O Brasil pode ter o primeiro presidente de sua história nascido no Chile. Rodrigo Maia, que está ali na boca para assumir, veio ao mundo cercado pela exuberância de Santiago em 12 de junho de 1970. O "incidente geográfico" se deve ao fato de que o pai, César Maia, estava por lá exilado durante a "fechadura brasileira".
Essa condição estrangeira de berço impediria Maia filho de ocupar certos cargos exclusivos de brasileiros natos, como a presidência da Câmara, seu posto atual, e da República, talvez seu possível cargo em breve, mas uma ação paterna rápida derrubou a barreira no nascedouro.
É que Rodrigo foi registrado no consulado do Brasil da capital chilena e isso era o que bastava para resolver lacunas futuras. Com fama de maluco que o acompanha desde os tempos de prefeito do Rio, César Maia foi bem racional e precavido ao agir assim. Maia pai, hoje vereador no Rio, pode ver o filho ser alçado à condição de mandatário maior do País caso, como se sabe, ocorra a queda de Temer. De quebra, será o segundo mais jovem a chegar lá (Maia tem 47 anos e só perde para Collor, que tinha 40 anos e sete meses quando, em 1990, meteu a faixa verde e amarela no peito).
Em seu quinto mandato como deputado, Maia também tentou ser prefeito do Rio em 2012 tendo, como vice, Clarissa Garotinho. Maia conseguiu apenas 3% dos votos válidos na eleição vencida por Eduardo Paes. 3%. Suspeito de receber propina da Odebrecht e de prestar favores à OAS, Maia já negou tudo e, assim, de consciência tranquila, poderá ter um papel decisivo naquele que se desenha ser um novo provável capítulo de nossa complexa história republicana.
O Chile tem um futebol guerreiro e campeão, um rock e uma música popular muito interessantes, uma geografia incrível, uma economia estável. Que as coisas legais desse país bacana possam inspirar o chileno/brasileiro Rodrigo Maia em suas presidências e pendências. Só fique ele sabendo que não esperamos um deus Maia. Apenas não queremos prolongar o inferno.
O autor é editor do JC