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Seguindo os passos de Guimarães Rosa

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr
Fã de Guimarães Rosa, Carolina vai poder viver o que viu só nos livros

A jornalista e escritora de Bauru Carolina Bataier, 31 anos, está entre os selecionados para trilhar parte do percurso realizado pelo bando de Riobaldo, personagem central da obra "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, publicada em 1956.

A proposta do projeto "Caminho do Sertão 2017" é percorrer 178 quilômetros a pé, em uma semana, em travessia entre Sagarana, Distrito de Arinos e o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Chapada Gaúcha, noroeste e norte de Minas Gerais.

Ao todo, foram selecionados 50 participantes, de um total de 270 inscritos, que passaram por etapa na qual o candidato apresenta sua proposta e currículo. "Eu fui selecionada para participar do grupo de comunicação, que são cinco pessoas", detalha Carolina.

Para concorrer a uma vaga na jornada pelo sertão mineiro, que será realizada de 8 a 16 de julho, a jornalista e escritora apresentou um projeto dela e também do amigo jornalista Gabriel Duarte, que aborda a cultura no Interior.

"O Interior Cultural é um site para falar da arte produzida na nossa região, principalmente a arte que não recebe apoio, como produtores independentes. E o programa 'Caminho do Sertão' tem esse viés, ou seja, aborda a cultura popular", justifica.

Carolina conta que, desde que conheceu o projeto, ficou apaixonada. "Achei lindo, porque eu gosto muito de Guimarães Rosa, um dos meus escritores preferidos. E o caminho é inspirado na obra dele. E também porque gosto muito de viajar", pontua.

Desde que retornou da Irlanda, onde morou por dois anos, ela sentia que era hora de conhecer melhor o Brasil. "Sempre tive vontade de me embrenhar pelo Brasil. É tudo muito bonito e culturalmente rico".

PRODUÇÃO

A proposta do "Caminho do Sertão" - que está em sua quarta edição - , para quem vai como equipe de comunicação, é produzir um material para o programa. "A gente tem liberdade de produção", frisa. Além da caminhada de uma semana, haverá mais dois dias de vivência com o grupo.

"Eu terei a opção de não caminhar todos os dias. Caso ache interessante, por exemplo, ficar em alguma comunidade por um dia, posso. Tudo depende do que vou sentindo pelo caminho e o que desperta meu interesse para escrever", explica.

Para Carolina, além de enriquecedora, a experiência será um desafio em sua carreira. "É uma imersão num universo novo e ao mesmo tempo próximo, porque é Brasil, é Interior, é um pouco daquilo que vivo também", comenta. 

VIAGEM LITERÁRIA

O aspecto literário da viagem, inclusive, desperta um sentimento nostálgico na jornalista. "Eu acho que a coisa mais legal de viajar é você estar naqueles lugares onde sempre viu em fotos, filmes ou leu nos livros", resume, ao citar sobre o percurso percorrido pelo personagem Riobaldo.

Carolina ressalta ainda os valores pessoais que a aventura oferece. "Quando comecei o Interior Cultural, foi por acreditar na arte. Até hoje, não temos retorno financeiro, mas a cada dia tenho aprendido que vale a pena fazer aquilo que a gente acredita, porque ele tem me trazido retornos em forma de contatos, conhecimento e oportunidades", finaliza.

Leia mais sobre as histórias de Carolina Bataier em seu Blog Dislexicamente, através do link: https://www.facebook.com/pg/dislexicamente/about/?ref=page_internal. Já o projeto Interior Cultural pode ser acessado no www.interiorcultural.com.br. 

Projeto

Conforme consta no site do projeto, o “Caminho do Sertão - de Sagarana ao Grande Sertão: Veredas” pretende ser um forte atrativo para despertar a atenção e o interesse das pessoas e das instituições, para o valor e a diversidade ecocultural dos Vales dos Rios Urucuia e Carinhanha. 

VOCÊ SABIA?

Por 10 dias, em maio de 1952, o escritor João Guimarães Rosa (1908-1967) percorreu, com um grupo de boiadeiros, cerca de 240 quilômetros do interior de Minas Gerais. Aqueles poucos dias marcaram definitivamente não só a obra do escritor, mas a literatura brasileira. Quatro anos mais tarde, ele publicaria o que é considerado o clássico dos clássicos, o romance Grande Sertão: Veredas (a primeira edição é de maio de 1956).

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