Puxado pelos preços do atacado, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), registrou deflação em maio, o terceiro mês seguido com variação negativa. A queda foi de 0,51%, após recuo de 1,24% em abril, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
No terreno positivo, os preços ao consumidor aceleraram. O IPC-DI passou de 0,12% em abril para 0,52% no mês passado, sob forte impacto das contas de luz, mas a deflação nos alimentos foi uma boa notícia.
Justamente por causa das tarifas de energia elétrica residencial, a expectativa é que a leitura de maio do IPCA, índice oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também virá acima da vista em abril.
Pesquisa do Broadcast com 51 analistas do mercado financeiro, aponta para alta de 0,47% no IPCA de maio, na média das projeções. O IBGE divulgará o IPCA de maio amanhã.
No varejo, a aceleração foi verificada em cinco das oito classes de despesa componentes do IPC-DI. Segundo a FGV, a classe de despesa que mais contribuiu para o movimento de aceleração foi o grupo Habitação (-0,69% para 1,71%), por causa da conta de luz. O item tarifa de eletricidade residencial passou de -6,22% em abril para 10,88% em maio.
O impacto das contas de luz mais caras já era esperado e não será surpresa no IPCA de maio, explicou o superintendente adjunto de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Salomão Quadros.
Em abril, esse gasto apresentou deflação por causa da devolução da cobrança indevida nas contas atreladas à usina de Angra 3, uma determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em maio, esse efeito saiu da conta e houve pressão da bandeira vermelha, que deixa a eletricidade mais cara por causa da falta de chuvas.
Segundo Quadros, nos últimos anos aumentou o vaivém do custo da tarifa de energia elétrica. Neste mês, a conta de luz está com bandeira verde e os preços de energia elétrica podem voltar a cair. Além disso, segundo ele, esse movimento é localizado e não se espalhará porque a inflação está bem comportada.
Para corroborar o quadro, os preços dos alimentos ao consumidor registraram deflação de 0,26% em maio. O destaque, segundo a FGV, foi o item hortaliças e legumes, com queda de 2,49%. Quadros vê o movimento como duradouro, principalmente porque, no atacado, as matérias-primas agrícolas apresentam deflação de 10,12% em 12 meses até maio.