Cultura

Quem vem com tudo não cansa

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Reprodução
Desenho ilustra parceria tardia lançada em junho: Cazuza e Ney
Disco “Só Se For A Dois”, de 1987, de onde saiu música mais recente, “Dia dos Namorados”: uma “sobra de luxo” do trabalho

Faz 25 dias que Cazuza lançou uma música inédita. Nada mal para quem está morto há 27 anos. A canção "Dia dos Namorados" acabou não entrando em disco de 1987 e, em pleno 2017, ressuscitou. Vale ser ouvida.

Parceria com o guitarrista Perinho Santana, morto em 2012, aos 63 anos, "Dia dos Namorados" é realmente boa. Aliás, como a maior parte da obra que Cazuza construiu.

A faixa ainda ganhou adição dos vocais de Ney Matogrosso, hoje com 75 anos, e com quem Cazuza realmente teve um romance ainda no fim dos anos 70. A música abre assim: "Todo dia, em qualquer lugar / Eu te encontro mesmo sem estar..."

Mesmo sem estar, Cazuza segue influente, produtivo e bem atual.

Aliás, no quesito atualidade, basta ouvir "Brasil", "Ideologia" ou "A Burguesia Fede" para constatar.

Para boa parte da crítica, o exagerado compositor carioca foi o melhor letrista de sua geração.

O mais completo justamente por reunir, na mesma persona, o cara sensível e irritadiço; o artista inspirado e alterado. Quase sempre muito talentoso - dentro e fora do Barão Vermelho.

Viveu cada segundo sem exibir traços de preguiça até seus 32 anos quando, enfim, sucumbiu às complicações da Aids na manhã de 7 de julho de 1990. Mas o poeta realmente morreu?

Segundo já declarou a mãe, Lucinha, há centenas de letras inéditas prontas para serem musicadas.

Fora os projetos da própria Lucinha que viraram livros e podem ser lidos ou relidos: "Só As Mães São Felizes" (1997) e "Preciso Dizer Que Te Amo" (2001) - Editora Globo. E, claro, o filme "Cazuza - O Tempo Não Para (2004)", dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho e protagonizado - com elogiada performance - por Daniel de Oliveira.

Voltando à música: seja curtindo as antigas ou a mais recente, com e sem Barão, uma coisa é certa: o dia sempre ganha uma chance de nascer mais feliz ao som de Agenor de Miranda Araújo Neto. Ouça e sinta-se um pouco mais vivo também.

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