| Arquivo Pessoal |
![]() |
| Maikon passa bons minutos à frente do espelho após o banho: ritual |
Esqueça a história de que salão de beleza é lugar de mulher e que os homens que se cuidam têm um lado feminino muito desenvolvido. Já vai longe a ideia de que os homens (a exemplo dos profissionais como cabeleireiros) muito vaidosos, que se cuidam demais, fazem parte do universo da homossexualidade. Nada mais estereotipado. Puro preconceito.
Você vai parar de torcer o nariz (e deixar de fazer aquelas brincadeirinhas bestas com os amigos) quando souber que este é o segmento que mais cresce no país. Não há crise para o mercado da beleza. O Brasil já é o segundo maior consumidor de produtos de beleza e estética no mundo, perde só para os EUA. E mais: o mercado de beleza e estética quase 100% feminino, está se transformando e mais rápido do que se previa: mais de 30% dos lançamentos de produtos são destinados a eles.
Se elas chegam a ter 99% de interesse no assunto, hoje cerca de 45% dos homens gostam de buscar informações e novidades no setor. Números da pesquisa Men Care (cuidados masculinos), realizada no Brasil pela empresa "Mind&Hearts",divulgados no último dia 13. Constata o que profissionais bauruenses já haviam sentido na prática.
SEGUNDA
O cabeleireiro e técnico em terapia capilar Dyogo Alexandre costa, começou a trabalhar com o público masculino há cerca de 10 anos e notou uma grande diferença nesta década. “Naquela época os homens só faziam cabelo, era simplesmente corte, e hoje em dia faço até progressivas e escovas”, conta Dyogo. O cabeleireiro ainda comenta que tem até clientes fixos, que vão uma vez por semana para lavar e fazer escova no cabelo. Tanto que Dyogo investiu no que chama de "spa urbano", com espaço cativo pela clientela masculina.
AUTOESTIMA
Além de cuidadosos com a aparência, os homens também andam bastante antenados nas tendências. "Eles chegam com uma ideia pronta, trazem uma foto de algum artista do momento, jogador de futebol, algum cantor para eu reproduzir neles”, conta. A busca é pelo bem-estar estético. ”É gratificante quando eles se olham no espelho depois de fazer algo, como por exemplo, a barba. Eles entram de um jeito e saem de outro, não digo só da beleza externa, mas do interna, a autoestima, a pessoa entra cabisbaixa e sai com um sorriso”.
No SPA que oferece diversos serviços destinados a esse público, como maquiagem e ceras especificas para homem, design de sobrancelha, tratamento de calvície e de barba para promover o crescimento dos fios e a venda de produtos para o cuidado e higiene como shampoos e pomadas modeladoras.
O preconceito é assunto recorrente. Em relação aos tratamentos capilares, o cabeleireiro diz que os homens já ficam mais constrangidos, diferentemente dos “clientes que vêm fazer barba, cabelo e sobrancelha. Estes fazem questão de falar que estão no salão, fazem até checkin nas redes sociais. O pessoal do tratamento capilar me procura mais 'nas escondidas', tanto é que tenho uma sala privativa para atender essa demanda, porque geralmente a pessoa tem vergonha”, explica.
Entre uma brincadeira e outra, Dyogo comenta que já sofreu preconceito pela profissão e que levou até cantadas. “Alguns clientes gays já flertaram comigo achando que eu também era só por ser cabeleireiro”.
