Bauru 121 anos

Tipos POPULARES de Bauru


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Bernabé

O velho Bauru teve e ainda tem seus tipos populares. O primeiro foi Bernabé, exímio sanfonista e mulato pernóstico. Ele animava, com a sua sanfona, todos os bailes que se realizavam na vila.

Dizia-se que, quando falava, utilizava-se de um amontoado de palavras e formava frases sem lógica, sem nexo. Não se sabia de onde viera. O fato é que ele, com a sua sanfona e com o seu fraseado bombástico, tornou-se uma pessoa popular e de atração no lugar que começava a dar os primeiros passos para o progresso.

Como todos os forasteiros, boêmios ou não, chegara a Bauru quando começavam a construir as primeiras casas de taipa, de barro socado.

Naquela época, como é natural, com o pequeno aglomerado humano, ninguém cogitava de saber ou de indagar a procedência, a origem dos primeiros povoadores.

E Bernabé ficou na história da aldeia, que nascia como um dos primeiros povoadores e como o seu primeiro músico, o seu primeiro artista e o seu primeiro tipo popular.

"De Repente"

Houve outro vendedor de bilhetes de nome "De Repente". Era um caboclo forte e atarracado e de voz grossa. Apregoava os seus bilhetes sempre afirmando: "De Repente, sai" Daí o apelido.

Sabia a quem vendia os gasparinos ou os bilhetes inteiros. Tinha boa memória. Não falhava. Assim, quando saia uma sorte grande, procurava pressuroso o felizardo para anunciar a boa nova. Mas a sua intenção era outra: queria uma pequena comissão sobre o bilhete premiado...

Ninguém cogitava de saber o seu verdadeiro nome. Era "De Repente". E isto bastava.

Gostava de vestir-se com asseio e era até elegante. Quando estava de folga, metia-se num bom terno e saía pelas ruas, a passeio sempre de braço com a esposa. Parecia um excelente casal, cheio de compreensão, cheio de amor...

Antônio Cabeçudo

Houve, ainda, outro tipo popular muito em voga na sua época: o Antônio Cabeçudo. Era nortista e vendedor ambulante de pastéis numa carrocinha, que fazia empurrar pelas ruas da cidade, apregoando em voz alta: "Tá quente, tá gostoso"!

O seu grito chamava a atenção da população. A sua mercadoria - os seus pastéis - era de alta qualidade. Daí a sua enorme aceitação.

Ele somente interrompia o seu negócio no sábado, no domingo, na segunda e terça-feiras de Carnaval. Esses dias eram dele. Então, vestia uma roupa de palhaço e, com a cara pintada, saía por aí a cantar com o seu violão em forma de lira.

Tinha boa voz e, nos dias de Carnaval, era uma nota vibrante e divertida nas ruas bauruenses.

Dizia-se que, quando moço, fora artista de circo. Fora palhaço.

"Risadinha"

O "Risadinha" tem esse apelido porque está sempre sorrindo. Não gosta da alcunha. Quando, na rua, é acossado pela garotada, profere nomes feios. E ameaça praticar agressão, jogar pedras.

Está constantemente a monologar e a fazer gestos. Vive por aí. Não se sabe onde come, onde mora, onde dorme e é desconhecido o seu nome.

Como todos os tipos populares de sua feição, vive como Deus quer. Tem uma farta carapinha, habitualmente despenteada, eriçada como ouriço. A cara negra está sempre lustrosa.

Quando caminha, nas ruas, está sempre com a cabeça erguida e com o olhar fincado para a frente, vidrado, pensando-se que esteja fixando um ponto longe, distante, no infinito.

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