubirajara Maintinguer.

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