| Fotos: Jornal da Cidade |
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| Era por volta de 17h30 quando cerca de 20 policiais civis, acompanhados de funcionários da Seplan, chegaram à casa de bingo, na quadra 20 da rua Virgílio Malta |
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| "Para mascarar, eles pediam para que os frequentadores trouxessem roupas e alimentos", Richard Serrano, Delegado |
Uma operação desencadeada pela Polícia Civil e Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) fechou, nessa quinta-feira (1), um estabelecimento que funcionava há cerca de um mês como casa de bingo em Bauru. Ao todo, quase 60 computadores, incluindo uma máquina central que controlava os jogos, três televisões, milhares de cartelas e R$ 4.723,70 em dinheiro foram apreendidos.
O prédio, que fica na quadra 20 da rua Virgílio Malta, nos Altos da Cidade, era identificado como Clube Recreativo da Melhor Idade e teve, durante a ação conjunta, o alvará de funcionamento cassado pela prefeitura. No local, estavam cerca de 100 jogadores e aproximadamente 20 funcionários, incluindo um gerente. Até o final dessa quinta (1), o homem não havia revelado à polícia o nome do proprietário do estabelecimento, que continua sendo procurado.
Era por volta de 17h30 quando cerca de 20 policiais civis do Setor de Investigações Gerais (SIG), da Delegacia Seccional de Bauru e da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), acompanhados de funcionários da Seplan, chegaram ao endereço. Com autorização da Justiça, os policiais renderam os seguranças e manobristas que estavam na entrada do prédio.
A movimentação inesperada deixou o público, majoritariamente idoso, assustado. Aos poucos, contudo, os frequentadores foram liberados. Além dos cerca de 20 funcionários que trabalhavam na casa de bingo, a Polícia Civil identificou o gerente, que já tinha antecedentes por exploração de jogos de azar, responderá em liberdade a inquérito pela mesma contravenção penal.
A partir da perícia dos conteúdos apreendidos com os computadores, documentos e anotações encontrados, contudo, ele poderá ser indicado por crime de lavagem de dinheiro. "Para mascarar a atividade ilícita, em determinados dias, eles pediam para que os frequentadores trouxessem roupas e alimentos para serem destinados a entidades assistenciais de Bauru. Era uma forma de tentar se passar por um estabelecimento que desenvolvia atividades beneficentes", comenta o coordenador do SIG, delegado Richard Serrano.
ALVARÁ CASSADO
Ele explica que as investigações tiveram início há cerca de 20 dias, quando uma denúncia chegou à Seccional. "Ao longo desse período, in loco, observamos o ingresso de pessoas, principalmente idosos, além da presença de seguranças e manobristas. Diante da suspeita de que se tratava de um bingo, obtivemos uma autorização judicial para entrar no local", relata.
Durante a operação, funcionários da Seplan cassaram o alvará de funcionamento da casa, que havia sido concedido pela própria pasta no início de maio, para que o local operasse como um clube social e esportivo. "A medida foi tomada devido à realização de atividade diversa da informada no pedido que chegou à secretaria. Já a investigação sobre a prática de jogos de azar é uma atribuição da polícia", reforça o diretor do Departamento de Uso e Ocupação do Solo da pasta, Luiz Gustavo Oliveira Moraes.
Após a ação conjunta, o comando do Corpo de Bombeiros informou que irá vistoriar o prédio ainda hoje para verificar se o Certificado de Licença emitido pela corporação também será cassado.
OUTRO LADO
Um dia antes da operação, a reportagem do JC - com informações da Seplan sobre os trâmites que já estavam em andamento para cassar o alvará do estabelecimento - esteve na casa de jogos e conversou com o gerente, que agora será indiciado, além de um homem que se identificou como vice-presidente do que eles denominavam clube recreativo sem fins lucrativos.
Na ocasião, ambos argumentaram que o "bingo beneficente" ocorria apenas em alguns dias da semana no local e que, além desta atividade, o "clube" realizava outros eventos, como cursos, jantares dançantes e "dias de beleza", com a presença de cabeleireiros, esteticistas e manicures. Segundo o vice-presidente, em ata registrada em cartório, consta que os frequentadores do local poderiam jogar tômbola, que se assemelha ao bingo europeu.
Os dois informaram, ainda, que o estabelecimento arrecadava roupas e alimentos junto aos frequentadores para destinar a entidades assistenciais de Bauru e que doações em dinheiro também eram enviadas para instituições e pessoas de baixa renda, permanecendo com o "clube" apenas o montante necessário para mantê-lo. Segundo a Polícia Civil, as peças e gêneros alimentícios que ainda estavam no prédio, nessa quinta (1), serão encaminhadas aos projetos apontados pelos funcionários do bingo.



